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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    29 de setembro de 2026

    O diretor de inteligência da Quaest, Guilherme Russo, afirmou nesta terça-feira (29/set) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega fortalecido à reta final do primeiro turno, sem que isso feche a vantagem sobre Flávio Bolsonaro até domingo (4/out).

    A avaliação foi dada ao programa Agora Metrópoles, de Metrópoles, um dia depois da pesquisa encomendada pela Globo e por O Globo. O instituto mediu 39% para Lula e 34% para o senador do PL no cenário estimulado. Indecisos, benefício social, restrição às apostas e comparecimento ainda entram na conta.

    O QUE A QUAEST MEDIU NA ÚLTIMA SEMANA?

    A rodada ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 24 e 27 de setembro, com margem de dois pontos percentuais e registro BR-06520/2026 no TSE, conforme o g1.

    No primeiro turno estimulado, o quadro ficou assim:

    • Lula (PT): 39% (37% na semana anterior)
    • Flávio Bolsonaro (PL): 34% (33%)
    • Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD): 4% cada
    • Renan Santos (Missão): 3%
    • Romeu Zema (Novo): 1%
    • indecisos: 5% (eram 8%)
    • branco, nulo ou não vai votar: 10% (eram 7%)

    No segundo turno, a mesma pesquisa empata os dois em 42%. A diferença de cinco pontos no primeiro turno supera a margem, depois de uma semana de empate técnico.

    Russo descreveu a série como filme, não como fotograma isolado: “Sempre gosto de dizer que cada pesquisa é um retrato, mas, quando fazemos tantas pesquisas, ela vira um filme.”

    POR QUE O DIRETOR FALA EM RECUPERAÇÃO DE LULA?

    Nas duas semanas anteriores, o movimento apontava crescimento de Flávio e perda de espaço do presidente. Esse desenho, segundo Russo, parou e até se inverteu.

    “O eleitor que está voltando para Lula parece bastante animado neste ano”, disse ao Metrópoles. “Com a pesquisa de ontem, estamos vendo essa recuperação e esse fortalecimento de Lula. Agora, para o resultado final, sempre temos que esperar o eleitor no domingo.”

    O cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, localizou o ganho em três recortes: mulheres, baixa renda e beneficiários do Bolsa Família. Entre as mulheres, o empate de duas semanas atrás virou vantagem de nove pontos para o petista. No primeiro turno medido pelo g1, Lula foi de 37% para 40% nesse grupo, e Flávio, de 32% para 29%.

    Entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, o presidente passou de 49% para 52%, enquanto o senador ficou em 23%. No segundo turno entre beneficiários do programa, a mesma série aponta 59% para Lula e 27% para Flávio.

    INDECISOS, BOLSA FAMÍLIA E BETS MUDAM O CLIMA?

    Os indecisos, agora em 5%, decidem tarde e seguem o ambiente da semana, na leitura de Russo. O perfil que ele descreveu é de mulheres da classe C2 no Sudeste.

    “Os indecisos são os últimos a decidir e, como são mais ambivalentes, tendem a seguir o que o momento está dizendo”, afirmou. “A eleição de 2026 está mais fria do que a de 2022 e mesmo a de 2018.”

    O diretor ligou a animação recente a medidas anunciadas pelo governo: reajuste do Bolsa Família, restrição às bets e oferta de canetas emagrecedoras no SUS.

    “Foram três notícias que claramente fazem o eleitor ficar mais animado com Lula”, disse. A pesquisa registrou 62% de aprovação à restrição às apostas, 59% ao reajuste do benefício — de R600paraR600paraR 691 — e 58% às canetas no sistema público, números reproduzidos por Terra e InfoMoney.

    Nunes observou que as mulheres aprovam as três frentes com mais intensidade e que a restrição às apostas atravessa faixas de renda. A leitura do instituto associa o pacote à recuperação, sem tratar a coincidência como prova causal isolada.

