ARRASTE 0%
Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
```html ```
Avançar para o conteúdo
    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    01 de novembro de 2026

    A revista The New Yorker publicou reportagem assinada por Jon Lee Anderson que detalha como o deputado André Janones comandou uma campanha digital sem precedentes para eleger Lula (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL). O texto descreve o “Exército de Lula” como uma operação que sincronizou mensagens de milhões de brasileiros no WhatsApp, obteve vantagem algorítmica sobre os trolls de direita e transformou o deputado em referência internacional.

    Segundo a The New Yorker, Lula venceu a eleição presidencial brasileira derrotando o candidato de extrema direita Flávio Bolsonaro por mais de quatro milhões de votos. A vitória contrarionuma tendência regional: no ano e meio anterior, praticamente todos os governos da América Latina haviam se alinhado à administração de Donald Trump.

    A reportagem registra que, entre brasileiros de esquerda, surgiu a esperança de que o resultado pudesse começar a reverter uma onda de extrema direita no país e no mundo. Um amigo do jornalista teria enviado uma mensagem triunfal: “Agora Netanyahu, e depois as midterms nos EUA!”

    No mesmo dia da vitória de Lula, o líder pró-Rússia Aleksandar Vučić foi derrotado nas eleições da Sérvia e, diferentemente de outros autocratas, reconheceu a derrota. No Brasil, Flávio Bolsonaro pareceu incerto sobre como reagir: rejeitou os resultados, depois pareceu aceitá-los; fez uma declaração nas redes sociais descrevendo-se como “presidente legítimo do Brasil”, apagou-a e depois restaurou uma versão editada. Ainda assim, todas as principais instituições e partidos políticos do país reconheceram a vitória de Lula, assim como a maioria das nações do hemisfério, com exceção da Argentina, governada por Javier Milei.

    Nos Estados Unidos, Donald Trump adotou uma posição ambígua: sugeriu que a eleição poderia ter sido “fraudada”, mas também declarou: “Eu gosto do Lula”. O jornalista especula que ele pode ter sido cauteloso porque o Brasil é a maior economia da América Latina, ou porque teme um efeito cascata.

    A CAMPANHA DE JANONES E A DISPUTA ALGORÍTMICA

    A The New Yorker relata que as eleições brasileiras geralmente têm dois turnos. No primeiro, no início de outubro, Bolsonaro saiu na frente. Mas, em uma campanha inédita de três semanas nas redes sociais, um político versado em tecnologia chamado André Janones alistou milhões de brasileiros para servir no “Exército de Lula”.

    Ao sincronizar suas mensagens, ele obteve uma vantagem algorítmica sobre os trolls de direita que dominaram as redes sociais do Brasil por anos. A reportagem cita um operador de trolls proeminente: Fernando Cerimedo, argentino aliado dos Bolsonaros, indiciado no Brasil por suposto envolvimento na tentativa de golpe, embora os promotores tenham decidido não apresentar acusações formais. Desde então, Cerimedo ajudou Milei a se eleger na Argentina e auxiliou outros políticos de direita nas Américas. Em agosto, enquanto trabalhava no palácio presidencial da Bolívia, foi preso sob suspeita de contratar pistoleiros para assassinar sua namorada, que estava grávida. Ela sobreviveu; ele permanece preso e nega todas as acusações.

    A “guerra” digital de Janones teve êxito apesar de obstáculos. O tribunal eleitoral do país bloqueou duas vezes seu canal no WhatsApp, a pedido de Bolsonaro. Mas o mesmo tribunal também impôs uma liminar à Meta, depois que a campanha de Lula apresentou evidências de que a empresa havia adulterado algoritmos para favorecer Bolsonaro nos resultados de busca. Embora a Meta tenha negado, reconheceu “problemas técnicos” e prometeu corrigi-los.

    As alegações de interferência preocuparam muitos brasileiros. Walter Salles, diretor de “Ainda Estou Aqui”, filme aclamado sobre os anos de ditadura militar no Brasil, declarou ao jornalista: “Isso provavelmente vem acontecendo há algum tempo em eleições passadas em toda a América do Sul”.

    A FUGA DE FLÁVIO BOLSONARO

    Após perder a eleição, Flávio cruzou discretamente a fronteira para a Argentina, embarcou em um jato privado e fugiu para a Flórida, como seu pai havia feito após a própria derrota. Ele estava um passo à frente da polícia brasileira, que quer interrogá-lo em uma investigação de lavagem de dinheiro.

