
CARLA ZAMBELLI durante ato pró-Bolsonaro na avenida Paulista, nas comemorações do 7 de Setembro | Imagem de Celso Luix/Futura Press/Estadão Conteúdo
Condenada pelo STF, deputada recorre a doações para custear penas financeiras, gerando debate sobre ética e financiamento político – SAIBA MAIS e ASSISTA
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Brasília, 19 de maio de 2025
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) postou um vídeo (assista no final da matéria) nas redes sociais solicitando doações via Pix para arcar com multas judiciais que totalizam R$ 2 milhões, impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A parlamentar, condenada à prisão e perda do mandato, além das multas, alega ser vítima de perseguição política.
A iniciativa já teria arrecadado mais de R$ 160 mil em cinco horas, segundo agência R7, o que está gerando críticas e análises sobre a nova dinâmica de financiamento de políticos bolsonaristas.
Condenações e Multas
Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão em regime fechado, além da perda do mandato parlamentar, por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou a deputada como autora intelectual do ataque cibernético, que incluiu a emissão de um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Junto ao hacker Walter Delgatti Neto, ela foi sentenciada a pagar R$ 2 milhões em danos morais coletivos, valor a ser dividido entre os réus. “Não cometi crime algum, estou sendo perseguida por lutar pelas liberdades”, declarou Zambelli no vídeo.
Além disso, a deputada enfrenta outra condenação por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, decorrente de um episódio em 2022, quando perseguiu um homem negro com uma arma na véspera do segundo turno das eleições.
Essa pena, de 5 anos e 3 meses em regime semiaberto, também inclui a perda do mandato após esgotados os recursos.
Pedido de Doações e Reações
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Nas imagens pedindo Pix, Zambelli afirmou que as multas podem ser cobradas antes mesmo do trânsito em julgado do processo, justificando o apelo financeiro.
“A situação não está fácil, não tenho como arcar sozinha”, disse. A estratégia de recorrer a apoiadores via Pix não é nova no bolsonarismo.
O ex-presidente Jair Bolsonaro também adotou a prática para custear despesas judiciais, o que o colunista Leonardo Sakamoto, no UOL Notícias, descreveu como uma “nova economia patriótica”, onde políticos mobilizam bases para financiar suas defesas.
Críticas à iniciativa foram contundentes. O colunista Josias de Souza, também no UOL Notícias, afirmou: “Pedir dinheiro nas redes sociais não é crime, mas cada um é livre para fazer papel de bobo e idiota.”
A prática, embora legal, levanta questionamentos éticos sobre a dependência de figuras públicas de doações para custear penas judiciais, especialmente em casos de crimes graves.
Contexto Político e Repercussão
A condenação de Zambelli ocorre em um momento de tensão entre o STF e a Câmara dos Deputados. O Partido Liberal (PL), ao qual a deputada é filiada, tentou suspender a ação penal contra ela, argumentando imunidade parlamentar, mas o pedido foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes.
Moraes considerou as acusações anteriores à diplomação do atual mandato, invalidando a alegação de imunidade.
Zambelli teme a prisão, alegando problemas de saúde como depressão e síndrome de Ehlers-Danlos, que poderiam dificultar sua sobrevivência na cadeia.
“Não me vejo capaz de ser cuidada como devo na prisão”, afirmou a deputada. Apesar disso, ela planeja recorrer da decisão, o que pode adiar a execução da pena.
Patriotas, preparem o bolso: agora a Carla Zambelli também quer PIX.
— Allan dos Panos (@allandospanos) May 19, 2025
A vida de patriota não é fácil — sustentar a família santa milionária, os rodeios do Bananinha com a BolsoJanja, agora a Zambelli, sem esquecer os EAD… e ainda precisam cuidar da própria família. pic.twitter.com/aZYDYwcV7L
Outras Fontes e Perspectivas
As mídias destacaram a rapidez com que a deputada mobilizou sua base e seu caso foi comparado ao de Bolsonaro, sugerindo uma estratégia recorrente entre aliados do ex-presidente.
Zambelli nega os crimes e insiste em ser vítima de perseguição, agora com a narrativa sobre dificuldades financeiras.
A arrecadação via Pix mostra o quão polarizado se encontra a política no Brasil, com apoiadores de Zambelli vendo-a como mártir e críticos questionando a legitimidade de financiar penas judiciais.
A condenação da deputada, unânime no STF, reforça a gravidade das acusações, com evidências como transferências de R$ 13,5 mil a Delgatti, confirmadas pela Polícia Federal.
Análise e Implicações
O pedido de Pix de Zambelli levanta questões sobre a sustentabilidade financeira de políticos envolvidos em processos judiciais e o papel das redes sociais na mobilização de recursos.
Enquanto a deputada alega dificuldades financeiras, críticos apontam que a prática pode normalizar a dependência de doações para contornar responsabilidades legais, minando a accountability pública – conceito que envolve o compromisso de alguém ser responsável pelas suas ações e decisões, com foco na transparência e na prestação de contas.
A estratégia também evidencia a força da base bolsonarista, capaz de arrecadar quantias significativas em poucas horas, mas expõe Zambelli a críticas por explorar a lealdade de seus seguidores.












