Personagem criada por Inteligência Artificial pela extrema direita com o objetivo de atacar o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal, Dona Maria está viralizando nas redes sociais e alcançando seu objetivo de criar no público a abstração de falsos argumentos / Imagem reprodução
Brasília (SP) · 25 de abril de 2026
Uma personagem gerada por inteligência artificial chamada Dona Maria viralizou nas redes sociais com críticas duras ao governo Lula e ao Supremo Tribunal Federal (STF), acumulando milhões de visualizações e engajamento comparável ao de políticos tradicionais.
O caso, que ganhou novo capítulo com ação da Federação Brasil da Esperança no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), inflama o debate sobre os limites da desinformação digital em ano pré-eleitoral.
De acordo com levantamento da BBC News Brasil, o avatar — representado como uma mulher negra idosa que usa linguagem direta e, por vezes, agressiva — estreou em junho de 2025.
Um vídeo publicado em 10 de julho de 2025 já somou 8,8 milhões de visualizações e mais de 23 mil comentários. A página @dn.marias reúne hoje cerca de 728 mil seguidores e mais de 400 publicações.
O criador do conteúdo é Daniel Cristiano dos Santos, de 37 anos, motorista de aplicativo residente em Magé (RJ). Ele afirma gastar cerca de R$ 20 por vídeo gerado com ferramentas como Gemini, do Google, e a plataforma Flow.
“Assuntos que geram revolta social, o algoritmo entrega”, declarou à BBC News Brasil.
Embora o perfil não declare apoio explícito a candidatos, as críticas concentram-se majoritariamente no presidente Luiz Inácio Lula da Silva e em ministros do STF.
Na quarta-feira (22/abr), a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) protocolou representação no TSE pedindo a suspensão imediata e a exclusão dos perfis de Dona Maria.
A federação argumenta que o conteúdo configura deepfake, dissemina desinformação e influencia o ambiente eleitoral de 2026, violando o artigo 323 do Código Eleitoral.
A relatoria cabe à ministra Estela Aranha.
O episódio ilustra como a inteligência artificial barateia a produção de conteúdo político e cria laços afetivos com o público.
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil alertam que perfis como esse operam em zona cinzenta: a liberdade de expressão protege críticas, mas a ausência de rotulagem clara de IA pode induzir eleitores a confundir ficção com realidade.
A Resolução TSE 23.755/2026 já proíbe deepfakes e exige transparência na propaganda eleitoral.
A análise do Urbs Magna aponta que o fenômeno reforça a necessidade de regulação equilibrada que preserve o debate democrático sem cercear a livre manifestação.
Enquanto o TSE ainda não se manifestou sobre a representação, o caso serve de alerta para os riscos e oportunidades que a tecnologia impõe às eleições 2026.
FAQ Rápido
Quem é Dona Maria?
Personagem fictícia gerada por inteligência artificial que representa uma idosa negra revoltada com a situação do país.
Por que o PT acionou o TSE?
A federação alega desinformação e uso de deepfake para influenciar o eleitorado antes das eleições 2026.
Qual o impacto esperado?
O episódio intensifica o debate sobre regulação de IA nas redes e o equilíbrio entre liberdade de expressão e proteção da democracia.
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