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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    05 de outubro de 2026

    O

    mercado brasileiro emplacou 509.686 veículos novos em setembro, o melhor resultado para o mês na série da Fenabrave, e o presidente da entidade liga parte dessa demanda a programas do governo. O dado importa porque o acumulado do ano já é o segundo maior dos nove primeiros meses, atrás só de 2011, com o crédito ainda descrito como complexo.

    A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores informou o número nesta segunda-feira (5/out). Sobre agosto, a alta foi de 1,15%. Sobre setembro de 2025, de 8,32%. De janeiro a setembro, os licenciamentos somaram 4.233.468 unidades, 14,41% acima do mesmo intervalo do ano passado. A Reuters registrou o acumulado em cerca de 4,23 milhões, com avanço próximo de 15%.

    Automóveis e comerciais leves responderam por 268.721 emplacamentos, alta de 2,13% no mês e de 16,16% em um ano. Só os automóveis chegaram a 216.366 unidades, 21,20% acima de setembro de 2025.

    O QUE A FENABRAVE ATRIBUI AO RESULTADO?

    O presidente da Fenabrave, Arcélio Júnior, disse à Reuters que a expansão do segmento principal foi apoiada pela concorrência e por programas de fomento do setor, como o Move Brasil e o Carro Sustentável. A frase registrada pelo veículo foi esta: “O mercado continua demonstrando demanda por veículos novos, mesmo em um ambiente ainda complexo de crédito.”

    Ele também afirmou que os números atuais indicam um fechamento de ano melhor do que o esperado na maior parte dos segmentos, mas que a entidade espera outubro antes de eventual revisão, prevista para novembro. As projeções de 2026 foram mantidas por enquanto.

    IMPORTANTE: O recorde citado pela Fenabrave e pela Reuters é o melhor setembro da série histórica de emplacamentos, não o maior mês já registrado no Brasil. Caminhões seguem abaixo de 2025 no acumulado: 78,6 mil unidades até setembro, queda de 3,9%, segundo a AutoData com base na mesma federação. O ambiente de juros e a seletividade do crédito continuam no diagnóstico da própria entidade.

    QUAIS PROGRAMAS ENTRAM NESSA CONTA?

    O Move Brasil tornou-se permanente em 14 de setembro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei de crédito para taxistas, motoristas de aplicativo, entregadores e, na nova redação, transporte escolar. A Agência Brasil registrou que o BNDES dispõe de R$ 30 bilhões ao longo do tempo, conforme a demanda. O teto do valor ficou em R$ 30 bilhões, conforme a demanda. O teto do valor ficou em R$ 200 mil, com parcelamento em até 84 meses. Os juros informados são de 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres. Entram modelos flex, a etanol, híbridos e elétricos.

    O Valor Econômico, no dia da sanção, citou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços: desde 19 de junho, a linha já havia vendido mais de 48 mil carros e mais de 19 mil motos. A linha nasceu de medida provisória de maio, quando o teto ainda era de R$ 150 mil.

    O Carro Sustentável é anterior. Decreto de 10 de julho de 2025, assinado por Lula, zerou o IPI de compactos fabricados no Brasil com emissão inferior a 83 gramas de CO₂ por quilômetro, mais de 80% de materiais recicláveis e produção local das etapas principais. A Agência Brasil informou validade até dezembro de 2026, sem impacto fiscal, porque a tabela do imposto foi redesenhada. O Planalto, ao anunciar o Move Brasil em maio, já listava o Carro Sustentável entre as políticas de IPI zero para veículos de entrada.

    Em maio, no aniversário de 70 anos da Anfavea, Lula escreveu em publicação oficial que o país vive o maior ciclo de investimentos da indústria automotiva e que programas como o Mover já atraíram mais de R$ 190 bilhões, públicos e privados.


    QUEM PUXOU AS VENDAS DE SETEMBRO?

    No ranking de automóveis e leves da consultoria K.Lume, reproduzido pela Autoesporte e pela Quatro Rodas, a Fiat Strada liderou com 16.002 unidades. O Volkswagen Polo veio em seguida, com 11.095. O BYD Dolphin Mini ficou em terceiro, com 9.385, e foi apontado pela Quatro Rodas como o primeiro elétrico a ocupar essa posição num mês. A Bright Consulting mediu 265.275 leves no mês, alta de 14,5% em um ano, e eletrificados em 22,9% do mercado, mais que o dobro de setembro de 2025.

    Há diferença de metodologia entre o total da Fenabrave, o recorte de leves e os rankings de consultorias. O número de 509.686 é o da federação, confirmado por Reuters.

    A análise aponta que o recorde de setembro não é, sozinho, uma garantia de aceleração a partir de 2027. É um indicador de demanda firme no terceiro ano do governo, com dois instrumentos já desenhados: crédito direcionado a quem usa o veículo como trabalho e alívio tributário na entrada, este com prazo informado até dezembro de 2026.

    Se a linha do Move Brasil permanecer perene e o ciclo de investimentos citado por Lula na Anfavea se converter em fábricas, emprego e conteúdo local, o mercado entra no próximo mandato com base mais larga do que a de 2023. A Fenabrave, porém, condiciona qualquer revisão otimista ao desempenho de outubro e lembra que o crédito segue complexo. Caminhões ainda não acompanham o ritmo dos leves. O “Brasil pronto pra mais” em uma eventual quarta gestão depende, portanto, da continuidade dessas políticas e do resultado eleitoral de 2026.



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