    A The New Yorker informa que ele teve assistência velada do governo Milei e da administração Trump; um assessor da Casa Branca evidentemente ajudou a fretar o jato. Ao chegar, com esposa e filhos, foi autorizado a entrar com status de liberdade condicional, e o Departamento de Estado disse que planeja emitir vistos para eles. Ainda não está claro o que ele pretende fazer. Seu pai passou o tempo nos EUA passeando por um supermercado Publix perto de Orlando, comendo KFC e tirando selfies com turistas brasileiros, enquanto planejava um retorno. O filho mais novo pode fazer algo semelhante.

    O CONTEXTO HISTÓRICO E AS CONEXÕES GLOBAIS

    A reportagem traça paralelos entre os fenômenos políticos. Em junho de 2016, o mundo foi chocado quando uma maioria estreita de britânicos, preocupados com desemprego e imigração e inflamados por uma campanha nativista na web, votou pela saída da União Europeia. Três meses depois, colombianos inicialmente rejeitaram um acordo de paz com as FARC, grupo guerrilheiro marxista que combatia o Estado há mais de meio século. Os motivos incluíam uma alegação falsa, difundida por políticos de direita e redes sociais, de que o acordo continha um compromisso de ensinar “ideologia de gênero” nas escolas primárias.

    O jornalista recorda que estava na Colômbia na época, quando um amigo comentou: “Primeiro o Brexit e agora isso. Isso significa que Trump vai ganhar em novembro”. Cerca de um mês depois, Trump chegou à Casa Branca com uma campanha baseada em nativismo, racismo e misoginia, além de acusações flagrantemente falsas contra sua adversária.

    Em 2018, no Brasil, o ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro — pai de Flávio — foi eleito presidente. Sua campanha também explorou medos de “ideologia de gênero”, inundando eleitores com mensagens no WhatsApp alegando que seu adversário promovia pedofilia.

    No cargo, Bolsonaro e Trump eram almas gêmeas ideológicas, defendendo visões antiambientais e pró-desenvolvimento, e alimentando ódio contra negros, mulheres e pessoas trans. Ambos foram extraordinariamente negligentes no enfrentamento da Covid-19; os EUA tiveram o maior número de mortes relatadas no mundo, com 1,2 milhão, enquanto o Brasil teve o segundo maior, com mais de setecentos mil.

    As histórias de Trump e Bolsonaro se sobrepõem de maneiras assustadoras. A primeira campanha de Bolsonaro, em 2018, ganhou novo impulso quando ele foi esfaqueado por um agressor em um comício — um prenúncio da quase-assassinatura de Trump em 2024, em Butler, Pensilvânia. A resposta de Trump àquele tiroteio — “Lutem! Lutem!” — impressionou Elon Musk, que se tornou seu maior doador individual e, eventualmente, seu czar do DOGE. Musk também começou a apoiar abertamente movimentos de direita ao redor do mundo, usando sua plataforma de mídia social, o X, para denegrir Lula e apoiar Milei e o partido extremista AfD, da Alemanha.

    Após a eleição de 2020, Trump culpou sua derrota por uma conspiração democrata para adulterar máquinas de votação e encorajou apoiadores a invadir o Capitólio para impedir a certificação da vitória de Joe Biden. Dois anos depois, Bolsonaro perdeu a reeleição para Lula. Ele também havia repetido que o voto poderia ser fraudado. Voou para a Flórida e conspirou com aliados nas forças de segurança em casa para planejar um golpe. Uma semana após Lula assumir o cargo, milhares de apoiadores de Bolsonaro atacaram o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional, tentando reinstalá-lo como presidente.

    Bolsonaro eventualmente retornou ao Brasil, onde foi condenado por conspiração e sentenciado a vinte e sete anos de prisão. Mais tarde, foi transferido para prisão domiciliar por razões humanitárias. Como não pôde concorrer este ano, seu filho Flávio, advogado e legislador na casa dos quarenta anos, tornou-se candidato em seu lugar. Flávio disse que seu objetivo era ver seu pai libertado e punir os juristas que sustentaram sua condenação. Também sugeriu que enfraqueceria proteções ambientais, combateria o “wokeísmo” e encorajaria desenvolvimento e investimento estrangeiro. Para se aproximar de Trump, prometeu aderir ao Escudo das Américas, programa no qual tropas dos EUA podem ser enviadas a países latino-americanos, ostensivamente para combater o narcotráfico.

