Cannabis sativa: entre a saúde e o tráfico

15/06/2020 0 Por Redação Urbs Magna

Pesquisas globais apontam que o uso da Cannabis sativa, desde que devidamente consciente e controlado, não acarreta problemas ao usuário. Pelo contrário, ajuda a aliviar diversos males

CIÊNCIA & SAÚDE / LIVROS

Et Urbs Magna – Com base em estudos científicos, e para desmistificar a associação que se faz à planta como algo ruim, pejorativo, viciante e criminoso, o jornalista Roberto Araújo e a Dra. Adriana Farias trazem dois volumes literários com o intuito de mostrar à sociedade, em geral, apanhados científicos do uso medicinal da Cannabis sativa traduzidos para a linguagem popular.

De fácil compreensão, os livros têm informações bastante úteis, dentro da lei, e podem salvar muitas vidas. Leia mais sobre como adquiri-los no final da matéria.

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A pandemia de coronavírus estagnou diversos setores da economia. A corrida contra o tempo para salvar vidas desacelerou os trâmites de projetos de leis que cerceiam o tema canábico, dando uma trégua aos defensores da herbácea da família das canabináceas. Assim, a planta permanece na ilegalidade no Brasil.

Enquanto o mundo progrediu no uso terapêutico da droga, por aqui o movimento nesse sentido se dá a passos lentos. O Projeto de Lei 399/15, por exemplo, que trata justamente da comercialização de medicamentos feitos com a Cannabis sativa, ainda se encontra travado em análise pela Comissão Especial (SAIBA MAIS) na Câmara dos Deputados.

Em 2015, com o aumento da demanda do consumo de importação de produtos à base de Cannabis, a Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA) regularizou o fármaco Mevatyl para uso em casos de epilepsia e na condição que só seria indicada se o paciente já tivesse tentado todas as formas convencionais de tratamento para a doença. Contudo, o preço do remédio é muito alto para a sociedade que mais sofre com essas crises.

Sem condições financeiras para a aquisição de um frasco de 30 mL do produto (hoje cerca de três mil reais cuja dose é suficiente para uma semana ou 15 dias, dependendo da gravidade da doença) muitas famílias, para tratarem seus parentes com doenças raras e com crises quase que diárias, optaram pelo plantio ilegal, correndo o risco de serem presas por plantio, produção, porte e tráfico ilegal da droga. A busca crescente  por um habeas corpus para o plantio caseiro somente é permitido com ações na justiça (SAIBA MAIS), em casos estritamente necessários.

Ainda com o aumento da demanda, apenas no final de 2019, a ANVISA deu um grande avanço, permitindo a venda de produtos importados nas prateleiras das farmácias e que empresas pudessem fabricar o produto, no Brasil, desde que todos os componentes necessários para a produção fossem adquiridos por importação. Ainda assim, mesmo com essa medida facilitadora, o custo é elevado. No entanto, o plantio continua proibido.

Países como o Canadá já possui um avanço tecnológico e adentra o mercado produtivo com bastante entusiasmo e com controle severo desde o plantio à distribuição do produto final no intuito de conter o tráfico ilegal. Seu uso é autorizado tanto para o consumo medicinal quanto para o uso recreativo.

Apenas três dos 50 estados que compõem os Estados Unidos proíbem o uso para qualquer fim. Na América Latina, o Uruguai, desde 1975, legalizou o uso medicinal. Desde 2013 que países como Argentina, Chile, Colômbia e Peru permitem que a população faça uso da erva para fins medicinais. Apenas o Uruguai legalizou o uso recreativo e a controvérsia está no fato daquele país não possuir um mecanismo de rastreamento eficaz, não no que diz respeito aos malefícios que a planta, em si, não proporciona ao usuário.

O problema maior que os países enfrentam está no fato que existem guerras sobre o monopólio do produto e, na maioria das vezes, morrem mais pessoas por assassinato e não por “overdose” de Cannabis. Não existe relato na história obituária que um usuário morreu de “overdose” de Cannabis.

O fato dela possuir compostos que contêm propriedades psicoativas é a causa de muita polêmica e gera insegurança aos defensores da restrição. Por outro lado, essas mesmas substâncias, quando usadas em conjunto com as demais substâncias das plantas (já que elas também podem ser usadas isoladas), acionam mecanismos do sistema nervoso e imunológico e podem, desde que se conheça a variedade da planta e a origem da mesma, aliviar sintomas dos que sofrem com doenças como epilepsia,  Alzheimer, Parkinson, câncer, dores crônicas, ansiedade, depressão, autismo, entre diversas outras enfermidades.

Caso você se interesse pelo assunto, o livro Cannabis Medicinal no Combate à Dor Crônica, escrito pelo Roberto Araújo e revisado pela Dra Adriana e Professores Doutores da Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, é um compilado de informações científicas com estudos sobre diversas dores, desde as causadas pela quimioterapia (no tratamento de câncer) à fibromialgia. Aborda também a história da Cannabis, seus princípios ativos, como adquirir o medicamento por vias legais e onde encontrar um médico. É para aquele paciente (ou cuidador) que precisa da informação desde o primeiro acesso. Para visualizar o livro, basta clicar em volume 1.

O volume 2 aborda o uso da Cannabis Medicinal no Combate à Doença de Parkinson. Uma doença que ainda não tem cura e o tratamento convencional, ao longo do tempo, leva ao consumo de maiores dosagens o que faz com que o paciente passe a sentir diversos outros efeitos indesejados. Acomete cerca de 3% da população idosa (acima de 60 anos) sendo a segunda doença mais atingida, no Brasil, por essa faixa etária. Este volume também traz informações sobre a história da Cannabis, relatos de pacientes, como falar com seu médico e quais os meios legais para conseguir o tratamento adequado. Foi escrito pela Dra Adriana Farias, também contou com o apoio do Roberto Araújo e dos Professores da UNIFESP.

A publicação é da Editora Europa.

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