
Senador Flavio Bolsonaro após visitar o pai preso na Superintendência da PF em Brasília, em 9 de dezembro de 2025 — Foto: Reuters/Adriano Machado
Brasília (DF) · 27 de abril de 2026
A trégua nos bastidores da política fluminense acabou. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta um dos momentos mais delicados de sua carreira, não por uma ameaça externa, mas pelos “esqueletos” escancarados dentro de seu próprio partido e do governo que ajudou a sustentar.
Com a proximidade das eleições estaduais, a sombra de escândalos de corrupção e a fragilidade numérica de seu candidato oficial, o senador já acionou um plano B.
A informação é do jornalista Octavio Guedes, no G1, e revela que, por trás do apoio declarado a Douglas Ruas (PL), Flávio articula nos bastidores a candidatura de André Marinho, filho de seu suplente no Senado, Paulo Marinho, que concorrerá pelo Partido Novo.
O peso das pesquisas e a inércia da máquina
O principal motivador para a movimentação de Flávio Bolsonaro é a rejeição do eleitorado. Pesquisa Genial/Quaest divulgada na segunda-feira (27/abr) mostra um cenário desolador para o bolsonarismo no estado.
Eduardo Paes (PSD) lidera a corrida ao Palácio Guanabara com folga, variando de 34% a 40% das intenções de voto nos cenários simulados.
A esteira da crise, Douglas Ruas patina entre 9% e 11%, um resultado pífio para quem controla a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e era visto como herdeiro natural da máquina.
A reportagem do G1 destaca que, “sem a máquina e dinheiro público para garantir apoio de prefeitos, Douglas Ruas terá dificuldades de decolar”.
A percepção interna é a de que, com 71% dos eleitores ainda não o conhecendo, segundo o mesmo levantamento, o candidato oficial é um peso morto.
O “plano B” na Zona Sul
Diante do iminente naufrágio, Flávio Bolsonaro costurou nos bastidores para que André Marinho conseguisse uma legenda no Novo.
A estratégia inicial, ventilada nos bastidores, seria a de que Marinho atuasse como “sanguessuga”, tirando votos de Paes na Zona Sul do Rio para forçar um segundo turno entre Ruas e o petista.
No entanto, a queda de braço interna mostra que André Marinho é mais que um peão. Ele é o “seguro que Flávio está contratando”.
A aposta é que, se a candidatura de Ruas implodir de vez (como mostram os 1% de intenção de voto de Marinho na pesquisa ), o senador tenha um nome limpo, sem envolvimento com as crises que se avizinham, para herdar seu capital político.
Flávio parece disposto a repetir o fenômeno de 2018, quando a rejeição ao “sistema” elegeu dois desconhecidos: Wilson Witzel e o agora cassado Cláudio Castro.
Os “esqueletos” do armário
A urgência de Flávio Bolsonaro em ter uma alternativa não é à toa. A expressão “esqueletos” usada pelo G1 é a mais precisa para definir o estado atual do PL no Rio.
Em primeiro lugar, a herança maldita do governo Cláudio Castro. A gestão do partido é acusada de ter aportado mais de 1 bilhão de reais em recursos de aposentados no banco Master, um rombo que pode se tornar um escândalo de proporções gigantescas a qualquer momento.
O desgoverno ficou tão evidente que, ao assumir interinamente, o desembargador Ricardo Couto exonerou mais de 700 servidores fantasmas — muitos dos quais “não tinham crachá, nem senha para entrar no sistema do governo”.
Em segundo lugar, e mais grave, a situação da Alerj. Presidida por Douglas Ruas, a Casa vive sob a espada de uma operação da Polícia Federal (PF) que já derrubou o antecessor.
O ex-presidente Rodrigo Bacellar (União Brasil) e o ex-deputado TH Joias foram indiciados e denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por vazar informações ao Comando Vermelho (CV).
Conforme noticiado pela Agência Brasil e pelo G1, a suspeita é de que Bacellar alertou TH Joias sobre uma operação da PF, permitindo que o parlamentar destruísse provas.
A Veja complementou que o ministro do STF, Alexandre de Moraes, determinou a abertura de processos disciplinares, mantendo o clima de terror na política fluminense.
A qualquer momento, novas prisões podem ser deflagradas, e Douglas Ruas, como atual presidente, seria inevitavelmente respingado.
Conclusão
Flávio Bolsonaro está, neste momento, tentando sobreviver a um terremoto político.
A estratégia de apoiar um nome “outsider” (André Marinho) como escudo antidoto contra a rejeição e a corrupção pode ser a única saída para evitar que o PL seja varrido do mapa no maior colégio eleitoral do país após São Paulo.
A expectativa nos bastidores jurídicos é de que as investigações sobre o banco Master e os desdobramentos da delação de envolvidos no esquema do Comando Vermelho avancem nas próximas semanas, o que pode redefinir completamente o cenário eleitoral.
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