📷 O Presidente e o vice-presidente da República, Lula e Geraldo Alckmin \4.1.2023/ Foto: Gabriela Biló/Folhapress | O senador Flávio Bolsonaro / Foto: Andressa Anholete/Agência Senado | O presidente dos EUA, Donald Trump / Foto: Christian Hartmann/Reuters | Arte Urbs Magna
| Brasília (DF)
06 de julho de 2026
O governo brasileiro optou por enviar observadores às audiências públicas do USTR sobre a proposta de tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros, enquanto representantes da indústria e do agronegócio participam ativamente para tentar reverter a medida.
A decisão final do governo americano está prevista para 15 de julho.
O movimento reflete a estratégia de Brasília de priorizar canais diplomáticos diretos em vez de participar como oradora oficial nas sessões.
O Itamaraty avalia que as audiências constituem espaço mais adequado ao setor privado e à sociedade civil.
As audiências, realizadas nos dias segunda-feira (06/jul) e terça-feira (07/jul) em Washington, fazem parte do processo de consulta pública conduzido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos no âmbito da investigação da Seção 301.
O prazo legal para a definição das medidas corretivas termina em 15 de julho.
Entidades do setor produtivo brasileiro comparecem para apresentar argumentos técnicos.
A CNI, a Fiesp, a Abimaq e o Sindifer representam a indústria de transformação. Do lado do agronegócio, participam a CNA, a UNICA, a Abiarroz, o Cecafé, a ABICS e a UNEM, entre outras.
Os representantes defendem que a sobretaxa de 25% prejudicaria cadeias produtivas integradas entre os dois países.
“Essa tarifa não faz sentido do ponto de vista econômico. Ela não vai resolver os problemas apontados pelo USTR. Pelo contrário, vai aumentar os custos das cadeias produtivas no Brasil e nos Estados Unidos, elevar os preços para o consumidor e prejudicar as empresas dos dois países”, afirmou, conforme o g1, Roberto Azevêdo, do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp, em manifestação enviada ao órgão americano.
A Abimaq pede a exclusão total do setor de máquinas e equipamentos, destacando que 82% das exportações ocorrem entre empresas relacionadas e que a substituição de fornecedores é complexa em projetos de médio e longo prazo.
Já o Sindifer argumenta que o ferro-gusa brasileiro é insumo essencial para siderúrgicas americanas e produzido com baixo carbono.
No agronegócio, a estratégia ressalta o crescimento da produção brasileira por ganhos de produtividade e tecnologia, e não por expansão de área desmatada.
Dados apresentados mostram aumento de 213% na produção de grãos entre 2005 e 2026, com redução de 79% no desmatamento na Amazônia no mesmo período.
O governo brasileiro enviou documento oficial ao USTR contestando os pontos da investigação e apresentando proposta sobre seis questões levantadas pelos americanos.
O foco permanece nas negociações bilaterais de alto nível, com reuniões técnicas previstas antes do prazo final.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, desembarcou nos Estados Unidos no domingo (05/jul) e falará na sessão de terça-feira (07/jul), abrindo os trabalhos do segundo dia.
Ele defenderá a suspensão da tarifa e uma resolução construtiva e negociada das questões identificadas.
O jornalista e influenciador Paulo Figueiredo também se inscreveu para participar das audiências, com posicionamento alinhado à defesa de instrumentos individuais em vez de tarifas amplas.
A participação ativa do setor produtivo nas audiências reforça a importância de proteger empregos e competitividade em ambos os lados da fronteira, ao mesmo tempo em que mantém canais diplomáticos abertos para soluções equilibradas.
FAQ Rápido
O que são as audiências do USTR?
São sessões públicas de consulta realizadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos para ouvir argumentos de empresas, associações e sociedade civil antes da decisão final sobre a proposta de tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros.
Por que o governo brasileiro envia apenas observadores?
O Itamaraty considera que o espaço é mais adequado ao setor privado e à sociedade civil. A estratégia oficial prioriza negociações técnicas e de alto nível com o governo americano.
Quais os principais argumentos da indústria e do agro?
Entidades como CNI, Fiesp, Abimaq e CNA afirmam que a sobretaxa elevaria custos para empresas e consumidores americanos, prejudicaria cadeias produtivas integradas e não resolveria os pontos levantados na investigação da Seção 301.
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