O ex-governador de MG, Romeu Zema, durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda. / Imagem reprodução
Brasília (DF) 04 de maio de 2026
A declaração do ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo) , de que vai “rever” o programa Bolsa Família para impedir a criação de uma “geração de imprestáveis” acendeu um alerta em setores da sociedade civil e na oposição.
A fala foi interpretada como mais um capítulo de uma estratégia de comunicação que, dias antes, já havia incluído a defesa do trabalho infantil em pleno Dia do Trabalhador (1º de maio).
O discurso de Zema articula dois pilares centrais do neoliberalismo: a meritocracia punitiva e a desregulamentação total. Ao chamar beneficiários de programas sociais de “marmanjão” que fica em casa, ele ignora dados estruturais do IBGE que mostram que a maioria dos lares que recebem o benefício é chefiada por mulheres e inclui crianças pequenas.
A tentativa de associar pobreza à vagabundagem serve, historicamente, para justificar cortes de gastos públicos enquanto se defende a mão de obra infantil e juvenil como “formação de caráter”.
A defesa do trabalho infantil e a reação da esquerda
A controvérsia ganhou corpo na sexta-feira (1º/5), quando Zema participou do podcast Inteligência Ltda. Na ocasião, ele afirmou que “toda criança pode estar ajudando com questões simples” e criticou a legislação brasileira, que proíbe qualquer trabalho antes dos 16 anos (exceto como aprendiz a partir dos 14).
“Lá fora, nos Estados Unidos, criança sai entregando jornal. Aqui é proibido, você está escravizando a criança” , disse o ex-governador.
Após a repercussão negativa — que incluiu artigos do Jornal do Brasil e do O POVO —, a assessoria de Zema tentou suavizar o tom, trocando “criança” por “adolescente” em vídeos posteriores.
A justificativa foi a de que o trabalho “digno forma caráter e disciplina e evita que os jovens ingressem no crime organizado”.
O ministro Guilherme Boulos (Psol) não poupou críticas. Através das redes sociais, no sábado (2/5), Boulos classificou a fala como “ato de covardia” e afirmou que “o cidadão que faz isso no Dia do Trabalhador dá sérios sinais de ser um psicopata”.
A troca de farpas se intensificou quando Zema rebateu dizendo que trabalhou desde criança e questionou se a alternativa de Boulos seria o “Comando Vermelho”.
Boulos, pra você caminho bom pras nossas crianças é ser recrutado pelo comando vermelho?
— Romeu Zema (@RomeuZema) May 3, 2026
Eu trabalhei desde pequeno acompanhando o meu pai. Com ele aprendi a ter disciplina e a me esforçar para vencer. A sua receita fracassada e da esquerda é depender de governo e viver…
A ameaça ao Bolsa Família e o contexto eleitoral
Dois dias depois da polêmica sobre o trabalho infantil, Zema voltou a atacar as políticas de transferência de renda. Em entrevista, ele prometeu uma “revisão rigorosa” do Bolsa Família para que “marmanjões” não se aproveitem do sistema. O discurso ecoa a cartilha liberal que prega o fim da “cultura da dependência”.
Dados recentes, no entanto, contrariam essa narrativa. Estudos mostram que o Bolsa Família é responsável por retirar milhões da extrema pobreza e incentivar a frequência escolar.
A proposta de Zema ignora que o trabalho infantil precoce, além de uma violação constitucional, perpetua o ciclo de pobreza ao sacrificar a educação em troca de subempregos.
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 7º, inciso XXXIII, proíbe qualquer trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz a partir dos 14.
Especialistas alertam que flexibilizar essa regra jogaria o Brasil contra convenções internacionais, além de aumentar os índices de evasão escolar.
O impacto no cenário político
As falas de Romeu Zema têm o potencial de mobilizar as bases conservadoras, mas afastam o eleitorado moderado e preocupado com as garantias fundamentais.
Ao atacar Boulos e o PT simultaneamente, Zema tenta consolidar a terceira via, mas o discurso sobre trabalho infantil pode se tornar um elefante branco em sua campanha.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) classifica o trabalho infantil como aquele que prejudica a saúde e a educação das crianças.
Em 2024, o Brasil ainda registrava 1,65 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos nessa condição.
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Um cretino de primeira!!!