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‘Em 1 semana, Lula já governa mais que Bolsonaro em 4 anos’: Jair ‘deve ser ignorado e vigiado. Ouvido, não’, diz jornalista

    Ascanio Seleme também defende que o “cidadão Jair” precisa “pagar por todos os crimes cometidos pelo presidente Bolsonaronesses “4 anos”

    Em um longo texto produzido para a ocasião em que se consolida a transição do governo Bolsonaro para o aguardado governo LULA, Ascânio Seleme escreve, no Globo: “Em uma semana, Lula já governou mais e fez mais política do que Bolsonaro em quatro anos“.

    Certamente, Seleme se referiu a governar para o povo, diferentemente dos últimos 4 anos. Tudo leva a crer que o salário mínimo no Governo LULA voltará a ter ganho real, acima da inflação, coisa que com Bolsonaro e Guedes nunca ocorreu. Além disso, há a PEC da Transição, que busca garantir o auxílio de R$ 600, que não constava no orçamento do atual governo para o ano que vem e surpreenderia os necessitados que votaram no capitão, devido à esta promessa.

    Depois do vergonhoso discurso que fez, sem reconhecer a derrota, sem parabenizar o adversário vitorioso, sem desarmar os ânimos golpistas da sua tropa, desrespeitoso, covarde e minúsculo, Bolsonaro deveria ser ignorado. Vigiado, sim. Ouvido, não“, diz o jornalista, em outro trecho.

    É importante que cada um dos seus passos seja escrutinado, que suas decisões, mesmo as mais corriqueiras, sejam fiscalizadas até que ele saia pela porta dos fundos no dia 1º de janeiro. Mas, sem lhe dar vez, sem difundir sua palavra, de resto grosseira e muitas vezes escatológica“.

    O jornalista também argumenta que “o cidadão Jair Messias Bolsonaro deve pagar por todos os crimes cometidos pelo presidente Bolsonaro nos seus quatro anos de mandato”.

    O jornalista diz que os crimes de Bolsonaro “não são poucos, não são banais. Deixar o futuro ex-presidente impune seria um insulto à Nação e um risco enorme à democracia mais adiante, dada a sua capacidade de aglutinação política“, prossegue Seleme, mostrando alinhamento com seu colega Bernardo Mello Franco, no mesmo jornal, que também aborda todos os crimes do ocupante do Palácio do Planalto, que ficaram por isso mesmo graças ao engavetador de processos Augusto Aras.

    Seleme diz ainda que “os militares não assustam mais. Os bolsonaristas Braga, Heleno, Paulo Sérgio e Ramos voltarão para casa e serão esquecidos“. (…) “Mesmo que” seguidores “causem barulho, mesmo assim é preciso julgar e condenar, ou absolver, os crimes cometidos por Bolsonaro“. (…) “Não se pode perdoar um criminoso desta magnitude. Não estamos saindo de uma ditadura, ao contrário, por pouco não entramos numa. Não cabe, portanto, anistia. Anistia, não. Bolsonaro tem que pagar pelos seus crimes“.

    O jornalista não acredita que “quase a metade dos brasileiros que foram às urnas são extremistas, querem uma intervenção militar com tanques nas ruas, exigem a prisão de Alexandre de Moraes, o fechamento do Supremo e a manutenção do presidente derrotado no poder pela força. Claro que não. Mesmo entre os legítimos bolsonaristas de extrema-direita, poucos são ideológicos, sabem o que ditadura significa e do que ela é capaz“.

    A explicação seria a volatilidade do eleitor brasileiro. Seleme cita a eleição presidencial entre Aécio Neves, derrotado, e Dilma Rousseff, que saiu vitoriosa, em 2014, “por pouco mais de três pontos”. Mas em “três anos ele já havia perdido totalmente a sua relevância política em razão dos erros que cometeu. (…) Acabou virando bolsonarista. Desmilinguiu-se. Bolsonaro, por sua vez, não aceitou a derrota para Lula e em breve saberemos muito mais sobre os segredos e sigilos de seus quatro anos de mandato, dos seus zerinhos e de toda a sua turma“.

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