“Aqui, a história não se repete como farsa, as farsas se repetem como história”, diz Valente

O ex-procurador do MPF, Deltan Dallagnol, e o ex-juiz federal, Sergio Moro, em imagem produzida pelo The Intercept Brasil, durante a série de publicações, a Vaza Jato, que chocou o país pelo teor das conversas entre os membros da operação que alterou a história política do país


PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO

O deputado postou imagem de Moro e Dallagnol e lembrou que Luís Fernando Veríssimo parafraseou Marx com a afirmação

Como diz Luís Fernando Veríssimo parafraseando Marx: “Aqui, a história não se repete como farsa, as farsas se repetem como história”, escreveu o deputado federal Ivan Valente no corpo de sua mensagem em um tuíte, feito na manhã deste sábado (6/11), em que compartilhou uma imagem do ex-juiz federal, Sergio Moro, e do ex-procurador do MPF, Deltan Dallagnol, criando uma atmosfera que remete aos tempos dos vazamentos dos diálogos, durante as ações da operação persecutória a LULA na fase da operação Lava Jato, divulgados pelo portal investigativo The Intercept.

O material divulgado pelo parlamentar chama a atenção ao dizer que “Moro e Dallagnol resolvem participar das eleições pela segunda vez” e ao rotulá-los como “corruptos“.

Valente usou o texto do ‘Sensacionalista – seção satírica pertencente ao grupo Globo’, que no original afirma: “Moro e Dallagnol decidem participar das eleições pela segunda vez”.

O conteúdo diz que “dessa vez como candidatos, Sérgio Moro e Deltan Dallagnol anunciaram que participarão pela segunda vez das eleições“.

A mídia então passa a satirizar a notícia: “Moro tentará a presidência, para poder nomear a si mesmo como ministro do Supremo Tribunal Federal. Já Deltan está de olho em uma vaga na câmara dos deputados. Alguns partidos de esquerda já adquiriram a licença do PowerPoint para poder enfrentar Moro e Dallagnol nos debates“. 

No texto de Veríssimo, publicado no Globo em 2018, após quase dois meses da prisão ilegal de LULA, o escritor escreveu:

O Brasil alterou a famosa frase do Marx: Aqui, a história não se repete como farsa, as farsas se repetem como história.

O golpe de 64 foi farsesco, descontando-se o que teve de ignóbil. Depois dele, vivemos 20 anos com generais se sucedendo na Presidência da República sem votos, uma farsa reincidente. Entre os generais presidentes tivemos de bufões a um falso pastor, que autorizou assassinatos de Estado, como nos contou, recentemente, a CIA. Diante desse teatro burlesco, a população teria todo o direito de gritar “E os palhaços? Onde estão os palhaços?”, se fosse permitido gritar. Para ser uma farsa completa, só faltaram palhaços em cena ou, no mínimo, um amante só de cueca escondido no armário”

E agora tem gente desfilando com faixas que pedem intervenção militar já. Quer dizer, pedem uma repetição da farsa. Como gostaram da outra, provavelmente querem uma farsa igual àquela, uma volta àqueles dias. São movidos a nostalgia, mais do que a qualquer projeto realista. Mas o movimento está crescendo, pelo que se ouve e se lê, e não se minimize o poder da nostalgia mobilizada; quanto mais irrealista, mais perigosa.

A farsa de 64 começou com um general de opereta, impaciente com a demora das conspirações, decidindo comandar seus tanques contra o governo Jango sem esperar por ninguém. Foi a faísca que incendiou o resto. Muito cuidado com faíscas e generais impacientes, portanto.

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