📷 A Polícia Federal cumpriu mandados contra o advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma nova fase da Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos sobre benefícios de aposentados e pensionistas do INSS |•| Imagem reprodução |•| URBS MAGNA
| Brasília (DF)
04 de agosto de 2026
Oadvogado Willer Tomaz, amigo pessoal do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta terça-feira (04/ago), em nova fase da Operação Sem Desconto, que apura a chamada Farra do INSS.
A operação e seu alcance
A Polícia Federal cumpriu, ao todo, 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão, todos autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Além de Willer Tomaz, a diligência também mirou a esposa, a filha e duas irmãs do senador Weverton Rocha (PDT-MA).
Nesta fase, a investigação concentra esforços na apuração de possível lavagem de dinheiro ligada ao esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões, que já havia causado prejuízo bilionário ao INSS.
Willer Tomaz é descrito como um “advogado camaleão”, com trânsito em diferentes espectros políticos de Brasília.
Ele é suspeito de operar lavagem de dinheiro em benefício de Weverton Rocha, além de ter disponibilizado uma aeronave para uso do senador do PDT.
Willer Tomaz não seria formalmente investigado dentro da Operação Sem Desconto — divergência que expõe o quanto os contornos exatos da participação dele na apuração ainda estão em disputa entre as fontes consultadas pela imprensa, mesmo com o mandado de busca cumprido em sua residência confirmado por todos os veículos.
A amizade com Flávio Bolsonaro
O vínculo entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro não é novo. Em 2021, durante as sessões da extinta CPI da Covid, no Senado, o próprio Flávio se referiu publicamente ao advogado como “meu amigo”.
A proximidade seguiu adiante: em maio de 2025, os dois viajaram juntos aos Estados Unidos, com destino à Flórida, a bordo de um jatinho pertencente aos donos do laboratório União Química.
A aeronave também levava a esposa do senador, Fernanda Bolsonaro. À época, Flávio classificou a viagem como de caráter estritamente privado, sem qualquer contrapartida — versão à qual o próprio Willer Tomaz aderiu.
A União Química, dona do jatinho, já havia estado no centro das negociações para a compra de dez milhões de doses da vacina russa Sputnik V pelo Ministério da Saúde, em 2021, durante a gestão do general Eduardo Pazuello — negócio que não avançou depois que a Anvisa negou autorização de uso ao imunizante por falta de dados de segurança.
Um nome que não é estreante em investigações
Willer Tomaz já havia sido preso em 2017, na Operação Patmos, desdobramento das delações da JBS e do grupo J&F, sob acusação de intermediar propinas e obter informações sigilosas da Operação Greenfield com o auxílio de contatos internos.
Em depoimento posterior, o empresário Joesley Batista recuou e afirmou que não havia contratado o advogado com o objetivo de influenciar autoridades públicas.
O episódio se soma a uma lista crescente de nomes próximos ao entorno pessoal de Flávio Bolsonaro que aparecem em investigações de peso — de esquemas de lavagem a fraudes bilionárias contra aposentados.
O caso reforça a relevância de escrutinar não apenas os mandatos eletivos da família Bolsonaro, mas também a rede de relações pessoais e comerciais que os cerca, sobretudo em um ano eleitoral decisivo como 2026.
As defesas de Willer Tomaz e de familiares de Weverton Rocha ainda não se manifestaram publicamente sobre os mandados cumpridos nesta terça-feira.
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