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YouTube faz limpeza inédita de vídeos bolsonaristas com mentiras sobre fraude nas eleições

    Monitoramento da Novelo Data mostra que é a maior exclusão de conteúdo desde que as novas regras da plataforma começaram a valer, em março

    A plataforma de compartilhamentos, YouTube, “apagou nos últimos dez dias ao menos 22 vídeos contendo desinformação e mentiras sobre a urna eletrônica e as eleiçõe“, em uma inédita limpeza de conteúdo, “que é a maior já feita desde que as novas regras da empresa começaram a valer, em março, de acordo com monitoramento da Novelo Data, informa Guilherme Caetano, no Globo, jornal que identificou 1.960 mídias com fake newsque rentabilizaram até R$ 1 milhão, segundo cálculo feito pela Novelo e agência Bites.

    Ao todo 45 vídeos foram apagados pelo YouTube em menos de três meses. Um deles é do Canal Professor Bellei, que afirmava que o segundo turno da eleição seria fraudado e pedia intervenção militar no país. Outro repercutia transmissão ao vivo de Jair Bolsonaro na qual o presidente prometia comprovar fraude nas urnas eletrônicas e que ele mesmo assumiu posteriormente não ter em mãos.

    O canal OPNews TV, do militante Walter Biancardine, com 10,5 mil inscritos, teve cinco vídeos excluídos em dois dias. Um deles afirmava que haveria “77% de chances de fraude” nas eleições. Há na leva também conteúdos dos canais bolsonaristas Folha Política e Jornal da Cidade Online.

    A estratégia de Bolsonarl envolve jogar suspeição não apenas sobre o sistema eleitoral, mas também a respeito das pesquisas de intenção de voto, que bolsonaristas dizem que têm dados fraudados que corroborariam uma vitória falsa de adversários do presidente. As teses se utilizam recorrentemente da descontextualização do noticiário.

    Em sua política de combate à desinformação, o YouTube diz que não permite determinados tipos de informação incorreta que possam causar danos, incluindo conteúdo que interfere nos processos democráticos. “Conteúdo postado após a certificação dos resultados oficiais para promover alegações falsas de que fraudes, erros ou problemas técnicos generalizados mudaram o resultado de eleições nacionais anteriores”, diz a empresa.

    A regra, no entanto, só se aplica às eleições americanas, às eleições federais da Alemanha de 2021 e à eleição presidencial do Brasil de 2018.

    A iniciativa derrubou até um vídeo de Bolsonaro publicado em junho de 2021. Na publicação, o presidente abordava temas controversos (e que resvalam no limite das regras da plataforma) como tratamento precoce, Covid, lockdown, CPI da Covid e voto auditável.

    Em nota, o YouTube explica que todos os conteúdos precisam seguir suas Diretrizes de Comunidade e que conta com revisores e denúncias de usuários para “identificar materiais com conteúdo suspeito e manter a comunidade da plataforma segura”. Diz ainda que tem elaborado políticas e sistemas “para reduzir a disseminação de informações enganosas”.

    Trata-se da 36ª punição feita pelo YouTube a Bolsonaro, e mesmo assim seu canal segue funcionando. A pandemia foi o assunto abordado pelo presidente que mais levou à derrubada de suas publicações. Em geral, continham desinformação e notícias falsas sobre o coronavírus e a hidroxicloroquina.

    Bem à frente das demais redes sociais, o YouTube teve links compartilhados 440,5 mil vezes nos chats monitorados por dez meses. Em seguida vinham Instagram (74,8 mil), Twitter (74,6 mil), Facebook (55,9 mil), e duas plataformas adotadas pela direita radical mundo afora: Getter (4,1 mil) e Parler (3,1 mil). Links do TikTok, por fim, circularam 2,6 mil vezes.

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