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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Nova Délhi (IN)
    13 de setembro de 2026

    Líderes do Brics adotaram no sábado (12/set), em Nova Délhi, a Declaração de Nova Délhi, documento de 140 pontos sobre reforma da governança mundial, paz e crescimento inclusivo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não esteve no encontro. O episódio importa porque o bloco, agora com 11 membros plenos, concentra cerca de 40% do PIB mundial e tenta ampliar a voz de países em desenvolvimento nas instituições multilaterais.

    O que aconteceu na cúpula de 12 e 13 de setembro?

    A 18ª Cúpula do Brics ocorreu no Bharat Mandapam, sob a presidência da Índia e o tema Building for Resilience, Innovation, Cooperation and Sustainability. No primeiro dia, os membros adotaram por unanimidade a declaração conjunta, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Índia e o relato da Agência Xinhua / governo da China.

    No domingo (13/set), houve sessão aberta com países parceiros e convidados. O Kremlin registrou a presença de Vladimir Putin, Narendra Modi, Xi Jinping, Cyril Ramaphosa, Abdel Fattah el-Sisi, Prabowo Subianto, Masoud Pezeshkian, Abiy Ahmed e o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan. O Brasil figurou na lista oficial russa na pessoa do ministro das Relações Exteriores Mauro Luiz Iecker Vieira.

    Por que Lula não foi a Nova Délhi?

    Fontes indianas informam que o presidente brasileiro permaneceu no país por causa da campanha eleitoral. O Hindustan Times e o The Print registram que as eleições presidenciais no Brasil estão marcadas para a primeira semana de outubro e que Mauro Vieira chegou a Nova Délhi para representar o governo. A agência indiana ANI e o serviço DD News confirmam a chegada do chanceler.

    Não há, nas fontes da Índia, da China, da Rússia e da África do Sul usadas nesta matéria, declaração pública do próprio Lula sobre a ausência neste fim de semana. O fato confirmado é a representação ministerial.

    A ausência do chefe de Estado brasileiro não equivale a ausência do Brasil no bloco. O país permanece membro fundador, a declaração cita o Brasil nas pretensões de reforma da ONU e o chanceler integrou a mesa de líderes, conforme a lista do Kremlin.

    O que a Declaração de Nova Délhi diz?

    O texto, publicado pelo MEA indiano, reafirma o espírito de igualdade soberana, consenso e multilateralismo. Os líderes se comprometem a uma ordem internacional “mais justa, equitativa, ágil, eficaz, representativa e responsável”.

    Pontos centrais extraídos do documento oficial e das sínteses da Xinhua:

    • reforma da governança global e da ONU, inclusive do Conselho de Segurança, com apoio às aspirações do Brasil e da Índia a um papel maior;
    • condenação de medidas coercitivas unilaterais e de sanções consideradas contrárias ao direito internacional;
    • preocupação com conflitos, riscos nucleares e ataques a infraestrutura civil e a instalações nucleares sob salvaguardas da AIEA, sem nomear países;
    • apelo a contenção máxima no Oriente Médio, cessar-fogo em Gaza, acesso humanitário e solução de dois Estados;
    • condenação do terrorismo em todas as formas, com menção ao atentado em Jammu e Caxemira;
    • reforma do FMI, do Banco Mundial e da OMC, inclusive restabelecimento do mecanismo de solução de controvérsias;
    • governança da inteligência artificial e cooperação em pagamentos, cadeias de suprimento e Banco de Desenvolvimento do Brics;
    • apoio pleno à presidência chinesa do bloco em 2027 e à 19ª cúpula na China.
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    O The Hindu registrou que o consenso sobre a linguagem do Oriente Médio exigiu acomodação de última hora entre Irã e Emirados Árabes Unidos. O documento não condena nominalmente os Estados Unidos nem detalha a guerra da Ucrânia.

    Como evoluíram a presidência indiana e o bloco?

    Sob a cadeira da Índia, o agrupamento passou de cinco a onze membros plenos — Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Indonésia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos — e passou a ter países parceiros.

    Narendra Modi descreveu o momento como de “maioridade” do bloco e defendeu que o Sul Global deixe de ser apenas tomador de regras. Vladimir Putin, no discurso registrado pelo Kremlin, falou em ordem multipolar, reforma da ONU e instrumentos próprios de pagamento, investimento e resseguro. Xi Jinping teve encontro bilateral com Modi, a primeira visita do líder chinês à Índia em sete anos, segundo cobertura indiana e chinesa.

    Na África do Sul, o presidente Cyril Ramaphosa afirmou, em sessão de 12 de setembro publicada pela Presidência sul-africana, que o multilateralismo está sob ameaça e que a África segue sem assento permanente no Conselho de Segurança. No domingo, segundo a SAnews, ele pediu governança humana da inteligência artificial e resiliência climática.

    Qual o recorte brasileiro na declaração?

    O texto apoia pretensão do Brasil e da Índia a papel maior na ONU, inclusive no Conselho de Segurança, ponto reiterado por China e Rússia como membros permanentes, conforme o Hindustan Times. Há ainda menção a proposta brasileira de painel internacional sobre desigualdade e ao legado da presidência brasileira do G20.

    O que acontece agora?

    A presidência de 2027 passa à China. O documento pede continuidade prática — pagamentos em moedas locais, banco de desenvolvimento, cooperação em IA, saúde e logística — e deixa em aberto a tensão entre unidade discursiva e divergências reais sobre Oriente Médio, tarifas e guerras.

    Atualização: novas informações poderão ser acrescentadas à medida que fontes oficiais da Índia, da China, da Rússia e da África do Sul confirmarem desdobramentos do segundo dia e da transição de presidência.

    FAQ rápido

    O Brics condenou os Estados Unidos ou Israel pelo nome?
    Não. A declaração critica tarifas unilaterais, sanções e ataques a instalações civis e nucleares sem nomear Washington, Tel Aviv ou Teerã, segundo o texto do MEA e as sínteses da Xinhua e do The Hindu.

    O Brasil deixou o Brics?
    Não. O país permanece membro fundador e foi representado pelo ministro Mauro Vieira, conforme lista do Kremlin e reportagens indianas.

    Quando será a próxima cúpula?
    Os líderes declararam apoio à presidência da China em 2027 e à realização da 19ª cúpula em território chinês.

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