O ‘Bolsonaro argentino’ e sua defesa denunciaram suposta trama para contestar votos em escolas na eleição presidencial deste dia 22/10 e a Justiça abriu investigação, enquanto o chefe da ‘Direção Nacional Eleitoral‘, Marcos Schiavi (foto), defende que “o sistema eleitoral é seguro”
Um procurador da Justiça Eleitoral da Argentina, Ramírez González, abriu uma investigação preliminar sobre uma possível estratégia de ignorar os resultados da eleição presidencial deste domingo (22/10), após o candidato à Casa Rosada, Javier Milei, reafirmar a alegada “grande possibilidade” de que tenha ocorrido “fraude” ou roubo de votos.
As declarações originais foram feitas nas redes sociais no dia das eleições da PASO (Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias), ocorrida em 14 de agosto, quando Milei foi o mais votado.
“Há manifestações de um candidato presidencial de um grupo político que estaria denunciando acontecimentos de gravidade institucional ”, disse González, conforme transcrição no ‘Página 12‘.
Segundo o texto do jornal local, o procurador recolheu um depoimento de um representante do grupo de extrema-direita, o advogado Santiago Viola, que manifestou judicialmente as mesmas dúvidas que Milei expôs.
O advogado do conhecido no Brasil como ‘Bolsonaro argentino’ denunciou uma “intenção” de “distribuir cédulas falsas para contestar votos e possível roubo em escolas“, diz a matéria.
Viola disse que poderiam ter “diferenças mínimas e possivelmente imperceptíveis para o eleitor com as cédulas”, por isso pediu que a ‘Junta Nacional Eleitoral‘ aprove as mesmas “de forma clara e precisa”.
O advogado diz, sobre o candidato de extrema-direita, que “alguém quer tirá-lo de nós ou roubá-lo”.
Mas o chefe da ‘Direção Nacional Eleitoral‘ da Argentina, Marcos Schiavi – que lá seria como o Alexandre de Moares argentino, descartou qualquer possibilidade de fraude ao defender que “o sistema eleitoral é seguro” e que “a Câmara Nacional Eleitoral (CNE), os tribunais, as principais forças políticas, os seus representantes e seus respectivos assessores tecnológicos estão satisfeitos com o processo e tranquilos com a transparência”.
O ‘Xandão‘ argentino quis dizer que as dúvidas apresentadas publicamente por Milei e pelo seu advogado a pedido do procurador González não se refletem no processo seguido pela CNE.
“Existem as tensões inerentes à política, mas temos trabalhado muito bem com os partidos”, disse Schiavi: “É por isso que não creio que seja plausível ou justificado levantar alguns dúvidas sobre alguns pontos do processo”.
Ainda segundo o portal, o advogado de Milei foi processado em 2019 por ter apresentado falsas testemunhas em um caso na Argentina.
