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Zambelli se arrepende de perseguição armada, que pode levá-la à prisão, e se sente abandonada por Bolsonaro, que pode ser preso (vídeo)

    Deputada enfrenta condenação no STF e busca reverter cassação enquanto reflete sobre relação com ex-presidente – SAIBA MAIS

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    Brasília, 30 de março de 2025

    A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) expressou arrependimento pelo episódio em que perseguiu um homem armado na véspera das eleições de 2022, em São Paulo.

    Em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada neste domingo (30/mar), ela afirmou que deveria ter evitado a situação: “Devia ter entrado no carro e ido embora”.

    O caso resultou em uma condenação no Supremo Tribunal Federal (STF), que formou maioria para sentenciá-la a 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto, além da perda do mandato, por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal.

    O julgamento está suspenso, e Zambelli ainda tenta reverter a decisão.

    Abandono por Bolsonaro e Depressão Pós-Eleição

    Aliada histórica de Jair Bolsonaro (PL), Zambelli se diz abandonada pelo ex-presidente, de quem esperava apoio em meio às consequências do incidente. “Não só eu como outras pessoas também perderam a amizade do presidente no momento que precisaram”, declarou.

    Ela discorda de Bolsonaro, que atribuiu a ela sua derrota para Lula (PT) em 2022, argumentando que o impacto do episódio foi limitado. A deputada revelou que enfrenta depressão desde então, agravada pela fala do ex-presidente: “Pesou bastante nas minhas costas”.

    Cenário Político e Planos para 2026

    Condenada também no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por desinformação sobre urnas, Zambelli recorrerá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para evitar a inelegibilidade.

    Caso não consiga, planeja retornar à política em 2030. Para 2026, ela sugere Michelle Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro como nomes fortes da direita, mas evita atos pró-Bolsonaro, como o de 6 de abril na Avenida Paulista, devido ao risco em meio ao julgamento.

    Reflexões sobre o Governo Bolsonaro e Acusações de Golpe

    Zambelli mantém críticas à condução de Bolsonaro pós-eleição, afirmando que ele deveria ter pedido aos apoiadores que deixassem os quartéis, evitando os atos de 8 de janeiro de 2023.

    Sobre as acusações de trama golpista contra o ex-presidente, ela considera “absurdo” classificar como golpe o debate sobre medidas constitucionais, como o artigo 142 (vide nota no final da matéria), embora negue ter participado de reuniões para implementá-las.

    Defesa no Caso da Arma

    No episódio da perseguição, Zambelli justifica sua reação como proporcional, citando ameaças recebidas e um tiro disparado – inicialmente atribuído a um policial que caiu.

    Ela admite que “a cabeça ferveu” ao ser insultada, mas lamenta ter ido atrás do homem: “Foi uma atitude infeliz”.

    Apesar disso, insiste ter agido dentro da legalidade com seu porte de arma federal, ponto que espera ser reconsiderado no STF.

    ASSISTA A UM TRECHO DA ENTREVISTA E LEIA MAIS DEPOIS:

    Imagens Folha de S. Paulo

    O Artigo 142 da Constituição Federal do Brasil é frequentemente mencionado em discussões sobre o papel das Forças Armadas. Está no capítulo sobre as Forças Armadas, na Seção I do Título V, que trata da defesa do Estado e das instituições democráticas:

    As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem“, diz o texto do Artigo 142.

    Assim, a função das Forças Armadas é

    Defesa da Pátria: Proteção contra ameaças externas; Garantia dos poderes constitucionais: Assegura o funcionamento do Executivo, Legislativo e Judiciário dentro de suas competências;
    Garantia da lei e da ordem (GLO): Atuação em situações excepcionais, como crises de segurança pública, mas sempre sob comando civil e por solicitação de um dos poderes (geralmente o Executivo).
    Subordinação ao poder civil: O artigo estabelece que as Forças Armadas estão sob a autoridade do Presidente da República, reforçando que elas não agem de forma autônoma, mas seguem a hierarquia constitucional.
    Polêmicas: Há interpretações populares, especialmente em debates políticos, que sugerem que o Artigo 142 daria às Forças Armadas um papel de “moderador” ou “interventor” em caso de conflitos entre os poderes. Juristas e o Supremo Tribunal Federal (STF) já esclareceram que essa visão não tem respaldo legal, pois a Constituição não prevê intervenção militar autônoma ou acima dos poderes constituídos.

    O Artigo 142 define claramente o papel das Forças Armadas, evitando ambiguidades sobre sua atuação, garante que elas sejam um instrumento de defesa da democracia e da nação, subordinadas ao poder civil e permite operações de GLO em emergências, como em desastres naturais ou crises de segurança.

    Contudo, interpretações equivocadas podem gerar confusão ou tentativas de justificar ações inconstitucionais. O uso excessivo de GLO pode militarizar questões que deveriam ser resolvidas por forças policiais ou políticas, como já visto em algumas operações no Brasil.

    Conclusivamente, o Artigo 142 é uma peça-chave para entender o equilíbrio entre segurança nacional e democracia no Brasil. Ele não dá às Forças Armadas poder ilimitado ou autonomia para intervir nos poderes, mas sim as coloca como defensoras da ordem constitucional sob comando civil.

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