Os Emirados Árabes Unidos (EAU) localizam-se na costa sul do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. Eles compartilham a fronteira sul do estreito com o exclave de Omã (Península de Musandam), ficando diretamente em frente ao Irã, que ocupa a margem norte / Imagens reprodução
Abu Dhabi (AE) · 22 de abril de 2026
Emirados Árabes Unidos buscam linha de swap de dólares com os Estados Unidos enquanto o Estreito de Ormuz permanece sob restrições, expondo fragilidades na economia do Golfo.
O episódio reforça a interdependência entre segurança marítima e estabilidade financeira em um mundo cada vez mais conectado.
O governador do Banco Central dos Emirados Árabes Unidos, Khaled Mohamed Balama, levantou a possibilidade de uma linha de swap de moeda com autoridades do Tesouro dos Estados Unidos e do Federal Reserve, conforme reportado pelo The Wall Street Journal.
O presidente Donald Trump confirmou que a medida está sob consideração, segundo declarações à Reuters e à CNBC em 21 de abril de 2026.
A iniciativa ocorre em meio ao fechamento quase total do Estreito de Ormuz desde o agravamento do conflito regional em fevereiro de 2026.
O estreito, por onde normalmente transita cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito mundial, sofreu interrupções que forçaram produtores do Golfo a reduzir ou paralisar exportações.
Sultan Ahmed Al Jaber, CEO da Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC), descreveu a situação como “terrorismo econômico contra todas as nações”, em declarações repercutidas por veículos como Egypt Independent e Middle East Eye.
Autoridades dos Emirados Árabes Unidos, incluindo a ministra de Estado Lana Nusseibeh, expressaram decepção com a inação do Conselho de Segurança da ONU e defenderam a reabertura plena e incondicional da via marítima.
A produção de petróleo bruto dos Emirados Árabes Unidos caiu mais da metade em março de 2026, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters.
Portos como Fujairah suspenderam operações de carregamento após incidentes relacionados ao conflito.
A escassez de dólares americanos — moeda intermediária essencial no comércio global — ganha relevância porque as exportações de energia, principal fonte de receita, foram drasticamente reduzidas.
No mercado financeiro, a Bolsa de Valores de Dubai (DFM) registrou perdas acentuadas no índice de imóveis, com quedas reportadas entre 20% e 33% em períodos curtos desde o início das tensões, segundo análises de veículos como Business Standard e publicações no Instagram de perfis especializados.
Transações imobiliárias nos Emirados Árabes Unidos caíram cerca de 51% mês a mês no início do conflito, conforme nota da Goldman Sachs citada pela Investing.com.
Esses eventos conectam-se a lições históricas de crises energéticas: quando rotas estratégicas são contestadas, os efeitos vão além da região e atingem cadeias de suprimento globais, elevando custos para famílias e agricultores em diversos continentes.
A manutenção da liberdade de navegação surge como pilar para uma ordem internacional mais justa e previsível.
Especialistas previram contração econômica nos Emirados Árabes Unidos caso as restrições persistissem.
Embora projeções oficiais como as do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial tenham sido revisadas para baixo (crescimento em torno de 2,4% a 3,1% em 2026, contra expectativas anteriores mais altas), o país demonstra resiliência por meio de oleodutos alternativos como o Habshan-Fujairah.
Saeed Bin Mubarak Al Hajeri, ministro de Estado para Assuntos Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, afirmou em entrevista que qualquer solução duradoura para o conflito deve incluir a reabertura incondicional do Estreito de Ormuz, além de abordar outras ameaças regionais.
FAQ rápido
O que é uma linha de swap de moeda entre bancos centrais?
Trata-se de um acordo temporário no qual um banco central empresta dólares ao outro em troca de moeda local, ajudando a garantir liquidez em momentos de pressão cambial.
Por que o fechamento do Estreito de Ormuz afeta tanto os Emirados Árabes Unidos?
Cerca de 96% das exportações de GNL e grande parte do petróleo dos EAU dependiam tradicionalmente da rota; alternativas terrestres cobrem apenas fração da capacidade.
Qual o impacto global esperado?
A interrupção eleva preços de energia e fertilizantes, afetando inflação e segurança alimentar em países distantes, conforme alertam autoridades dos Emirados Árabes Unidos em pronunciamentos na ONU.
Relatos indicam que o Estreito de Ormuz continua com restrições e incidentes isolados, mesmo após extensões de cessar-fogo.
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