Os investigadores também abordaram fala de Gustavo Bebianno, morto em 2020, que disse no programa Roda Viva que ouviu conversas sobre a ideia de Bolsonaro e do seu filho Carlos de criar uma estrutura de inteligência paralela
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A PF (Polícia Federal) interrogou nesta sexta-feira (8/11) o general Carlos Alberto Santos Cruz, ex-Ministro-Chefe da Secretaria de Governo durante a gestão do hoje ex-presidente inelegível até 2030, Jair Bolsonaro (PL), e o filho do militar, Caio, sobre a relação do clã político com os israelenses que forneceram o software espião FirstMile, usado contra desafetos.
A investigação revelou o uso da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) para proteger os filhos de Bolsonaro e espionar autoridades. Os depoimentos do general e de Caio Santos Cruz tiveram como ponto principal questionamentos sobre a atuação do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).
A instituição policial investigou encontros da família com os israelenses antes da gestão do inelegível, quando Caio era representante da empresa que forneceu o software.
Segundo o texto da Folha de S. Paulo, os depoimentos abordaram a ideia da criação de uma ‘Abin paralela’, que teria sido discutida pelo ex-presidente e seu filho Carlos Bolsonaro, que foi alvo de buscas relacionadas a essa estrutura, que visava obter informações sigilosas e atacar a credibilidade do sistema eleitoral.
Caio era um dos representantes no Brasil da empresa israelense Cognyte, responsável pelo fornecimento do software espião, adquirido durante o governo Michel Temer (MDB) por R$ 5,7 milhões.
Os depoimentos do general Santos Cruz e de seu filho ocorreram no mês passado, quando os investigadores também abordaram uma fala do ex-ministro Gustavo Bebianno, ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em março de 2020.
Bebianno disse que ouviu conversas sobre a ideia de Bolsonaro e do seu filho Carlos de criar uma estrutura de inteligência paralela. “Um belo dia o Carlos me aparece com o nome de um delegado federal e de três agentes que seriam uma Abin paralela porque ele não confiava na Abin“, afirmou.
Gustavo Bebianno disse na entrevista não saber se a iniciativa de Carlos teria sido implementada ou não. Bolsonaro teria sido orientado a não colocar em prática a ideia do vereador, segundo ele.
Em 29 de janeiro deste ano, Carlos foi alvo de buscas da Operação Última Milha. Segundo a PF, o vereador integrava o núcleo político da chamada Abin paralela e se beneficiava de informações sigilosas da agência, que foi comandada pelo hoje deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).
A quarta fase da Operação Última Milha, deflagrada em julho de 2024, apontou que integrantes da Abin paralela marcavam Carlos Bolsonaro em publicações falsas contra o senador Alessandro Vieira (MDB-RS).
Segundo os investigadores, Vieira se tornou alvo da Abin paralela depois de pedir a quebra do sigilo fiscal, bancário e telemático de Carlos Bolsonaro na CPI da Covid-19. A investigação da PF aponta que a estrutura teria sido usada para blindar os filhos do ex-presidente, atacar a credibilidade do sistema eleitoral, produzir desinformação e espionar ilegalmente autoridades, como ministros do STF e senadores da República.
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