Para Janio de Freitas, o presidente candidato tem uma nova condição até que o Supremo defina os rumos processuais do caso, após o aviso a Ribeiro sobre a PF
“O aviso de Bolsonaro ao ex-ministro [da Educação, Milton Ribeiro], sobre busca da Polícia Federal em sua casa, não foi só interferência contrária a uma investigação, escreve o colunista Janio de Freitas, em seu artigo no jornal Folha de S. Paulo. “É também um chamado ao Tribunal Superior Eleitoral para considerar a nova condição do candidato Jair Bolsonaro. No mínimo, suspendendo-lhe o registro até que o Supremo defina os rumos processuais do caso e, neles, a condição do candidato implicado.
O jornalista lembra que o jantar para homenagear Gilmar Mendes pelos 20 anos completados no Supremo, ocorrido na mesma data da prisão de Ribeiro, foi algo incomum: “Nunca houve isso, nem o patrocinador do gasto público, presidente da Câmara, é dado a finezas”.
Janio de Freitas diz que “Arthur Lira aproveitou a data para proporcionar (…) o encontro desejado por Bolsonaro com o ministro Alexandre de Moraes“, que é o “condutor das ações penais contra Bolsonaro“.
Sobre este assunto com os mesmos protagonistas, a escritora e jornalista Cristina Serra já havia argumentado que Moraes pode dar proteção a Bolsonaro e família após derrota para LULA em outubro.
Voltando a Janio de Freitas, este jornalista afirma que “um sistema quadrilheiro que começa a desvendar-se” no governo Bolsonaro. Por conta disso ocorreu o encontro com Moraes.
“Ficam bem à vista duas estruturas que têm a Presidência da República como elo entre elas. Uma age dentro da administração pública, em torno dos cofres, e reúne pastores da corrupção religiosa, ocupantes de altos cargos e políticos federais e estaduais. A outra age do governo para fora, na exploração ilegal da Amazônia, em concessões injustificáveis, e em tanto mais. Duas estruturas independentes que se conectam na mesma fonte de incentivos, facilitações e proteção para as práticas criminais“, escreve o colunista.
“… são muitos os implicados, incluindo esposas como possíveis encobridoras de bens ilegais. E, contrariando sua simpática discrição, mesmo Michelle Bolsonaro e suas ligações com pastores da corrupção, a começar com Milton Ribeiro por ela feito ministro“, diz Freitas.
“Quando Bolsonaro procurava o ministro Alexandre de Moraes, com pedidos ou propostas, já o lado policial da PF cuidava de expor, na voz do ex-ministro, o crime de responsabilidade do presidente ilegítimo. Bolsonaro ruía com seu governo e seus pastores. O Brasil real escancarava-se outra vez, faltando-lhe mostrar, no entanto, onde o bolsonarismo militar vai encaixar, no novo cenário, o seu inimigo – a urna eletrônica, preventiva da corrupção também eleitoral”, pontua Janio de Freitas.
