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Deputado cassado vai ao Roda Viva e acusa a Justiça de ser “fora da lei” – Leia outras inconsistências ditas no palanque

    Dallagnol foi cassado por fraude à Lei da Ficha Limpa ao renunciar ao cargo de procurador da República quando já havia sinais de que poderia ser exonerado por desvio de conduta – Outros jornalistas criticaram após sua participação no programa – Veja:

    O deputado federal cassado Deltan Dallagnol (Podemos-PR) disse, durante entrevista ao programa ‘Roda Viva‘ da ‘TV Cultura‘ nesta segunda-feira (29/5), que “o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] emitiu uma decisão que criou uma inelegibilidade que não está prevista na lei” e que sua cassação “aconteceu fora da lei“, disse, de acordo com transcrição no ‘UOL‘.

    Um ministro chega ao tribunal superior não só porque é indicado pelo presidente, mas porque é apoiado por uma série de partidos e figurões da nossa República“, afirmou o ex-deputado, em crítica à suposta parcialidade do sistema Judiciário, do qual também teve algum vínculo quando fez parte como procurador da Lava Jato.

    Todo mundo sabe, quem não é ingênuo, como funcionam as decisões em Brasília. Alguns ministros vão decidir em cima da lei, e vários vão decidir por interesse. Isso é sabido, como a coisas funcionam no Brasil“, disse.

    Essas pessoas querem vingança, o sistema quer vingança“, afirmou ainda, visivelmente tentando lacrar uma nova sentença acusatória contra o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vitimado pelo ‘lawfare’ do entrevistado, à época da operação.

    A este exemplo, consta na história da perseguição a Lula o famigerado ‘Power Point’ apresentado em coletiva de imprensa para provocar danos à imagem do hoje novamente Presidente do Brasil.

    Dallagnol entrou com recurso contra condenação a indenizar Lula em R$ 75.000 pelo caso, mas a ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), rejeitou a anulação da decisão que condenou o ex-lavajatista.

    No ‘Twitter’, o jornalista Ricardo Noblat disse que Dallagnol é desonesto e fanático: “Se a imprensa, à época da Lava-Jato, tivesse mostrado esse Dallagnol que hoje se vê no Roda Viva, a história poderia ter sido diferente. Intelectualmente, é desonesto. Um fanático, de extrema-direita“, afirmou.

    De volta ao programa de ontem, Deltan disse também que “não pensa duas vezes” em defender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contra o atual mandatário. Ele afirmou que só votou em Bolsonaro no 2º turno para evitar a eleição de Lula: “Avaliando Lula, avaliando Bolsonaro, eu não penso duas vezes em defender Bolsonaro contra Lula“.

    Contudo, o ex-procurador e o ex-juiz Sergio Moro jamais apresentaram provas contra Lula, que foi condenado à prisão em um polêmico trâmite entre tribunais que a mídia, parte deste sistema, tenta enterrar.

    O deputado cassado pelo TSE disse ainda que o atual presidente defende ditaduras e citou o encontro de Lula com o venezuelano Nicolás Maduro, também na segunda-feira (29/5), no Palácio do Planalto.

    Deltan argumentou que o mesmo não foi feito por Bolsonaro, mas, novamente, há outra inconsistência na afirmação, pois o ex-presidente já se encontrou com o príncipe saudita Mohammad bin Salman, herdeiro de um regime acusado de violar direitos humanos, e o governo foi presenteado com joias sauditas, levantando suspeitas de propina para facilitar a compra de ativos da Petrobras a “preço de banana”.

    Dallagnol, o deputado cassado, também disse que os ministros do TSE determinaram sua cassação “por interesse” e que a Corte “criou uma inelegibilidade” e que vai recorrer no STF e na Câmara, onde o presidente Arthur Lira (PP-AL) tem lhe dado as costas sobre o tema.

    Cassação de Deltan
    Dallagnol foi cassado por fraude à Lei da Ficha Limpa ao sair do MPF, em novembro de 2021. Ele renunciou ao cargo de procurador da República quando já havia sinais de que poderia ser exonerado por desvio de conduta. Se ele tivesse sido punido no processo disciplinar, teria se tornado inelegível — e, portanto, não teria sido deputado e, por isso, não é mais.

    Os ministros do TSE acataram dois recursos apresentados contra a candidatura de Dallagnol no ano passado. Um havia sido movido da Coligação Brasil da Esperança, do presidente Lula (PT), e outro pelo PMN.

    Dallagnol pode recorrer, mas a decisão do TSE tem validade automática.

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