Salvador (BA)
27 de setembro de 2026
Apoiadores de Renan Santos e um grupo bolsonarista saíram na mão no domingo (27/set) em frente à Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no bairro do Canela, em Salvador. A Polícia Militar da Bahia prendeu um aliado do presidenciável do Missão depois de agressão filmada. O episódio interrompe a reta final da campanha com violência física entre facções da própria direita.
O ato de Renan Santos, candidato à Presidência pelo partido Missão — origem do Movimento Brasil Livre (MBL) —, estava marcado para as 16h no campus, segundo agenda antecipada pelo Valor Econômico. Antes da fala principal, segundo o jornalista Pablo Reis, apoiadores do Missão e bolsonaristas “saíram na mão”.
O Bahia Notícias registrou que um influenciador bolsonarista foi ao local gravar e teria sido agredido com socos e pontapés. O suspeito, um apoiador de Renan, foi preso pela PM-BA. O portal afirmou que as circunstâncias anteriores à briga ainda estavam em apuração.
O vídeo que espalhou o caso saiu primeiro no perfil @eudanzinho, com a chamada “O pau cantou entre bolsonaristas x fãs de Renan Santos (MBL) agorinha em Salvador”.
🚨URGENTE: O PAU CANTOU ENTRE BOLSONARISTAS X FÃS DE RENAN SANTOS (MBL) agorinha em Salvador.
— Danzinho (@eudanzinho) September 27, 2026
Meu Deus 😱 pic.twitter.com/PrcHJq7IRa
Comentários e republicações no X nomeiam o detido como Pedrinho (Pedro Artur), da coordenação da campanha, e apontam o alvo da agressão como Giu Argôlo (Giuliano Santos de Jesus Argôlo), policial militar e candidato a deputado federal pelo PL na Bahia, número 2226, conforme ficha do TSE reproduzida pela CNN Brasil. A imprensa baiana, até o fechamento desta apuração, descreveu o ofendido como “influenciador bolsonarista” e não o identificou nominalmente no texto principal.
O QUE RENAN SANTOS DISSE DEPOIS DA CONFUSÃO?
No palanque, Renan Santos apresentou a própria versão ao BNews. Disse que um “candidato bolsonarista, que é PM ou era PM” teria “armado um ato”, provocado o público e mirado “especialmente gente que veio com criança”.
A fala seguinte misturou a briga com um ataque ao governo estadual:
“Começa a querer provocar briga com mulher e criança, e aí a PM daqui, a PM que é, vamos falar a verdade, comandada pelo bandido do Jerônimo, coloca um carro para defender o cara vindo aqui agredir criança.”
Renan afirmou que seus apoiadores teriam expulsado o adversário: “Botámos o vagabundo para correr mesmo! Bolsonarista tem que tomar no c dele!” Pediu aplausos para Pedrinho, “detido por esses caras, por essa PM aí que estava a fazer guarda de bolsonarista. Negócio absurdo!”
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) não havia se manifestado publicamente sobre a frase até o fechamento desta matéria, nas fontes consultadas.
TESTEMUNHAS CONTAM VERSÕES DIFETENTES
O BNews ouviu duas versões no local. Lucas Santana disse que o MBL hostilizava o outro grupo e que, quando se virou, “o pau [estava] comendo”. Segundo ele, “o pessoal do MBL [foi] para cima dos bolsonaristas”. A PM atravessou a pista e apartou. Ele afirmou ter visto um policial agredido “pelo rapaz de roxo”.
Giovani Bispo descreveu o contrário: “O rapaz de preto veio agressivamente para cima do outro e bateu à vera. Chegou a derrubar a galera.” Comparou o episódio a uma passagem sua em ato bolsonarista, na qual, segundo relatou, o debate teria ocorrido “na boa”.
A prisão em flagrante, relatada pela imprensa, não equivale a condenação. O início da briga tem versões incompatíveis. A identificação de Giu Argôlo como o influenciador agredido aparece com força nas redes e no enquadramento do discurso de Renan (“candidato bolsonarista” e PM), mas os portais baianos usados como base desta matéria não gravaram esse nome no texto principal. A análise policial completa não havia sido divulgada.
POR QUE O ATO EM SALVADOR PESA NA CAMPANHA?
A Bahia é o maior colégio eleitoral do Nordeste. Pesquisa Quaest citada pelo Valor no dia 25 de setembro apontava Lula com 58% no Estado, Flávio Bolsonaro com 23% e Renan com 2%. O Missão foi à Reitoria para “fazer presença” num território petista, sete dias antes do primeiro turno.
O mesmo domingo já havia produzido outro ruído. Horas antes da briga, o BNews gravou Davi Pirajá, presidente do Missão na Bahia, defendendo “chacina” no Bairro da Paz e no Planeta dos Macacos e um “banho de sangue” contra o Comando Vermelho. A fala não explica o soco na Reitoria, mas desenha o clima do ato: segurança pública tratada como espetáculo.
Renan também disse ao BNews que tumultos semelhantes teriam ocorrido em Capão da Canoa (RS), Caxias do Sul (RS) e Campinas (SP). São relatos do candidato, sem confirmação independente reunida nesta apuração.
COMO O CASO REVERBEROU NAS REDES?
Além do primeiro corte de @eudanzinho, o próprio perfil voltou ao tema à noite: “direita brigando com direita na frente da UFBA, que em sua maioria, 99% é de esquerda. Cinema PURO!” Outro vídeo creditado ao Texugo Podcast circulou com a linha de que integrantes do Missão teriam agredido Giu Argôlo.
Perfis ligados à campanha de Renan inverteram a causa: a confusão “teria começado após bolsonaristas atacarem o ato”. Não há, nas matérias de BNews, Bahia Notícias e DCM, um laudo ou boletim oficial que feche essa disputa de narrativas.
O confronto expõe uma fissura já visível na reta eleitoral — o Missão disputa o eleitor antipetista com o bolsonarismo e, ao mesmo tempo, alimenta uma retórica de enfrentamento físico. Quando esse discurso encontra um campus universitário, o risco deixa o palanque e vai para o asfalto. A democracia eleitoral pede disputa de voto, não de soco. A apuração da PM-BA e, se houver, da Justiça Eleitoral é que deverá separar provocação, legítima defesa e lesão corporal.
Cabe à polícia identificar formalmente agressor, ofendido e eventuais outros envolvidos, inclusive o policial que uma testemunha disse ter sido atingido. O Missão terá de explicar a prisão de um coordenador citado pelo próprio candidato. O PL e o núcleo bolsonarista na Bahia tendem a usar as imagens contra Renan. Nada disso, por si, altera a urna de 4 de outubro — mas mostra o grau de tensão de uma campanha que chegou à última semana sem trégua entre adversários do mesmo campo.
FAQ Rápido
Quem foi preso na briga de Salvador?
A imprensa registrou a prisão de um apoiador de Renan Santos. O candidato o chamou de Pedrinho. Redes o identificam como Pedro Artur, da coordenação do Missão. A PM não havia divulgado nota nominal nas matérias consultadas.
Quem é o bolsonarista do vídeo?
Portais baianos falaram em influenciador bolsonarista. Renan falou em candidato bolsonarista que é ou foi PM. Publicações no X apontam Giu Argôlo, candidato a deputado federal pelo PL-BA.
A briga começou por provocação de qual lado?
Há pelo menos duas versões de testemunhas e a versão de Renan. O início ainda estava em apuração no domingo (27/set).
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