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    Cláudio Castro é alvo de operação da PF pela 2ª vez em três meses: entenda a Operação Sem Refino

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    Cláudio Castro e políticos

    📷 O ex-governador do RJ Cláudio Castro (PL) ao lado do deputado federal Sóstenes Cavancanti e do senador Flávio Bolsonaro, todos do PL no estado, durante culto com o pastor Silas Malafaia, no bairro carioca da Penha / Foto: Renan Areias/Folhapressa |•| Arte URBS MAGNA

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Rio de Janeiro (RJ)
    14 de agosto de 2026

    A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (14/ago), a segunda fase da Operação Sem Refino contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), menos de três meses depois de ele já ter sido alvo da mesma investigação.

    A nova etapa mira fraudes na concessão de licenças ambientais à refinaria Refit, e chega em um momento de intensa turbulência política no estado.

    A primeira fase, em maio

    Em 15 de maio, a PF cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Na ocasião, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros do Grupo Refit e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas, além da inclusão do empresário Ricardo Magro, dono da refinaria, na Difusão Vermelha da Interpol, conforme detalhou a CNN Brasil.

    A investigação apura suspeitas de que o Grupo Refit usou estruturas societárias e financeiras para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior — prática que teria começado a ganhar contornos oficiais em 2023, quando a antiga Refinaria de Manguinhos obteve, da gestão de Cláudio Castro, um incentivo fiscal para ampliar sua atuação no mercado de óleo diesel.

    Também foram alvos de busca, na primeira fase, o desembargador Guaraci de Campos Vianna, do Tribunal de Justiça do Rio, já afastado desde março pela Corregedoria Nacional de Justiça por suspeita de decisões favoráveis à refinaria; o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual; e o ex-procurador-geral do estado Renan Saad.

    Ricardo Magro, apontado pela PF como líder das fraudes bilionárias no setor de combustíveis e classificado como o maior sonegador fiscal do país, vivia em Miami e se mudou para Portugal no fim de 2025 — hoje é considerado foragido, com prisão decretada por Alexandre de Moraes.

    A ligação com a cassação eleitoral

    O contexto político em torno de Cláudio Castro já vinha conturbado antes mesmo da operação policial. Em 23 de março de 2026, ele renunciou ao cargo de governador na véspera de ser julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder econômico e político nas eleições de 2022. No dia seguinte, o TSE o condenou por cinco votos a dois, junto com o então vice Thiago Pampolha, e impôs a ambos oito anos de inegibilidade.

    Desde então, o estado é administrado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio, enquanto o STF ainda não decidiu se a nova eleição para o governo estadual será direta ou indireta.

    A segunda fase, nesta sexta-feira

    A nova etapa da Operação Sem Refino concentra-se em possíveis fraudes na concessão de licenças ambientais à Refit, que teriam ignorado pareceres técnicos contrários.

    A investigação aponta que servidores públicos teriam recebido propina para permitir que a refinaria continuasse operando, com o esquema envolvendo integrantes da Secretaria Estadual de Fazenda, da Procuradoria-Geral do Estado, do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e até do próprio Tribunal de Justiça do Rio.

    Foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, incluindo endereços em Petrópolis, na Região Serrana fluminense, e no mesmo condomínio de luxo na Barra da Tijuca onde Cláudio Castro já havia sido alvo de buscas em maio.

    O ex-secretário estadual de Ambiente Bernardo Rossi também é alvo desta fase.

    Segundo a PF, os investigados podem responder por crimes de gestão fraudulenta e temerária, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e infrações contra a ordem econômica.

    As duas fases da operação estão formalmente ligadas à ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, ação em tramitação no STF desde 2019 que trata do aprofundamento das investigações sobre organizações criminosas no Rio de Janeiro e suas conexões com agentes públicos.

    O que dizem os investigados

    Após a primeira fase, a defesa de Cláudio Castro, pelo advogado Carlo Luchione, afirmou ter sido surpreendida com a operação e disse desconhecer o objeto do pedido de busca, mas que o ex-governador está “à disposição da Justiça”, convicto de sua lisura, e que sua gestão foi a única a conseguir que a Refit pagasse dívidas ao estado, próximas de R$ 1 bilhão.

    A empresa, por sua vez, negou ter fornecido combustível ao crime organizado e afirmou que laudos científicos comprovam que a carga importada era óleo bruto declarado corretamente, segundo nota.

    A repetição de fases da mesma operação em intervalo curto — maio e agosto — sugere que a investigação avança em camadas: a primeira mirou o fluxo financeiro e patrimonial do grupo Refit; a segunda, o aparelhamento do próprio Estado fluminense para viabilizar essa operação, incluindo licenciamento ambiental e decisões judiciais favoráveis.

    Sob a ótica deste portal, o caso reforça um padrão observado em outras apurações da Lava Jato e da ADPF das Favelas: o entrelaçamento entre setores econômicos regulados e estruturas de poder estadual, que tende a se revelar por partes, à medida que a Polícia Federal consegue provas adicionais.

    FAQ Rápido

    O que é a Operação Sem Refino?
    Investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de fraude fiscal, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial envolvendo a refinaria Refit e o ex-governador Cláudio Castro.

    Por que há uma segunda fase agora, em agosto?
    Porque a PF avançou nas apurações sobre como a Refit obteve licenças ambientais, mirando agora supostas propinas a servidores públicos, e não apenas o esquema financeiro investigado em maio.

    Cláudio Castro já perdeu o mandato por outro motivo?
    Sim. Ele renunciou ao governo do Rio de Janeiro em março de 2026, na véspera de ser condenado pelo TSE por abuso de poder nas eleições de 2022, o que resultou em oito anos de inelegibilidade.

    Atualização:
    a operação desta sexta-feira (14/ago) ainda está em andamento no momento da publicação. O Urbs Magna acompanha o desenrolar dos fatos e das manifestações oficiais da defesa de Cláudio Castro e da Refit, e trará novos detalhes assim que surgirem.



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