Zambelli pode ser presa: advogados acionarão pedido no TSE, que analisa crime eleitoral por porte de arma

A deputada foi flagrada em vídeos durante perseguição armada a jornalista que teria dito “te amo, espanhola”, após desentendimentos

    O setor de inteligência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) analisa os vídeos em que a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) aparece armada, para verificar possíveis crimes eleitorais, além do porte de arma durante o período de votações.

    Neste sábado (29/10), a bolsonarista sacou e apontou uma arma para pessoas após uma confusão na região dos Jardins, bairro nobre de São Paulo.

    Carla Zambelli saca arma e aponta no meio da rua para pessoa na rua
    Carla Zambelli arma no meio da rua | Antonio Neto no Twitter

    A parlamentar se defendeu afirmando que foi xingada e empurrada, mas vídeos mostram que ela tropeçou e caiu. O empurrão alegado não é visível. Depois, ela avançou na direção do jornalista Luan Araújo e o movimento incentivou seus seguranças a seguí-la na investida.

    Nas imagens é possível ouvir Araújo dizendo ‘te amo, espanhola’. O jornalista disse que voltava de um chá de bebê com amigos quando viu a deputada pedindo voto para o candidato ao Governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a um recepcionista de bar. Ele admitiu que xingou Zambelli.

    Os seguranças começaram a filmá-lo, quando Araújo resolveu dizer “te amo, espanhola“, repetindo uma fala feita pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), durante a CPI da Covid, que por sua vez usou um trecho do refrão da canção Espanhola para ironizar o fato de que, dutante a CPI das Fake News, em 2019, a deputada Joice Hasselmann afirmou que Jair Bolsonaro (PL) havia lhe perguntado se Zambelli foi prostituta durante o período em que esteve na Espanha.

    Eu ouvi um tiro e não sei se passou perto da minha perna, mas eu senti a bala chegando perto. E saí correndo do bar. Eles tentaram me colocar no chão, como se fossem policiais mesmo“, contou Luan ao portal de notícias Yahoo.

    O pedido de análise dos vídeos foi feito pelo juiz auxiliar Marco Antonio Martin Vargas. O processo foi sorteado e será analisado pelo ministro presidente do TSE, Alexandre de Moraes, informa a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S Paulo.

    O relatório do setor de inteligência do TSE afirma que “é possível notar que Carla Zambelli está em envolvida em uma discussão, onde foi verificado (análise do vídeo) que, após discussão, sai em perseguição a uma pessoa“.

    Em certo momento, retira de sua cintura uma arma, aparentemente uma pistola, e vai em direção a um bar/restaurante, lotado de populares, sempre com uma arma em mãos, apontada para pessoas“, segue o texto.

    Vídeo viral nas redes sociais

    De acordo com as imagens, no tempo 19 segundos, é possível escutar, claramente, disparo de arma de fogo. No tempo 34 segundos, identificamos Carla Zambelli retirando da cintura, uma arma de fogo“, diz ainda o documento.

    O relatório será encaminhado para análise de possível prática de crime eleitoral, porte ilegal de arma, desrespeito a resolução 23.708/2022, que proíbe armamentos 24 antes das eleições, e tentativa de tumultuar o processo eleitoral.

    A parlamentar não poderia estar armada. Segundo legislação eleitoral, o porte de arma e de munição é proibido nas 24 horas que antecedem e sucedem o dia de votação. Uma resolução do TSE, aprovada em setembro, determina que o descumprimento da regra pode acarretar prisão em flagrante por porte de arma na eleição.

    O advogado Rodolfo Prado afirma que Carla Zambelli se encontra em flagrante delito e pode até ser presa. “No presente caso, como se pode verificar, existe um entendimento de que pode ser um fato que tenha como objetivo macular as eleições“, diz.

    O advogado João Guilherme Desenzi, que presenciou a cena, disse que Zambelli também apontou uma arma para a cara dele. Desenzi diz que ouviu dois disparos de arma de fogo vindos da rua. Logo depois, o homem perseguido entrou no estabelecimento para se proteger, seguido por Zambelli, que também gritou: “Deita no chão“.

    Quando ela entra no bar armada, um monte de gente sai correndo. Eu fiquei encurralado entre duas mesas“, diz o advogado. As outras pessoas dentro do bar também gritavam, pedindo que a parlamentar saísse dali.

    Na hora que ela aponta a arma para ele [Luan], ela aponta para a minha cara também. Eu estava usando uma camiseta 13“, afirma o advogado. “E depois voltou a apontar a arma para o homem“.

    Segundo Desenzi, Zambelli estava acompanhada de dois homens. “Um deles chegou a dar tapas no rapaz perseguido“, disse o advogado.

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