
📷 O ex-dono do Banco Master abraçado ao senador Ciro Nogueira, nos Alpes / Foto encontrada no celular do banqueiro via portal do Partido dos Trabalhadores
| Brasília (DF)
04 de junho de 2026
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, tornou-se peça central do escândalo Bolsomaster.
A Polícia Federal reuniu indícios de que o parlamentar recebeu vantagens indevidas do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em troca de atuação favorável a interesses privados.
O caso reforça a urgência de escrutínio sobre relações entre poder político e finanças no Centrão.
A quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 07 de maio de 2026, trouxe à tona a proximidade entre os dois.
Mensagens obtidas pela PF mostram Vorcaro tratando Ciro Nogueira como “um dos meus grandes amigos de vida” e “irmãozão”.
A Revista Piauí revelou que o senador ocupava apartamento de alto padrão de Vorcaro em São Paulo e, em novembro de 2025, pediu mais “três ou quatro meses” para desocupar o imóvel enquanto concluía obras em outro comprado para a ex-namorada.
“Para te dar uma explicação, eu comprei agora um apartamento para a Flávia. Aí ela vai sair lá do Fasano para eu poder voltar e devolver o apartamento”, disse Ciro Nogueira em áudio, conforme a publicação.
A relação ia além de moradia. Em janeiro de 2025, Ciro Nogueira e a então companheira Flávia Rosalen passaram 13 dias em Courchevel, estação de esqui nos Alpes franceses.
As despesas — hotéis, restaurantes com estrela Michelin, voos e cartão de crédito — totalizaram quase R$ 2 milhões e foram bancadas por Vorcaro, segundo a PF.
A mesma reportagem da revista piauí publicou foto (vide imagem destaque da publicação) dos dois abraçados na neve, imagem apreendida no celular do banqueiro.
A Polícia Federal identificou ainda depósitos de R$ 902 mil, entre agosto de 2023 e agosto de 2024, de empresa da família de Vorcaro para companhia ligada à família de Ciro Nogueira (a CNLF).
A PF suspeita de pagamento disfarçado de propina.
Outra frente aponta sociedade oculta: empresa de Ciro Nogueira pagou R$ 1 milhão por fatia avaliada em R$ 13 milhões na Green Investimentos, vinculada ao grupo de Vorcaro.
Mensagens citam repasses mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil.
O ponto político mais delicado é a chamada “Emenda Master”.
A proposta, que ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), foi redigida pela assessoria do Banco Master, colocada em envelope endereçado a Ciro Nogueira e entregue em sua residência, com instrução para que o nome do banco não aparecesse.
Após aprovação, Vorcaro comemorou: o texto saiu “exatamente como mandei”.
A medida beneficiaria o modelo de CDBs do banco, que cresceu durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central, no período em que Ciro Nogueira comandava a articulação política do governo Bolsonaro.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, relator do caso, autorizou as buscas ao afirmar haver “indícios concretos de estreita relação pessoal, empresarial e financeira” e um “arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo”.
A decisão, citada pela R7 em 07 de maio de 2026, marca a primeira vez que um nome do Centrão é apontado como cooptado pelo esquema.
Ciro Nogueira nega qualquer irregularidade.
Em nota, sua defesa repudiou “qualquer ilação de ilicitude” e afirmou que o senador colaborará com a Justiça.
Ele sustenta que conhece diversos empresários e que a relação era apenas de amizade.
Após as buscas, o senador falou em “perseguição política” e “roteiro absurdo de ficção”.
A investigação segue. A Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal analisam nova proposta de delação de Vorcaro.
O caso expõe, mais uma vez, como relações opacas entre parlamentares e setores econômicos podem comprometer o exercício do mandato e a confiança nas instituições
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FAQ Rápido
1. O que é o Bolsomaster?
Esquema financeiro investigado pela Polícia Federal envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro, com suspeitas de fraudes, lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens a políticos.
2. Ciro Nogueira já foi preso?
Não. Ele foi alvo de buscas e apreensões na quinta fase da Operação Compliance Zero, mas não há prisão ou denúncia formalizada até o momento.
3. Qual o impacto político do caso?
O escândalo atinge o bolsonarismo e o Centrão, enfraquece lideranças do PP e reacende o debate sobre transparência na relação entre poder público e empresas privadas.
O Globo confirmou, com base na revista piauí, os áudios em que Ciro Nogueira pede mais tempo no apartamento de Vorcaro.
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