Bolsonaristas tentaram invadir a sede da PF após prisão de indígena golpista e, repelidos pela polícia, queimaram ônibus e carros e arremessaram pedras em policiais
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Alexandre de Moraes deu prazo de 48 horas para que o ministro da Justiça, Anderson Torres, e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), detalhem todas as medidas adotadas por forças de segurança para conter atos de vandalismo protagonizados por bolsonaristas em Brasília, na segunda-feira (12/12).
O magistrado atendeu a uma solicitação do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) para entender as circunstâncias em que os atos de violência ocorreram, quando manifestantes tentaram invadir a sede da Polícia Federal depois que o líder bolsonarista José Acácio Serere Xavante foi preso temporariamente e, repelidos pela polícia, queimaram ônibus e carros e arremessaram pedras em policiais, que responderam com bombas de efeito moral.
“Os fatos noticiados pelo parlamentar ocorreram no contexto dos atos antidemocráticos, nos quais grupos financiados por empresários (a serem identificados) insatisfeitos com o legítimo resultado do pleito, com violência e grave ameaça às pessoas, passaram a bloquear o tráfego em diversas rodovias do país e a abusar do direito de reunião nos arredores de quartéis militares, com o intuito de abolirem o Estado democrático de Direito, pleiteando um golpe militar e o retorno da ditadura“, diz Moraes na decisão, conforme transcrito pelo jornal Folha de S. Paulo.
Nesta quarta-feira (14/12), o ministro do Supremo juntou a solicitação de Randolfe Rodrigues a uma outra petição em razão de sua “pertinência“: “As condutas noticiadas, portanto, fazem parte de atos mais abrangentes, investigados nesta Suprema Corte“, destaca o relator do inquérito das fake news.
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou em postagem em suas redes sociais ser “muito estranho” ninguém ter sido detido. Ela afirmou ainda que o presidente Jair Bolsonaro (PL) é “cúmplice” do que ocorreu, enquanto a equipe do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fez chegar ao Governo do Distrito Federal o incômodo gerado com a atuação da Polícia Militar na contenção dos atos de violência que ocorreram na capital federal.
O ministro Alexandre de Moraes afirmou que “ainda tem muita gente para prender e muita multa para aplicar“. Na segunda-feira, o magistrado prometeu responsabilizar grupos que promovem atos antidemocráticos e discurso de ódio. A fala foi feita durante a cerimônia de diplomação de Lula.
