Flávio Werneck Meneguelli, diretor da Fenapef, policial federal com 20 anos de corporação, detalhou os prejuízos bilionários do esquema do Banco Master ao Correio Braziliense e criticou a fragilidade da delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro / Foto: divulgação Sinpofesc.org 2020
| Brasília (DF)
18 de maio de 2026, 13h15
O escândalo do Banco Master já é tratado por investigadores como o maior prejuízo da história do sistema financeiro brasileiro.
Em entrevista ao Correio Braziliense, o diretor da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Flávio Werneck Meneguelli — mestre em criminologia e policial federal há 20 anos — revelou números que superam o PIB de países vizinhos.
A entidade, maior representante da categoria com 14 mil filiados em 27 estados, atua na linha de frente do combate aos crimes de colarinho branco.
O rombo bilionário
Meneguelli foi taxativo ao quantificar o estrago deixado pelo esquema de corrupção e lavagem de dinheiro orquestrado por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
De acordo com o dirigente, o prejuízo total pode girar em torno de R$ 500 bilhões.
“Neste patamar de prejuízo, incluindo ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) , foi algo realmente que tomou uma proporção maior do que o Orçamento da grande maioria dos nossos vizinhos”
A cifra é tão absurda quanto complexa de ser reparada. Apenas o rombo específico do Banco de Brasília (BRB) , estimado pelas investigações em R$ 48 bilhões, já seria suficiente para implodir as contas de qualquer instituição financeira de porte médio.
O prejuízo total do Master supera, por exemplo, o Orçamento anual de nações como Paraguai e Uruguai.
A delação insuficiente de Daniel Vorcaro
Um dos pontos mais contundentes da entrevista foi a avaliação do policial federal sobre a colaboração premiada do ex-banqueiro.
Meneguelli afirmou que, até o momento, a delação de Daniel Vorcaro é insuficiente.
“Ou ele, ou os outorgados apresentam algo realmente relevante, complementar ao que a PF tem, ou não há delação, porque temos uma gama de indícios de autoria e materialidade bem grande”
O dirigente criticou o modus operandi de Vorcaro.
“Ele achou que ia usar esse método na delação, que não ia comprar a delação dele fazendo uma análise subjetiva e não conseguia.”
A expectativa da corporação é que as delações de Vorcaro e do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, sejam complementares para fechar o cerco, especialmente contra autoridades de Brasília.
Críticas à compra do Master pelo BRB e vazamentos
Meneguelli não poupou críticas à gestão do BRB. Ele classificou como “absurdo” a população ter de arcar com um prejuízo que, segundo ele, já estava explícito.
“O Banco Central vetou a compra do Master pelo BRB, mas a Assembleia Legislativa do Distrito Federal aprovou um projeto de lei autorizando a compra. Ou seja, é algo que não existe a mínima justificativa técnica”
Outro alvo de críticas foi o tratamento das informações sigilosas durante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
O acesso desenfreado aos dados que estavam na sala-cofre da Câmara dos Deputados, segundo Meneguelli, gerou prejuízos à investigação.
“Chegou até a perder um pouco o controle desses acessos no Senado Federal. E isso é muito ruim, porque isso acaba estigmatizando uma investigação que apura o maior prejuízo do sistema financeiro brasileiro.”
A falha de segurança e os “meninos de Vorcaro”
A entrevista também abordou o caso dos ex-agentes que trabalhavam para Vorcaro, apelidados de “Os meninos”.
Meneguelli explicou que um delegado aposentado acessava indevidamente bancos de dados da Polícia Federal usando a senha da esposa, uma policial federal ainda na ativa.
O diretor da Fenapef, no entanto, defendeu a capacidade de investigação da corporação.
“Nós, da Polícia Federal, somos quem mais corta a própria carne. Temos uma corregedoria que age rapidamente e é eficaz, e não costuma ser corporativista nesses casos.”
Ele garantiu que os acessos estão “muito bem comprovados”.
A baixa taxa de condenação do colarinho branco
Meneguelli expôs uma chaga do sistema de justiça brasileiro: a baixíssima taxa de condenação por crimes financeiros.
Enquanto a condenação por homicídio gira em torno de 36%, nos crimes de colarinho branco o índice cai para “menos de 5%“.
A razão, segundo ele, está na burocracia e na estratégia da advocacia de alto nível, que aposta em “nulidade e prescrição“.
“Tudo aquilo que foi dito na sede da Polícia Federal vai ter que ser falado em sede judicial. Se falarem uma versão na PF e, daqui a sete anos, mudarem, o que vale é o que foi dito em frente ao juiz”, criticou.
Ele defende a importação de melhores práticas internacionais para dar efetividade às investigações.
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FAQ Rápido
1. Qual é o prejuízo total estimado do esquema do Banco Master?
O diretor da Fenapef, Flávio Werneck Meneguelli, revelou ao Correio Braziliense que o prejuízo pode chegar a R$ 500 bilhões, incluindo os danos ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O valor supera o orçamento de países vizinhos como Paraguai e Uruguai e é tratado como o maior rombo da história do sistema financeiro nacional. Apenas o prejuízo estimado do BRB na operação gira em torno de R$ 48 bilhões.
2. Por que a delação de Daniel Vorcaro é considerada insuficiente?
Meneguelli afirmou que o ex-banqueiro tentou “comprar a delação fazendo uma análise subjetiva” , mas não apresentou até agora nada que seja “realmente relevante e complementar” ao que a Polícia Federal já possui. A corporação já tem “uma gama de indícios de autoria e materialidade bem grande”, tornando a colaboração de Vorcaro dispensável caso ele não entregue informações novas e concretas.
3. O que dizem os vazamentos da CPMI do INSS sobre o caso?
O dirigente da Fenapef criticou duramente o período em que as investigações ficaram sob custódia do Congresso Nacional. Segundo ele, houve vazamentos de vídeos que não tinham nada a ver com a investigação, mas que tinham a ver com sexualidade e moral. Meneguelli afirmou que o controle dos acessos foi perdido, o que acaba estigmatizando uma investigação que apura o maior prejuízo da história do sistema financeiro brasileiro.
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