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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    04 de novembro de 2026

    Nesta quarta-feira (4/nov), o governo federal anunciou que todas as 12.348 favelas e comunidades urbanas mapeadas pelo IBGE passam a contar com Código de Endereçamento Postal (CEP). A medida, no âmbito do programa Periferia Viva, integra o CEP para Todos e beneficia cerca de 16,3 milhões de moradores em 656 cidades, o equivalente a 8,1% da população brasileira. Mais do que um número identificador, o programa garante visibilidade, acesso a direitos e políticas públicas para áreas vulneráveis, segundo o Ministério das Comunicações.

    O anúncio ocorreu no Dia da Favela, data que remete a 4 de novembro de 1900, quando o termo “favela” apareceu pela primeira vez em documento oficial sobre o Morro da Providência, no Rio de Janeiro. A origem do nome está ligada à planta faveleira, da região de Canudos, na Bahia, e à ocupação por soldados que retornaram da guerra. Em 2006, a data foi institucionalizada no município do Rio por iniciativa de lideranças como Celso Athayde, da CUFA, conforme a Agência Brasil.

    “Garantir esse direito é muito mais do que facilitar a entrega de correspondências. É promover inclusão social, fortalecer a cidadania e assegurar que milhões de brasileiros tenham seu endereço reconhecido e possam acessar serviços e oportunidades em condições de igualdade”, afirmou em nota o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho. Sem o CEP, moradores enfrentam dificuldades para compras, cadastros de direitos sociais, serviços financeiros e até emergências.

    IMPORTANTE: A atribuição de CEP geral por território (Meta 1) não significa ainda endereço individualizado para cada rua, viela ou beco. Essa etapa avança agora, com mapeamento interno em andamento. A medida também não substitui outras políticas de urbanização, regularização fundiária ou segurança.

    COMO O CEP PARA TODOS AVANÇA?

    Lançado em novembro de 2024 no Palácio do Planalto, com presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o programa é parceria entre o Ministério das Cidades (Secretaria Nacional de Periferias), o Ministério das Comunicações, os Correios e o IBGE. A Meta 1, de garantir pelo menos um CEP por favela, foi cumprida com mais de um ano de antecedência em relação ao prazo de 2026. Das pessoas beneficiadas, 72,9% são pretas e pardas, segundo o Gov.br.

    A subsecretária Lumárya Souza destacou que a instalação de canais como Correios Essencial e Pontos de Coleta já alcançou 82,8% da meta em territórios prioritários (48 dos 58 indicados). A próxima fase individualiza códigos por logradouro. Já foram gerados centenas de CEPs por rua em estados como Bahia, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo. A Meta 3 prevê atendimento físico dos Correios em 100 favelas, conforme a Agência Brasil.

    O QUE O MAPBIOMAS REVELA SOBRE URBANIZAÇÃO E VEGETAÇÃO?

    No mesmo dia, dados da Coleção 11 do MapBiomas mostraram que a área urbanizada em favelas e comunidades passou de 60,2 mil hectares em 1985 para 151,7 mil hectares em 2025 — crescimento de cerca de 150%, ou quase o triplo. A vegetação existente em cada hectare urbanizado nas comunidades caiu de 0,060 para 0,040 no período (redução de cerca de 34%). Em 1985, as favelas tinham 43% mais vegetação intraurbana que as demais áreas urbanas; em 2025, a situação se inverteu e a disponibilidade ficou 15% menor.

    A vegetação intraurbana nas favelas cresceu 1,7 vez em 40 anos, enquanto fora delas aumentou 2,6 vezes. Cerca de 60,3% da urbanização atual nesses territórios surgiu após 1985, e 42,4% das comunidades pelo menos dobraram de tamanho. As favelas estão em 651 municípios e representam 3,4% da área urbanizada nacional (contra 3,2% em 1985). A vegetação urbana total do país (intra e periurbana) caiu 35,9%, de 6,5 milhões para 4,1 milhões de hectares. Pela primeira vez, a área urbanizada sem vegetação superou a vegetada.

    Júlio Cesar Pedrassoli, coordenador do tema Urbano no MapBiomas, afirmou: “Para adaptar as cidades às mudanças climáticas, precisamos olhar para onde o verde se perdeu e onde os territórios ficam mais expostos, e esse mapa precisa incluir as favelas”. Em áreas com menos de 10% de cobertura vegetal, o verão pode ser até 7 °C mais quente. Nas favelas, 54% da expansão ocorreu sobre áreas naturais.

    A análise aponta que o reconhecimento postal avança a cidadania formal, mas a perda proporcional de vegetação expõe vulnerabilidades climáticas e reforça a necessidade de integrar endereçamento a políticas de arborização, contenção de riscos e infraestrutura verde — especialmente em territórios onde 72,9% da população é negra.

    O QUE ACONTECE AGORA?

    O programa segue para CEPs por logradouro e expansão do atendimento postal. O MapBiomas reforça a urgência de soluções baseadas na natureza nas periferias. Novas informações sobre ambas as frentes poderão ser acrescentadas à medida que fontes oficiais confirmarem desdobramentos.

    FAQ Rápido

    Quantas favelas receberam CEP?
    As 12.348 favelas e comunidades urbanas mapeadas pelo IBGE em 2022.

    O que muda com o CEP para o morador?
    Facilita compras, cadastros de direitos sociais, serviços financeiros e acesso a políticas públicas, além de entregas postais.

    A vegetação nas favelas diminuiu em área total?
    Não. Ela cresceu, mas em ritmo inferior à urbanização, reduzindo a disponibilidade por hectare.


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