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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    02 de novembro de 2026

    Um cartaz com o rosto do senador Flávio Bolsonaro (PL) e a palavra “WANTED” (Procurado) viralizou nas redes sociais nos últimos dias, pedindo a deportação do parlamentar dos Estados Unidos. A peça gráfica imita elementos visuais dos cartazes de procurados da Polícia Federal brasileira e acusa o senador de envolvimento em corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e evasão de divisas. O material também critica o presidente americano Donald Trump por suposta interferência para facilitar a ida de Flávio aos EUA.

    A circulação do cartaz faz parte de uma iniciativa individual de protesto criada no dia do Halloween e que ganhou repercussão orgânica nas plataformas digitais. O movimento digital utiliza a imagem do senador após o cenário das eleições presidenciais de 2026, nas quais Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    A ESTÉTICA E AS ALEGAÇÕES DO CARTAZ

    A peça gráfica reproduz o estilo dos cartazes de “procurados” utilizados por forças policiais, com a palavra “WANTED” em destaque sobre a foto de Flávio Bolsonaro. O material lista supostos crimes atribuídos ao senador e demanda seu retorno ao Brasil para responder às investigações.

    O cartaz também direciona críticas ao governo Trump, alegando que a administração americana teria interferido para facilitar a entrada do parlamentar nos Estados Unidos. A acusação não apresenta provas documentais públicas que comprovem a interferência, mas dialoga com a repercussão da viagem de Flávio a Miami, autorizada pelo governo americano.

    O CONTEXTO DA FUGA PARA OS EUA

    Flávio Bolsonaro deixou o Brasil em 27 de outubro de 2026, após descumprir ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinava a entrega de seus passaportes no âmbito de investigações sobre lavagem de dinheiro. O senador viajou primeiro para a Argentina, usando passaporte italiano, e de lá seguiu em jato privado para Miami, nos Estados Unidos, onde chegou em 28 de outubro.

    A entrada de Flávio nos EUA foi autorizada pelo governo Trump, que concedeu vistos ao senador e sua família. O secretário de Estado Marco Rubio afirmou que os EUA não participaram diretamente da saída do Brasil, mas apenas emitiram os vistos após a chegada. Trump declarou que Flávio pode permanecer no país “o tempo que quiser”.

    IMPORTANTE | O cartaz viral não é um documento oficial da Polícia Federal nem de qualquer autoridade brasileira ou americana. Trata-se de uma peça de protesto político criada por um indivíduo e compartilhada nas redes sociais. As acusações listadas no material — corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e evasão de divisas — são alegações do autor do cartaz, não condenações judiciais. Flávio Bolsonaro é investigado no STF, mas não foi condenado nos processos em curso. A Polícia Federal não emitiu mandado de prisão contra o senador.

    A HASHTAG #DEPORTTHEBOLSONAROS E A REPERCUSSÃO DIGITAL

    O cartaz se soma a uma mobilização mais ampla nas redes sociais. A hashtag #DeportTheBolsonaros (“Deportem os Bolsonaros”) ficou entre os assuntos mais compartilhados no X no Brasil em 30 de outubro. A campanha ganhou força após a chegada de Flávio aos EUA e a concessão de vistos pelo governo Trump.

    Um levantamento do Instituto Democracia em Xeque mostrou que críticas à ida de Flávio para os EUA ressoaram quatro vezes mais nas redes sociais do que a narrativa de perseguição política defendida pelo senador. O eixo “de fuga, paradeiro e responsabilização” concentrou 1,9 milhão de publicações e 33,3 milhões de interações entre 26 e 28 de outubro, enquanto o eixo de “perseguição ou asilo” alcançou 502,6 mil postagens.

    QUEM PODE DEPORTAR FLÁVIO?

    Apesar da pressão popular e da viralização do cartaz, a deportação de Flávio Bolsonaro não depende do Congresso americano nem de mobilizações nas redes. Especialistas ouvidos pela imprensa explicam que a decisão cabe ao Poder Executivo dos EUA, por meio do Departamento de Estado (chefiado por Marco Rubio) e do Departamento de Segurança Interna.

    O professor Roberto Uebel, da ESPM, afirmou: “Não se pode pensar que o Congresso tem o poder de deportar alguém. Isso não está na sua incumbência, não está na sua jurisdição”. Já o professor Vitelio Brustolin, da UFF, explicou que a revogação de um visto não provoca automaticamente a saída do país; a deportação exige um procedimento legal específico.

    Um grupo de 25 deputados democratas enviou carta ao secretário Marco Rubio questionando se órgãos do governo Trump ajudaram Flávio a viajar ou entrar nos EUA. Os parlamentares podem abrir investigações, mas não têm poder para determinar a deportação.

    ANÁLISE

    A viralização do cartaz “WANTED” e da hashtag #DeportTheBolsonaros revela um fenômeno político que transcende a figura de Flávio Bolsonaro. A peça gráfica, criada de forma individual, apropria-se da estética das forças de segurança para inverter simbolicamente o papel do senador: de autoridade que deveria ser respeitada a alvo de busca e responsabilização.

    O gesto dialoga com uma percepção difundida nas redes de que a saída de Flávio do Brasil não foi um ato de perseguição, mas de fuga de investigações. O levantamento do Instituto Democracia em Xeque corrobora essa leitura: as críticas à fuga superaram em muito a narrativa de perseguição.

    A ironia do cartaz — que imita a Polícia Federal para pedir a deportação de um senador que deixou o país após descumprir ordem judicial — expõe uma contradição: o mesmo Estado que Flávio acusa de persegui-lo é o que ele supostamente evitou ao partir. A peça não tem valor jurídico, mas tem valor simbólico: transforma a indignação em linguagem visual compartilhável.

    E… ?

    Flávio Bolsonaro permanece nos Estados Unidos, onde declarou que pretende ficar e atuar como líder da oposição ao governo Lula. O senador afirmou em publicação no domingo (1º) que “não se arrepende de absolutamente nada do que fez”.

    A Polícia Federal mantém as investigações contra o senador no STF, e os passaportes brasileiros seguem cancelados. A possibilidade de extradição depende de um pedido formal do Brasil aos EUA, que não foi apresentado até o momento.

    FAQ Rápido

    O cartaz “WANTED” de Flávio Bolsonaro é oficial?

    Não. Trata-se de uma peça de protesto político criada por um indivíduo e compartilhada nas redes sociais. Não tem origem na Polícia Federal nem em qualquer autoridade.

    Flávio Bolsonaro pode ser deportado dos EUA?

    A deportação depende do Poder Executivo americano, não do Congresso. Até o momento, o governo Trump autorizou a permanência do senador e não há procedimento de deportação em curso.

    Por que Flávio Bolsonaro deixou o Brasil?

    Ele partiu após descumprir ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinava a entrega de seus passaportes no âmbito de investigações sobre lavagem de dinheiro.


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