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    Dario Durigan alerta para crise global: “sinais de 2008 estão de volta”, diz ministro da Fazenda

    Após reunião do FMI, chefe da Fazenda avisa sobre bolha de tecnologia e crédito podre no mundo. “Isso está sempre presente no nosso futuro”

    Dario Durigan, ministro da Fazenda

    O ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura |4.5.2026| Ele detalhou o lançamento do Desenrola 2.0 e a complexa relação entre as políticas fiscal e monetária, defendendo o equilíbrio das contas públicas e a necessidade de redução das taxas de juros para estimular a produtividade nacional. O ministro também discute temas estruturantes como a reforma tributária, a regulação do mercado de apostas online e os impactos das incertezas geopolíticas globais na economia doméstica / Imagem reprodução / TV Cultura

    Brasília (DF) 05 de maio de 2026

    ministro da Fazenda, Dario Durigan, lançou um alerta contundente sobre o cenário econômico global ao participar do programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite de segunda-feira (4/mai).

    Ao comentar as discussões recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, o chefe da pasta econômica afirmou que os “sinais de 2008 estão de volta”, referindo-se à crescente bolha de tecnologia e à expansão do crédito privado de alto risco (“crédito podre”) no mundo.

    Isso está sempre presente no nosso futuro”, declarou Durigan, ecoando as preocupações de autoridades internacionais sobre uma possível nova crise financeira.

    A declaração do ministro não é isolada. A vice-governadora do Banco da InglaterraSarah Breeden, também alertou recentemente que o mercado de crédito privado, que saltou de zero para 2,5 trilhões de dólares em duas décadas, tem “ecos da crise financeira global” devido à alta alavancagem e opacidade.

    A guerra no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormus pelo Irã foram citados por Durigan como catalisadores de incerteza, pressionando os preços do petróleo e ameaçando a estabilidade mundial.

    Desenrola 2.0: “Remédio episódico” contra o endividamento

    Durante a entrevista, que contou com a participação dos jornalistas Cristiane PelajoLuiz Guilherme Gerbelli e Taís Barcelos, entre outros, Durigan dedicou grande parte do tempo para detalhar o lançamento do Desenrola 2.0.

    O programa chega em um momento crítico, com mais de 80 milhões de brasileiros endividados.

    O ministro rebateu as críticas de que a medida seria insuficiente ou apenas paliativa.

    O Desenrola não deve ser visto como um programa rotineiro permanente. Ele é algo episódico”, justificou.

    A nova fase permite o uso de até 20% do saldo do FGTS (limitado a R$ 1.000) para abater débitos, oferece descontos que podem chegar a 90% nas dívidas de cartão de crédito e impõe um teto de juros de 1,99% ao mês para o refinanciamento.

    Em uma medida inédita e com forte apelo social, o governo condicionou a renegociação ao bloqueio do CPF do devedor em casas de apostas online bets por um ano.

    Se a pessoa está recorrendo a um programa do governo para diminuir sua dívida, nos parece que é razoável que ela deixe de jogar por um tempo”, afirmou Durigan, que reforçou a regulação do setor iniciada em 2023.

    O embate fiscal e o fantasma do Banco Master

    Sob pressão sobre a política fiscal e os juros altos (Selic a 14,5% ao ano), Durigan defendeu o arcabouço fiscal do governo Lula.

    Ele discordou do diagnóstico de que o descontrole das contas públicas é o único motor dos juros elevados no Brasil, citando ruídos externos e a guerra.

    O fiscal tem melhorado. Não acredito que seja a razão principal”, disse, rebatendo as análises de economistas de mercado.

    Quando questionado sobre o rombo bilionário no Banco de Brasília (BRB) — envolvendo a compra de ativos podres do falido Banco Master —, o ministro foi taxativo.

    Classificando o caso Master como “O maior escândalo do nosso sistema financeiro”, Durigan jogou a responsabilidade para o governo do Distrito Federal (GDF), de Celina Leão, e para a gestão anterior do Banco Central (BC), chefiada por Roberto Campos Neto.

    O problema do BRB é um problema do GDF. Não dá para cobrir um rombo mal explicado com dinheiro público”, sentenciou, descartando um socorro direto do Tesouro Nacional, a menos que haja risco sistêmico.

    Estatais, comunicação e a “economia real”

    O ministro também abordou a situação dos Correios, admitindo que o rombo operacional deve piorar neste ano, podendo chegar a R$ 10 bilhões.

    Embora não seja um entusiasta da privatização “fácil”, Durigan afirmou defender a “flexibilização” e a eficiência das estatais.

    Em um momento de descolamento entre os índices macroeconômicos positivos (queda do desemprego e baixa inflação) e a insatisfação popular, Durigan confessou sentir a angústia da população.

    Eu me pergunto diariamente sobre isso”, admitiu, citando um “gap comunicacional”.

    Ele destacou que o governo precisa falar a linguagem do povo, e foi nesse sentido que adotou uma postura mais agressiva nas redes sociais para dialogar diretamente com o eleitorado.



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