
ALENCAR SANTANA e IZALCI LUCAS durante debate na CNN Brasil 19.5.2025 | Imagem reprodução
Confissão coloca ex-presidente no centro do escândalo e levanta questionamentos sobre a condução de sua gestão, enquanto a oposição tenta usar a CPMI do INSS para desgastar o Presidente Lula e o governo atual busca evidenciar as falhas herdadas e a omissão do governo anterior – SAIBA MAIS
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Brasília, 19 de maio de 2025
Durante debate promovido pela CNN Brasil nesta segunda-feira (19/mai), sobre “A Necessidade da CPMI do INSS“, em que participaram o deputado federal Alencar Santana (PT-SP) e o senador Izalci Lucas (PL-DF), este último afirmou:
“…recebi no meu gabinete os peritos do INSS, onde havia indícios de rombo de mais de R$ 70 bilhões com relação a aposentados, seguro-defeso, consignados, e nós levamos isso, na transição [do governo Temer] para o presidente Bolsonaro. As denúncias que eu recebi gerou (sic) realmente por parte do governo Bolsonaro a edição de uma medida provisória para estancar essa farra de aposentadoria que existia em função da legislação“.
IZALCI LUCAS (PL-DF)
Alencar Santana respondeu:
“O senhor acaba de assumir que o governo Bolsonaro sabia dos roubos e não fez nada. Você mesmo disse agora que recebeu a denúncia, levou ao Bolsonaro, não foi tomada uma providência por parte da polícia. Não foi tomada nenhuma investigação sequer interna por parte do INSS. Não foi feita nenhuma nenhuma investigação por parte da Controladoria Geral da União. O senhor acabou de assumir. O senhor prevaricou e o presidente Bolsonaro prevaricou; cometeram crimes“.
ALENCAR SANTANA (PT-SP)
A revelação de Izalci Lucas foi considerada “bombástica”, pois ele alertou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que causou um rombo estimado em R$ 70 bilhões ainda em 2018, durante o período de transição governamental, do governo de Michel Temer, antes mesmo do hoje réu no STF (Supremo Tribunal Federal) assumir a Presidência.
A denúncia expõe a omissão do governo Bolsonaro no combate às irregularidades, que envolveram aposentadorias, seguro-defeso e empréstimos consignados.
Peritos do INSS procuraram em 2018, Izalci Lucas, que fazia parte do gabinete de transição, para relatar indícios de fraudes bilionárias.
Segundo o senador, as irregularidades eram graves e comunicou diretamente ao então presidente eleito, mas nenhuma investigação foi iniciada durante os quatro anos do governo Bolsonaro (2019-2022).
“Era uma farra“, declarou Lucas, em um momento que deixou chocado e mudo o jornalista que apresentava o programa, o que levou o vídeo a viralizar nas redes sociais.
BOMBA ATÔMICA! Senador Bolsonarista Izalci Lucas ADMITIU ao vivo na CNN Brasil que peritos do INSS denunciam indícios de rombo de mais de 70 bilhões de reais em fraude e que nenhuma investigação foi feita. pic.twitter.com/VEISeasthO
— Ivan Vieira (@ivanvieira_5) May 19, 2025
Alencar Santana acusou Bolsonaro de negligência deliberada. “É gravíssimo! Um senador do próprio partido de Bolsonaro confirma que ele sabia de tudo desde 2018 e não fez nada. Teve quatro anos para investigar e desmontar esse esquema, mas preferiu ignorar. Isso não é omissão, é cumplicidade com a roubalheira!“.
O petista destacou que, ao contrário do governo anterior, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) agiu rapidamente, iniciando investigações que culminaram na Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em 2025.
Contexto das Fraudes no INSS
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As fraudes no INSS, que vieram à tona com maior força em 2025, envolvem descontos indevidos em aposentadorias e pensões, realizados por entidades associativas que se aproveitavam de brechas na legislação.
Durante o governo Bolsonaro, a Medida Provisória (MP) 871/2019, que inicialmente propunha revisões anuais para coibir irregularidades, foi alterada no Congresso, com apoio de parlamentares do Centrão e até de aliados de Bolsonaro, como o próprio Izalci Lucas, então no PSDB.
A revalidação anual foi esticada para três anos e, em 2022, completamente revogada, com sanção de Bolsonaro, facilitando a continuidade do esquema.
Auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) em 2025 revelaram que 70% das 29 entidades com Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com o INSS não apresentavam documentação completa, evidenciando a falta de fiscalização.
O esquema, que começou a ser estruturado no governo Bolsonaro, explodiu em proporção durante os anos de 2023 e 2024, já na gestão Lula, devido às brechas herdadas.
Disputa Política e a CPMI do INSS
A revelação de Izalci Lucas intensifica a disputa política em torno das responsabilidades pelas fraudes.
A oposição, liderada por parlamentares do PL e do Centrão, protocolou em 12 de maio um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, com apoio de 223 deputados e 36 senadores.
O objetivo inicial era investigar supostas falhas na gestão Lula, mas as declarações de Lucas jogam luz sobre a responsabilidade do governo Bolsonaro.
O governo Lula, por sua vez, prepara-se para a CPMI, articulando uma maioria no colegiado para evitar que a investigação seja usada como arma política contra o presidente.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou: “Quem chamou a Polícia Federal para investigar foi Lula. A CPMI pode revelar o que realmente aconteceu no governo Bolsonaro“.
O PT também lançou a campanha “Verdade sobre o INSS“ nas redes sociais, atribuindo as fraudes à gestão anterior.
Reação de Bolsonaro e Contradições
Bolsonaro, em declarações recentes, admitiu a possibilidade de fraudes terem ocorrido durante seu governo, mas minimizou sua responsabilidade, alegando que o esquema “ganhou maior proporção” na gestão Lula.
Ele defendeu a criação da CPMI, afirmando: “Se alguém do meu governo fez algo errado, que pague“.
No entanto, as revelações de Izalci Lucas contradizem a narrativa bolsonarista, que tenta culpar exclusivamente o governo atual.
Impacto nos Aposentados e Medidas do Governo Lula
O escândalo do INSS afetou milhões de aposentados e pensionistas, que tiveram descontos indevidos em seus benefícios.
O governo Lula anunciou que a primeira etapa de reembolsos começará em maio de 2025, utilizando verbas bloqueadas e o orçamento da Previdência.
Além disso, Márcia Eliza, ex-diretora de Benefícios do INSS que combateu fraudes em 2019, foi reconvocada para reforçar a fiscalização.
O Que Está em Jogo
A confissão de Izalci Lucas coloca Bolsonaro no centro do escândalo e levanta questionamentos sobre a condução de sua gestão.
Enquanto a oposição tenta usar a CPMI para desgastar Lula, o governo atual busca evidenciar as falhas herdadas e a omissão do governo anterior.
O caso, que já é considerado um dos maiores esquemas de desvios contra aposentados na história do Brasil, promete manter o Congresso e a opinião pública em ebulição nos próximos meses.
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IZALCI LUCAS (PL-DF)
ALENCAR SANTANA (PT-SP)