    A REAÇÃO INTERNACIONAL E O “JANONISMO”

    Os serviços de Janones foram solicitados pelo primeiro-ministro espanhol de inclinação à esquerda, Pedro Sánchez, que enfrenta uma disputa acirrada no final de novembro. Na França, o “janonismo” está sendo emulado por ativistas que trabalham para combater a influência da candidata presidencial de extrema direita Marine Le Pen.

    A reportagem também registra sinais de que a visão mais inclusiva de Lula está ganhando espaço no Brasil. Erika Hilton, uma mulher trans negra de trinta e três anos e ex-profissional do sexo, tornou-se a candidata ao Congresso mais votada da história do país. Ana Elisa Santos, influenciadora negra de vinte e um anos, também conquistou uma cadeira no Congresso, apesar de ameaças de morte de supremacistas brancos.

    O QUE PERMANECE

    A The New Yorker observa que a polarização essencial do Brasil não desapareceu. As taxas de criminalidade são altas, e os mercados, que haviam subido na expectativa de que o candidato pró-mercado Bolsonaro vencesse, despencaram após a vitória de Lula. Ainda assim, os apoiadores de Lula sentem que agora há uma chance de fortificar a democracia ainda frágil do país.

    Um amigo do jornalista no Brasil, que se preocupava com o destino da Amazônia se Bolsonaro vencesse, escreveu: “Muito mais do que o futuro da democracia brasileira está em jogo. Nós, latino-americanos, sabemos que democracias podem morrer, mas, com o tempo, também podem ser restauradas. Há muito sofrimento pelo caminho, mas já foi feito”.

    IMPORTANTE | A reportagem da The New Yorker é um relato jornalístico baseado em apuração própria e entrevistas. As afirmações sobre a estratégia digital de Janones, os bloqueios judiciais e a suposta adulteração de algoritmos pela Meta são apresentadas como fatos relatados pelo veículo, com base em evidências apresentadas pela campanha de Lula e em decisões do tribunal eleitoral. A Meta nega as acusações de manipulação. O texto não afirma que a vitória de Lula se deve exclusivamente ao canal de Janones, mas descreve a operação como um fator relevante em uma disputa de três semanas.

    E… ?

    André Janones segue como deputado federal e mantém o canal “Exército de Lula” ativo. Sua agenda internacional, porém, mudou: além do convite espanhol, teria recebido sondagens de outros países. Na Espanha, a eleição de Pedro Sánchez definirá se a estratégia brasileira funciona em outro contexto político. Na França, ativistas estudam o “janonismo” para conter Marine Le Pen.

    Flávio Bolsonaro permanece nos Estados Unidos, onde aguarda a decisão sobre seu status migratório, enquanto a polícia brasileira busca interrogá-lo. Seu pai, Jair Bolsonaro, cumpre prisão domiciliar no Brasil.

    Atualização: novas informações poderão ser acrescentadas à medida que fontes confiáveis confirmarem novos desdobramentos sobre a atuação internacional de André Janones e a situação de Flávio Bolsonaro.

    FAQ RÁPIDO

    O que a The New Yorker revelou sobre André Janones?
    A reportagem descreve como Janones organizou o “Exército de Lula” no WhatsApp, sincronizando mensagens de milhões de brasileiros para obter vantagem algorítmica sobre trolls de direita. A tática, segundo o texto, foi decisiva para a virada de Lula sobre Flávio Bolsonaro.

    Quais obstáculos a campanha digital enfrentou?
    O tribunal eleitoral bloqueou duas vezes o canal de Janones no WhatsApp, a pedido de Bolsonaro. Ao mesmo tempo, impôs liminar à Meta após evidências de que a empresa teria adulterado algoritmos para favorecer Bolsonaro, o que a Meta nega, admitindo apenas “problemas técnicos”.

    Como o “janonismo” repercutiu fora do Brasil?
    O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez convidou Janones para auxiliar sua campanha. Na França, ativistas estudam o modelo para conter Marine Le Pen. A reportagem cita ainda a eleição de Erika Hilton e Ana Elisa Santos como sinais de uma visão mais inclusiva em ascensão.


    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

    Comente com moderação

    文