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    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Washington (US)
    20 de agosto de 2026

    A dívida pública total dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez, segundo o Departamento do Tesouro, e importa porque eleva custos de juros que já competem com gastos essenciais, pressionando salários reais e a qualidade de vida de milhões de americanos enquanto o país mantém o dólar como moeda de reserva global.

    Dados oficiais do Tesouro divulgados nesta quarta-feira (19/ago) mostram que o total outstanding chegou a US$ 40,047 trilhões no fechamento de terça-feira (18/ago).

    O montante inclui US$ 32,266 trilhões detidos pelo público e US$ 7,782 trilhões em holdings intragovernamentais.

    A informação foi confirmada por veículos como Reuters, The New York Times e The Washington Post.

    O marco chegou mais rápido do que projeções anteriores do Congressional Budget Office.

    Em menos de uma década, a dívida mais que dobrou, saindo de cerca de US$ 19,95 trilhões em janeiro de 2017, quando Donald Trump assumiu o primeiro mandato.

    Segundo a Reuters, o crescimento acumulado sob os dois mandatos de Trump soma US$ 11,6 trilhões, enquanto sob Joe Biden (2021-2025) o avanço foi de US$ 8,4 trilhões.

    Parte relevante veio da resposta à pandemia de Covid-19, mas cortes de impostos e expansões de gastos em programas sociais e defesa também pesaram.

    A trajetória econômica americana desde a década de 1980 mostra padrão de déficits persistentes. Sob Ronald Reagan, a dívida subiu mais de 160% em termos percentuais, impulsionada por cortes tributários e aumento militar.

    Bill Clinton registrou os últimos superávits orçamentários, nos anos 1990, com crescimento do PIB real anual médio próximo de 3,8% e redução relativa da dívida em relação ao tamanho da economia.

    Já George W. Bush e Barack Obama acumularam trilhões com guerras no Afeganistão e Iraque e estímulo pós-crise de 2008.

    Dados do Tesouro e do Committee for a Responsible Federal Budget indicam que a dívida bruta passou de cerca de US$ 5,8 trilhões em 2001 para mais de US$ 20 trilhões em 2017.

    Salários reais e qualidade de vida acompanharam avanços desiguais.

    Medições do Bureau of Labor Statistics e análises do Brookings Institution mostram que ganhos nominais de trabalhadores de renda mediana superaram a inflação em períodos de crescimento forte, como parte do mandato de Clinton e trechos de Trump e Biden, mas períodos de alta inflação — especialmente 2021-2022 — corroeram poder de compra.

    O PIB per capita americano permanece entre os mais altos do mundo, em torno de US$ 70 mil a US$ 90 mil em dados recentes da Bureau of Economic Analysis, enquanto indicadores de bem-estar subjetivo do Brookings apontam estagnação ou declínio em satisfação de vida e saúde mental em vários estados, mesmo com renda média em alta.

    No ranking mundial de dívida em relação ao PIB, os Estados Unidos figuram entre as economias avançadas mais endividadas.

    Projeções do Fundo Monetário Internacional (citadas em relatórios americanos) colocam a dívida geral do governo americano em torno de 123% a 126% do PIB em 2025-2026, acima da média de economias avançadas excluindo os EUA e bem acima de países como a Alemanha.

    O Japão lidera com mais de 200%.

    Em valores absolutos, nenhuma outra nação se aproxima dos US$ 40 trilhões americanos.

    Para o brasileiro compreender a escala, dados de fontes americanas e comparações internacionais mostram a dívida do Brasil em torno de 90% a 96% do PIB e cerca de US$ 2 trilhões em termos nominais — uma fração do total americano, com dívida per capita muito inferior, embora o PIB per capita brasileiro seja cerca de um oitavo ou menos do americano.

    Os Estados Unidos é o maior produtor mundial de petróleo desde a revolução do xisto, conforme a Energy Information Administration, e tornou-se exportador líquido de energia.

    Ainda importa cerca de um terço do petróleo consumido, segundo análises do The New York Times e do Council on Foreign Relations.

    Intervenções militares no Iraque, Líbia ou, mais recentemente, operações envolvendo Irã e Venezuela, segundo o mesmo The New York Times, respondem a objetivos de segurança energética global, sanções e estabilidade de rotas, não a apropriação direta de reservas que reduza a dívida doméstica.

    Os custos dessas operações, financiados por déficit, somam-se à dívida: o projeto Costs of War da Brown University estima trilhões para as guerras pós-11 de setembro, incluindo Afeganistão e Iraque, com juros acumulados elevando ainda mais o total.

    Guerras promovidas pelos Estados Unidos contribuem de forma significativa para o endividamento, mas não são a causa exclusiva.

    O financiamento via emissão de títulos, sem aumento proporcional de impostos, transferiu o ônus para gerações futuras.

    Gastos com Social Security, Medicare e juros já superam o orçamento de defesa em vários relatórios do Tesouro.

    Juros sobre a dívida tornaram-se um dos maiores itens orçamentários, segundo Bloomberg e CNBC.

    O governo economicamente mais favorável aos americanos e à estabilidade global, com base em dados de crescimento do PIB real, salários e controle fiscal, foi o de Bill Clinton.

    O período registrou superávits, desemprego baixo, expansão da renda mediana e dívida sob controle relativo, segundo séries históricas do Tesouro e análises do Measuring Worth.

    Outros períodos de forte crescimento, como o pós-Segunda Guerra sob Harry Truman e Dwight Eisenhower, também combinaram expansão com redução percentual da dívida em relação ao PIB.

    Nenhum governo recente reverteu a trajetória de déficits estruturais.

    Para o povo americano, a dívida elevada se traduz em juros mais altos sobre hipotecas, empréstimos estudantis e crédito ao consumidor, além de menor espaço orçamentário para investimentos em infraestrutura e educação.

    Especialistas do Committee for a Responsible Federal Budget, citados pela Reuters, alertam que o “espiral de dívida” já começa a se materializar.

    Publicações de quarta-feira (19/ago) em fontes como o Tesouro e veículos americanos confirmam o marco.



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