Brasília (DF)
06 de novembro de 2026
O vídeo em que Eduardo Bolsonaro exibe um passaporte italiano e desafia o ministro Alexandre de Moraes chegou ao Parlamento da Itália nesta sexta-feira (6/nov). O deputado Angelo Bonelli questionou a utilização do documento e pediu que as autoridades avaliem a possibilidade de cancelamento dos passaportes dos filhos de Jair Bolsonaro.
A manifestação ocorreu durante uma interpelação parlamentar dirigida ao governo italiano, na qual Bonelli também cobrou explicações sobre a concessão da cidadania italiana a Eduardo, Flávio e Carlos Bolsonaro. O episódio ganhou dimensão institucional porque envolve o possível uso de um documento europeu em meio a conflitos judiciais no Brasil.
EDUARDO EXIBE PASSAPORTE E DESAFIA MORAES
Durante seu pronunciamento, Bonelli apresentou aos parlamentares o episódio em que Eduardo Bolsonaro aparece segurando um passaporte italiano em um vídeo gravado em Dallas, no Texas.
Na gravação, segundo a transcrição reproduzida pelo deputado, Eduardo dirige provocações a Alexandre de Moraes e afirma que possui um passaporte italiano, desafiando o ministro a solicitar que a Itália cancele o documento.
A atitude foi utilizada por Bonelli como exemplo do risco de um documento de cidadania europeia ser apresentado publicamente como uma forma de proteção contra decisões judiciais brasileiras.
O parlamentar criticou o comportamento do brasileiro e questionou se seria aceitável que um passaporte italiano fosse utilizado para afrontar autoridades judiciais de outro país.
BONELLI PEDE AVALIAÇÃO DO CANCELAMENTO DOS PASSAPORTES
A questão foi além das críticas ao vídeo. Na interpelação urgente nº 2-00971, Bonelli solicitou que o governo italiano esclarecesse quais medidas poderiam ser adotadas para impedir que a cidadania italiana funcionasse como instrumento para escapar da Justiça.
O deputado também pediu que fossem avaliados os fundamentos jurídicos para eventual anulação dos passaportes dos filhos de Jair Bolsonaro.
A iniciativa envolve os três irmãos: Eduardo, Flávio e Carlos Bolsonaro.
Bonelli questionou ainda se houve tratamento preferencial na tramitação dos pedidos de cidadania apresentados à Embaixada da Itália em Brasília e se autoridades políticas teriam interferido nos procedimentos.
GOVERNO ITALIANO DEFENDE LEGALIDADE DA CIDADANIA
A subsecretária de Estado para as Relações com o Parlamento, Matilde Siracusano, respondeu em nome do governo italiano.
Segundo ela, o reconhecimento da cidadania italiana de Eduardo, Flávio e Carlos Bolsonaro ocorreu de acordo com a legislação e os procedimentos vigentes na época, conforme O Globo.
A representante apresentou as seguintes datas:
- Eduardo Bolsonaro entrou na lista de espera da Embaixada italiana em Brasília em 22 de dezembro de 2020.
- Carlos e Flávio Bolsonaro fizeram seus pedidos de inclusão na lista em 26 de outubro de 2021.
- Os três apresentaram os pedidos formais de reconhecimento da cidadania em 8 de novembro de 2022.
- O reconhecimento da cidadania dos três ocorreu em 5 de janeiro de 2023.
Os passaportes foram emitidos em datas diferentes: o de Flávio, em 8 de novembro de 2023; o de Eduardo, em 3 de abril de 2024; e o de Carlos, em 14 de junho de 2024.
O governo afirmou que, quando os documentos foram emitidos, não havia pendências judiciais dos três irmãos registradas na Embaixada italiana em Brasília.
Também sustentou que, pelas regras então vigentes, o reconhecimento da cidadania por descendência dependia da comprovação dos requisitos legais, sem avaliação discricionária da administração.
OS 58 DIAS QUE LEVANTARAM SUSPEITAS
A explicação oficial não encerrou a controvérsia.
Bonelli contestou a resposta e afirmou que os irmãos receberam tratamento prioritário em comparação com outros descendentes de italianos que aguardavam há muitos anos pela análise de seus pedidos.
O ponto central de sua crítica foi o intervalo entre a apresentação formal da documentação, em 8 de novembro de 2022, e o reconhecimento da cidadania, em 5 de janeiro de 2023: apenas 58 dias.
O deputado comparou esse prazo à espera de mais de dez anos enfrentada por outros requerentes, mencionando inclusive decisões judiciais relacionadas a cidadãos ítalo-brasileiros.
Bonelli também reclamou que o governo não esclareceu quantas pessoas estavam à frente dos irmãos na fila nem apresentou informações suficientes para afastar as suspeitas de prioridade.
A existência de um procedimento mais rápido, entretanto, não comprova, por si só, uma irregularidade. O governo argumentou que as solicitações de descendentes do mesmo antepassado italiano eram processadas conjuntamente, justificando a convocação simultânea dos três irmãos.
O QUE ACONTECE AGORA
Ao encerrar sua manifestação, Bonelli declarou estar insatisfeito com a resposta governamental e defendeu que as autoridades competentes realizem uma investigação sobre os procedimentos consulares.
O parlamentar também afirmou que o caso exige apuração judicial para esclarecer possíveis interferências e eventuais privilégios na concessão da cidadania.
A controvérsia coloca em discussão a responsabilidade institucional na emissão de documentos de cidadania, a igualdade de tratamento entre requerentes e a cooperação entre países diante de investigações e decisões judiciais.
Até o encerramento desta apuração, o registro parlamentar confirma o pedido de avaliação do cancelamento dos passaportes, mas não uma decisão do governo italiano determinando sua revogação.
FAQ Rápido
O que Eduardo Bolsonaro fez com o passaporte italiano?
Ele apareceu em um vídeo segurando o documento e desafiando Alexandre de Moraes a solicitar seu cancelamento pelas autoridades italianas.
Quem pediu a avaliação do cancelamento dos passaportes?
O deputado italiano Angelo Bonelli, durante uma interpelação parlamentar na Câmara dos Deputados da Itália.
O governo italiano decidiu cancelar os documentos?
Não. A representante do governo defendeu a legalidade da concessão da cidadania, sem anunciar o cancelamento dos passaportes.
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