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Bolsonaro foi alertado sobre fraudes de R$ 70 bilhões no INSS em 2018 e não agiu, revela senador do PL (vídeo)

    Bolsonaro foi alertado sobre fraudes de R$ 70 bilhões no INSS em 2018 e não agiu, revela senador do PL (vídeo)


    ALENCAR SANTANA e IZALCI LUCAS durante debate na CNN Brasil 19.5.2025 | Imagem reprodução


    Confissão coloca ex-presidente no centro do escândalo e levanta questionamentos sobre a condução de sua gestão, enquanto a oposição tenta usar a CPMI do INSS para desgastar o Presidente Lula e o governo atual busca evidenciar as falhas herdadas e a omissão do governo anterior – SAIBA MAIS

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    Brasília, 19 de maio de 2025

    Durante debate promovido pela CNN Brasil nesta segunda-feira (19/mai), sobre “A Necessidade da CPMI do INSS“, em que participaram o deputado federal Alencar Santana (PT-SP) e o senador Izalci Lucas (PL-DF), este último afirmou:

    Alencar Santana respondeu:

    A revelação de Izalci Lucas foi considerada “bombástica”, pois ele alertou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre um esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que causou um rombo estimado em R$ 70 bilhões ainda em 2018, durante o período de transição governamental, do governo de Michel Temer, antes mesmo do hoje réu no STF (Supremo Tribunal Federal) assumir a Presidência.

    A denúncia expõe a omissão do governo Bolsonaro no combate às irregularidades, que envolveram aposentadorias, seguro-defeso e empréstimos consignados.

    Peritos do INSS procuraram em 2018, Izalci Lucas, que fazia parte do gabinete de transição, para relatar indícios de fraudes bilionárias.

    Segundo o senador, as irregularidades eram graves e comunicou diretamente ao então presidente eleito, mas nenhuma investigação foi iniciada durante os quatro anos do governo Bolsonaro (2019-2022).

    Era uma farra“, declarou Lucas, em um momento que deixou chocado e mudo o jornalista que apresentava o programa, o que levou o vídeo a viralizar nas redes sociais.

    Alencar Santana acusou Bolsonaro de negligência deliberada. “É gravíssimo! Um senador do próprio partido de Bolsonaro confirma que ele sabia de tudo desde 2018 e não fez nada. Teve quatro anos para investigar e desmontar esse esquema, mas preferiu ignorar. Isso não é omissão, é cumplicidade com a roubalheira!“.

    O petista destacou que, ao contrário do governo anterior, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) agiu rapidamente, iniciando investigações que culminaram na Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em 2025.

    Contexto das Fraudes no INSS

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    As fraudes no INSS, que vieram à tona com maior força em 2025, envolvem descontos indevidos em aposentadorias e pensões, realizados por entidades associativas que se aproveitavam de brechas na legislação.

    Durante o governo Bolsonaro, a Medida Provisória (MP) 871/2019, que inicialmente propunha revisões anuais para coibir irregularidades, foi alterada no Congresso, com apoio de parlamentares do Centrão e até de aliados de Bolsonaro, como o próprio Izalci Lucas, então no PSDB.

    A revalidação anual foi esticada para três anos e, em 2022, completamente revogada, com sanção de Bolsonaro, facilitando a continuidade do esquema.

    Auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) em 2025 revelaram que 70% das 29 entidades com Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com o INSS não apresentavam documentação completa, evidenciando a falta de fiscalização.

    O esquema, que começou a ser estruturado no governo Bolsonaro, explodiu em proporção durante os anos de 2023 e 2024, já na gestão Lula, devido às brechas herdadas.

    Disputa Política e a CPMI do INSS

    A revelação de Izalci Lucas intensifica a disputa política em torno das responsabilidades pelas fraudes.

    A oposição, liderada por parlamentares do PL e do Centrão, protocolou em 12 de maio um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, com apoio de 223 deputados e 36 senadores.

    O objetivo inicial era investigar supostas falhas na gestão Lula, mas as declarações de Lucas jogam luz sobre a responsabilidade do governo Bolsonaro.

    O governo Lula, por sua vez, prepara-se para a CPMI, articulando uma maioria no colegiado para evitar que a investigação seja usada como arma política contra o presidente.

    O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou: “Quem chamou a Polícia Federal para investigar foi Lula. A CPMI pode revelar o que realmente aconteceu no governo Bolsonaro“.

    O PT também lançou a campanha Verdade sobre o INSS nas redes sociais, atribuindo as fraudes à gestão anterior.

    Reação de Bolsonaro e Contradições

    Bolsonaro, em declarações recentes, admitiu a possibilidade de fraudes terem ocorrido durante seu governo, mas minimizou sua responsabilidade, alegando que o esquema “ganhou maior proporção” na gestão Lula.

    Ele defendeu a criação da CPMI, afirmando: “Se alguém do meu governo fez algo errado, que pague“.

    No entanto, as revelações de Izalci Lucas contradizem a narrativa bolsonarista, que tenta culpar exclusivamente o governo atual.

    Impacto nos Aposentados e Medidas do Governo Lula

    O escândalo do INSS afetou milhões de aposentados e pensionistas, que tiveram descontos indevidos em seus benefícios.

    O governo Lula anunciou que a primeira etapa de reembolsos começará em maio de 2025, utilizando verbas bloqueadas e o orçamento da Previdência.

    Além disso, Márcia Eliza, ex-diretora de Benefícios do INSS que combateu fraudes em 2019, foi reconvocada para reforçar a fiscalização.

    O Que Está em Jogo

    A confissão de Izalci Lucas coloca Bolsonaro no centro do escândalo e levanta questionamentos sobre a condução de sua gestão.

    Enquanto a oposição tenta usar a CPMI para desgastar Lula, o governo atual busca evidenciar as falhas herdadas e a omissão do governo anterior.

    O caso, que já é considerado um dos maiores esquemas de desvios contra aposentados na história do Brasil, promete manter o Congresso e a opinião pública em ebulição nos próximos meses.

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