Brasília (DF)
27 de outubro de 2026
Nesta terça-feira (27/out), o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro ironizou com sarcasmo uma reportagem do site argentino Infobae que noticiou a suposta saída de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro, do Brasil pela fronteira com a Argentina para embarcar em voo privado rumo aos Estados Unidos. A declaração, feita por WhatsApp à coluna de Mariana Sanches do UOL, ocorre no mesmo dia em que a Polícia Federal rastreia pontos de fronteira e autoridades argentinas negam qualquer registro de entrada do senador.
“Sim. E é o Elon Musk que está mandando um foguete”, escreveu Eduardo. Em seguida, completou: “Óbvio que é mentira. Isso é a esquerda querendo justificar ação contra ele [Flávio]”. O dono da SpaceX e da rede X é frequentemente citado pela família Bolsonaro como referência de empreendedorismo e liberdade de expressão.
O QUE O INFOBAE NOTICIOU E O QUE AS AUTORIDADES AFIRMAM?
O Infobae publicou, nas primeiras horas da manhã desta terça, que Flávio Bolsonaro teria cruzado a fronteira na noite anterior (segunda-feira, 26/out) usando apenas o documento de identidade, permitido entre países do Mercosul, e embarcaria em Puerto Iguazú, na província de Misiones, em um Gulfstream G400 de matrícula LV-JQW da empresa argentina Baires Fly S.A., com decolagem prevista para as 2h. A aeronave havia voado de Buenos Aires para Puerto Iguazú na noite anterior, segundo o Flightradar24, mas não há registro de decolagem posterior para os EUA.
A Polícia Federal informou que o senador não passou por pontos regulares de migração brasileiros nas últimas horas e acionou autoridades argentinas. A Direção Nacional de Migrações do governo de Javier Milei afirmou não haver registro de entrada de Flávio no país. O Ministério da Segurança argentino e a Polícia de Segurança Aeroportuária confirmaram a ausência de plano de voo que incluísse a família Bolsonaro. O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha, negou a saída. Aliados tentam contato com Flávio desde a manhã, sem confirmação pública imediata de sua localização, conforme o Valor Econômico.
IMPORTANTE: A reportagem do Infobae descreve uma suspeita não confirmada por registros oficiais de migração ou planos de voo. Até o momento, autoridades brasileiras e argentinas não verificaram a saída de Flávio Bolsonaro do território nacional por meios regulares. A investigação da PF permanece em curso.
POR QUE A APREENSÃO DOS PASSAPORTES E O CONTEXTO DA FALA DE EDUARDO?
Na sexta-feira (23/out), dois dias antes do segundo turno, Eduardo Bolsonaro participou do podcast americano Louder with Crowder. Questionado sobre planos da família caso Flávio perdesse, respondeu primeiro, entre risos, “Mandar os fuzileiros navais”. Em seguida, afirmou: “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza”. Justificou com uma fala de Luiz Inácio Lula da Silva no debate da Band, interpretada por ele como ameaça de investigações após o fim da imunidade de senador, conforme a Deutsche Welle.
Essa declaração foi citada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, na decisão que determinou à Polícia Federal a apreensão dos passaportes (comum e diplomático) de Flávio na segunda-feira (26/out), um dia após a eleição. Flávio afirmou estar sendo “intimidado” pela PF ao sair de visita domiciliar ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. O senador ainda não havia entregado os documentos até o início da tarde desta terça, segundo apurações do UOL.
Flávio Bolsonaro perdeu o segundo turno no domingo (25/out) para Lula, que foi reeleito com 51,79% dos votos válidos (cerca de 64,2 milhões) contra 48,21% (cerca de 59,8 milhões), em virada histórica. O candidato do PL contestou o resultado e anunciou intenção de pedir anulação. Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, após perda de mandato por excesso de faltas e condenação no STF por coação relacionada a articulações de sanções americanas, conforme o G1.
A análise aponta que a ironia de Eduardo sobre um “foguete de Elon Musk” ocorre poucos dias depois de o próprio ex-deputado ter defendido publicamente a saída do irmão do país em caso de derrota. A coincidência temporal com a decisão judicial de restrição de viagem e a investigação de fronteiras torna o deboche particularmente revelador do tom adotado pela família diante de restrições institucionais. A soberania do território e o cumprimento de decisões do Judiciário permanecem no centro do debate sobre limites da atuação política após a derrota eleitoral.
O QUE ACONTECE AGORA?
A Polícia Federal continua checando com autoridades argentinas possíveis entradas não registradas nos postos regulares. Flávio Bolsonaro é investigado em inquéritos no STF por suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. A entrega dos passaportes permanece pendente no prazo determinado. Novas informações de localização ou cumprimento da medida judicial podem alterar o quadro nas próximas horas.
FAQ Rápido
Eduardo Bolsonaro confirmou que Flávio saiu do Brasil?
Não. Ele ironizou a reportagem do Infobae e afirmou que a informação é mentira, atribuindo-a a uma tentativa da esquerda de justificar medidas contra o irmão.
A Argentina confirmou a entrada de Flávio Bolsonaro?
Não. A Direção Nacional de Migrações e o governo de Javier Milei afirmaram não haver registro de entrada.
Por que os passaportes de Flávio foram apreendidos?
Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que citou a declaração de Eduardo Bolsonaro de sexta-feira (23/out) favorável à saída do irmão do país em caso de derrota eleitoral.
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É uma habitual atitude dessa familia bolsonaro, comete todo tipo de crime e depois foge do pais pra nao cumprir pena.