    IMPORTANTE: A pesquisa descreve intenção de voto e aprovação de medidas na amostra ouvida entre 24 e 27 de setembro. Não antecipa o resultado de domingo nem comprova, sozinha, que cada anúncio “comprou” voto. Parte das entrevistas ocorreu antes da medida provisória das bets, anunciada na sexta-feira (25/set).

    A ABSTENÇÃO PODE DESFAZER O RETRATO?

    O ponto que Russo recusou cravar foi o tamanho da vantagem até a urna. A fatia de branco, nulo ou “não vai votar” subiu de 7% para 10% na mesma rodada em que os indecisos encolheram.

    “Ainda não está claro. Tenho que ser muito franco com vocês: trabalhando com pesquisa e metodologia, sabemos que vai depender muito da abstenção”, afirmou. “Tem essa questão de realmente comparecer à urna. Esses são os intangíveis do momento.”

    Ele também citou o debate desta quarta-feira (30/set) e a possibilidade de novas notícias. “Ainda temos um debate amanhã, não sabemos se Lula vai e nunca sabemos exatamente se haverá outras notícias.” Sobre a amplitude da frente, pediu a próxima medição: “Se vai abrir vantagem ou não, temos que esperar a pesquisa de sexta-feira ou sábado.”

    NOSSA SENHORA E MINAS GERAIS ENTRAM NO CÁLCULO?

    A controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida não foi medida como transferência direta de voto. Russo a tratou como ruído de campanha que altera o tom e ativa quem já estava decidido.

    “Não é que necessariamente esteja mudando o voto, tirando de Flávio e colocando em Lula. O que faz é mexer na campanha.” A frase que ele atribuiu ao eleitor mais perdido foi: “É verdade, Lula é católico, Flávio é evangélico.”

    Em Minas Gerais, o diretor viu espelho do mapa nacional: vantagem petista no primeiro turno e divisão no segundo. Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha pendem para Lula; Sul de Minas e a região de Belo Horizonte, para a direita.

    O paralelo com 2022 aparece na fala dele como hipótese de ativação, não como destino: “Chegamos à reta final do primeiro turno com um cenário muito parecido com o de 2022.” No segundo turno, repetiu, as pesquisas seguem apertadas.

    A análise lê o conjunto como disputa ainda aberta na urna, apesar da recomposição social do petista. O encolhimento dos indecisos convive com o aumento de quem pode ficar em casa ou anular. Numa eleição polarizada, o direito de votar pesa tanto quanto a preferência declarada na entrevista domiciliar.

    O QUE ACONTECE AGORA?

    Faltam cinco dias para o primeiro turno. A campanha de Lula tenta converter a recuperação entre mulheres, pobres e beneficiários em presença na seção eleitoral. A de Flávio pressiona o voto útil de Cury, Caiado, Renan e Zema, que juntos somam 12%.

    O saldo de avaliação do governo, segundo Nunes em entrevista ao Metrópoles, saiu de −6 para −3 pontos, com aprovação em 46% e desaprovação em 49%. Isso reabriu, no modelo interno da Quaest, probabilidade de reeleição acima de 50%. Continua sendo projeção, não urna.

    FAQ Rápido

    A Quaest aponta vitória de Lula no domingo?
    Não. A pesquisa de segunda-feira (28/set) mostra 39% a 34% no primeiro turno e empate de 42% no segundo. Guilherme Russo afirmou que o resultado depende do eleitor no domingo.

    O que o diretor ligou à recuperação?
    Mulheres, baixa renda e beneficiários do Bolsa Família, num ambiente em que a restrição às bets, o reajuste do programa e as canetas no SUS tiveram aprovação majoritária.

    Por que a abstenção preocupa?
    O grupo de branco, nulo ou “não vai votar” subiu para 10%. Russo classificou comparecimento e novas notícias como intangíveis da reta final.



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