“Descontrole emocional” do presidente se dá após “dois dias metabolizando as palmas” para a democracia, na posse de Moraes no TSE
“As medidas para dar “gás eleitoral” a Bolsonaro “não surtem efeito” e ele segue dando “manifestações de destempero”, diz Vera Magalhães, no Globo, sobre o episódio desta quinta-feira, em que o atual ocupante do Palácio do Planalto perdeu a calma e partiu para cima de um youtuber. “As pesquisas não garantem um segundo turno”, escreve a jornalista, quase dizendo que vai dar LULA no primeiro.
O resultado do datafolha, divulgado no início da noite de ontem (18/8), foi “para lá de desfavorável para Bolsonaro” e o “renascimento do presidente”, que era esperado por sua campanha, não aconteceu. A “menos de dois meses da eleição”. não há “garantia de que terá uma chance de ir ao segundo turno”. Assim, o segundo colocado nas pesquisas vive “cenário inédito” e tende a ser o primeiro presidente do Brasil a não ser reeleito.
“Bolsonaro não tem de quem “tirar” votos” e só pode “crescer em cima de seu principal oponente”, LULA. Por isso o “discurso do medo” ao “eleitorado evangélico e o de baixa renda”. A “pregação absolutamente irresponsável” de Michelle “associando Lula ao demônio” e Marco Feliciano (PL), que afirmou que o ex-presidente “vai fechar templos caso eleito, deverá se intensificar”, opina Vera, com base no crescimento neste grupo, “pois Bolsonaro cresce nesse grupo, “como mostra o Datafolha”.
O “ritmo da obtenção de resultados” positivos para Bolsonaro “é muito pequeno e sobretudo lento para o volume e a ousadia de medidas que foram tomadas nos últimos meses, da redução do ICMS dos combustíveis ao aumento de 50% no Auxílio Brasil”, escreve a jornalista, sobre “a caixa de ferramentas das medidas possíveis” que “já parece vazia” e “a Justiça Eleitoral demonstrou nesta semana que perdeu a paciência com o ataque às urnas”. Assim, “Bolsonaro parece meio sem bala na agulha”.
“Essa constatação talvez explique as duas manifestações de descontrole emocional que ele teve nesta quinta-feira, depois de dois dias “metabolizando” os recados e as palmas da solenidade de posse de Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral”, pontua a jornalista.
