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Aguardando extradição da Itália, Zambelli tem condenação transitada em julgado e não cabe mais recurso

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    A deputada
    A deputada federal Carla Zambelli durante perseguição armada a um jornalista negro, nas ruas de São Paulo, durante as eleições de 2022 / Imagem reprodução


    Deputada bolsonarista perde mandato e enfrenta prisão imediata após decisão irrecorrível do STF




    Brasília, 30 de outubro 2025

    Em um desfecho que agita o cenário político brasileiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou nesta quinta-feira (30/out) o trânsito em julgado da condenação da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.

    A pena de cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, agora é irrecorrível, abrindo caminho para a execução imediata assim que a parlamentar retornar ao país.

    Presa desde julho na Itália, a futura ex-parlamentar bolsonarista vê seu destino selado também pela aceitação do pedido de extradição formulado pelo governo brasileiro, com o Ministério Público italiano emitindo parecer favorável na semana passada.

    O caso ganhou contornos dramáticos às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2022, quando a polêmica deputada foi flagrada em vídeo perseguindo o jornalista Luan Nery pelas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo.

    O incidente expôs não só a polarização eleitoral entre apoiadores de Jair Bolsonaro e do então candidato e hoje Presidente da República Federativa do Brasil, Excelentíssimo Senhor Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas também reacendeu debates sobre o controle de armas no País.

    De acordo com relatos da época, Nery, identificado como simpatizante petista, provocou Zambelli verbalmente durante um ato de campanha, levando-a a cair no chão.

    Em resposta desproporcional, a deputada sacou uma pistola e, ao lado de um segurança, perseguiu o homem por cerca de 100 metros, apontando a arma e gritando ameaças.

    O episódio viralizou nas redes, com imagens captadas por testemunhas mostrando Zambelli em modo de confronto armado, violando inclusive a proibição temporária de porte de armas decretada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o período eleitoral.



    Para contextualizar o peso desse evento no histórico de controvérsias da parlamentar, vale resgatar que o incidente de 2022 não foi isolado.

    Meses antes, em setembro, o TSE havia reforçado restrições ao transporte de armas por civis, visando prevenir tensões durante o pleito.

    Zambelli, reeleita como a segunda mais votada em São Paulo, já carregava uma bagagem de polêmicas, incluindo embates verbais no Congresso Nacional e acusações de obstrução de justiça.

    O ex-presidente Bolsonaro inclusive culpou o episódio pela derrota apertada nas urnas, afirmando em podcast que a imagem da perseguição armada associou sua campanha à defesa irrestrita do armamento, influenciando votos nulos e indecisos.

    Relatos da CNN Brasil de março de 2025 detalham como o vídeo, assistido milhões de vezes, simbolizou o auge da beligerância política na campanha, com Nery fugindo em pânico enquanto Zambelli o seguia, arma em riste.

    Avançando para o desdobramento judicial atual, a condenação inicial veio em agosto de 2025, por 9 votos a 2 no plenário do STF, sob relatoria do ministro Gilmar Mendes.

    Ele destacou a reprovação elevada do ato, argumentando que ofensas verbais não justificam retaliação armada, especialmente de uma autoridade pública.

    A decisão incluiu multa equivalente a 400 salários mínimos (atualizados) e a perda imediata do mandato, conforme a Constituição Federal, que prevê cassação em casos de crimes comuns transitados em julgado.

    Com o trânsito em julgado certificado hoje, o STF notificará a Câmara dos Deputados para formalizar a vacância do cargo, extinguindo de vez a imunidade parlamentar de Zambelli.

    Enquanto isso, na Itália, onde Zambelli buscou refúgio após uma condenação anterior, o processo de extradição ganha velocidade.

    Condenada em junho de 2025 a dez anos de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em conluio com o hacker Walter Delgatti Neto – crime que envolveu a falsificação de um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes –, a deputada fugiu para Roma logo após o decreto de prisão preventiva.

    A Advocacia-Geral da União (AGU), em cooperação com a Polícia Federal, acionou a Interpol, resultando na detenção de Zambelli em 29 de julho.

    A Corte de Apelação de Roma manteve a prisão em regime fechado, rejeitando argumentos de saúde precária ou asilo político, e classificou o risco de fuga como alto grau.

    O parecer favorável do Ministério Público italiano, divulgado em 22 de outubro, reforça que os crimes não têm natureza política, pavimentando o caminho para a decisão final do governo europeu.

    Essa segunda condenação por invasão ao CNJ, julgada por unanimidade na Primeira Turma do STF, expôs uma rede de manipulação digital que Zambelli negou veementemente, alegando ação solitária de Delgatti.

    No entanto, provas periciais ligaram os dois, resultando em penas cumulativas que somam mais de 15 anos de reclusão.

    Histórico buscas revelam que, desde 2022, Zambelli acumulou denúncias no STF, incluindo obstrução de justiça e abuso de poder econômico nas eleições, com o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) cassando seu mandato em janeiro de 2025 por fake news eleitorais – decisão pendente no TSE.

    O caso Zambelli transcende o individual, ilustrando os limites da accountability em tempos de polarização.

    Especialistas em direito eleitoral, como os citados em análises do O Globo, veem na extradição um marco para a cooperação Brasil-Itália, testando tratados bilaterais que permitem a entrega de nacionais por crimes comuns.

    Enquanto aguardamos o veredicto final em Roma, a bolsonarista permanece isolada, sem domínio do idioma local e sob vigilância constante, um contraste gritante com sua imagem de guardiã da lei e ordem nas redes.

    A volta ao Brasil pode redefinir não só o futuro de Zambelli, mas o debate sobre impunidade na política nacional.



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    1 comentário em “Aguardando extradição da Itália, Zambelli tem condenação transitada em julgado e não cabe mais recurso”

    1. REINALDO GONCALVES DA CRUZ

      O Bolsonaristas são indiabrados, são ignorantes e fanatizados, são covardes, não sustentam nada, só cadeia para quebrar o faixo desses insanos

    Os comentários estão fechados.

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