Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, empresário apontado como um dos principais operadores financeiros de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, fraudes fiscais e sonegação ligado ao PCC no setor de combustíveis / Imagem reprodução redes sociais
São Paulo (SP) · 10 de abril de 2026
O empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, formalizou nesta sexta-feira (10/abr) a entrega dos anexos de sua proposta de delação premiada ao Ministério Público de São Paulo.
Nos documentos, o foragido se compromete a detalhar a participação de servidores públicos e magistrados do Estado no esquema bilionário de fraudes fiscais, sonegação e lavagem de dinheiro investigado pela Operação Carbono Oculto, conforme revelou a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Diferente de tentativa anterior rejeitada pela Procuradoria-Geral da República, o material entregue agora concentra-se em agentes públicos de âmbito estadual.
A proposta inclui dezenas de aparelhos celulares, documentos e dados de corroboração que, segundo a defesa, comprovam a estrutura do esquema.
O empresário concorda ainda com o pagamento de milhões para fechar a colaboração, movimento que pode ampliar significativamente o alcance das apurações no Estado.
A Operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025, desvendou a infiltração do crime organizado — com supostas ligações ao PCC — no setor de combustíveis e no mercado financeiro.
Beto Louco e seu sócio Mohamad Hussein Mourad, o Primo, ambos foragidos, são os principais alvos.
A entrega dos anexos ao Ministério Público de São Paulo está agora sob análise do procurador-geral de Justiça, Paulo Sergio de Oliveira e Costa.
A iniciativa reforça o papel das instituições na promoção da transparência e no fortalecimento da democracia, ao permitir que investigações alcancem não apenas empresários, mas também aqueles que, no exercício da função pública, teriam facilitado irregularidades.
Fontes próximas ao caso confirmam que o acordo não envolve autoridades com foro privilegiado em Brasília.
O Ministério Público de São Paulo ainda não se manifestou sobre o próximo passo da análise.

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