Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

Chanceler argentino renuncia após acordo Trump-Milei: eleição definirá se ‘leão’ do libertário ruge ou encolhe

    Clickable caption
    Milei assina
    Milei assina documento que condiciona liberação de empréstimo dos EUA à Argentina à vitória eleitoral do partido do libertário nas eleições legislativas de 26 de outubro de 2025 / Crédito da imagem: reprodução mídias da Argentina


    EUA condicionou apoio financeiro à vitória do partido do argentino no pleito legislativo de 26 de outubro – OUÇA O PODCAST e LEIA A MATÉRIA


    Player de Podcast – Urbs Magna

    Urbs Magna Podcast

    Crise na Argentina

    0:00 0:00
    🔊
    Clique em play para iniciar


    Buenos Aires, 20 de outubro de 2025

    O chanceler Gerardo Werthein, do governo argentino de Javier Milei, apresentou sua renúncia ao cargo de ministro das Relações Exteriores, efetiva a partir de 27 de outubro – apenas um dia após as eleições legislativas de 26 de outubro, em um movimento que sacode as estruturas do país portenho.

    Fontes internas atribuem a saída a desentendimentos profundos durante a recente cúpula na Casa Branca, onde o presidente Donald Trump condicionou publicamente a liberação de um pacote de US$ 20 bilhões em assistência financeira à vitória do partido La Libertad Avanza nas urnas.

    Essa declaração inesperada gerou pânico nos mercados argentinos, com quedas de até 9% nas ações e 7,4% nos bônus soberanos, e expôs fissuras na comitiva oficial, incluindo críticas veladas a Werthein por falhas na coordenação diplomática.

    A renúncia de Werthein, amplamente discutida em veículos argentinos, surge em meio a uma onda de especulações sobre "ratos pulando do barco" – uma metáfora cruel para deserções no círculo íntimo de Milei.

    Usuários das redes sociais destacaram que os libertários culpam Werthein pelo "desastre" da última reunião com Donald Trump, ecoando rumores de que o chanceler falhou em mitigar o tom eleitoral das falas do republicano.

    Essa percepção de "desastre" não é isolada: analistas apontam que a gafe diplomática acelerou a erosão de confiança, agravando a volatilidade econômica que já pressiona o peso argentino.

    O Contexto da Reunião na Casa Branca:
    De Elogios a Condições Polêmicas

    A cúpula entre Javier Milei e Donald Trump, ocorrida na última terça-feira (14/out), na Casa Branca, era vista como um triunfo simbólico para o libertário argentino.

    Acompanhado por uma delegação de peso – incluindo a secretária geral da Presidência Karina Milei, o ministro da Economia argentino, Luis Caputo, a ministra da Segurança argentina, Patricia Bullrich e o presidente do Banco Central argentino, Santiago BausiliMilei buscava selar um swap de divisas de US$ 20 bilhões, anunciado na semana anterior pelo secretário do Tesouro americano Scott Bessent.

    O objetivo? Fortalecer reservas para pagar vencimentos de dívida externa estimados em US$ 28 bilhões até meados de 2026, aliviando a pressão sobre o mercado de câmbio.

    No entanto, o que começou com elogios efusivos de Trump – chamando Milei de "economista tremendamente talentoso" e prometendo "fazer a Argentina grande novamente" – virou um banho de água fria.

    Durante uma coletiva aberta à imprensa, Trump foi explícito: "Estamos aqui para dar apoio às próximas eleições. Se perde, não seremos generosos".

    A frase, dirigida diretamente a Milei, foi interpretada como um ultimato: o fluxo de dólares depende do desempenho de La Libertad Avanza nas legislativas de meio mandato.

    Segundo o jornal La Nación, Trump repetiu o condicionante três vezes, referindo-se explicitamente aos comícios de outubro, não às presidenciais de 2027, como tentaram reinterpretar fontes oficiais argentinas.

    Patricia Bullrich, presente no encontro, saiu em defesa imediata: "Não é que nos abandonam no dia 26. Trump apoia incondicionalmente os princípios da liberdade, não uma eleição específica", declarou ela em entrevista ao Clarín, no sábado (19/out).

    No entanto, o estrago estava feito. O Infobae relatou que, logo após as falas, a comitiva argentina – incluindo Werthein – se reuniu às pressas na Blair House para conter danos, com Bullrich propondo "movimentos rápidos" para evitar uma crise política mais profunda.

    Trump, por sua vez, reforçou a mensagem em postagem no X: "Espero que o povo argentino apoie Milei nas eleições intermediárias para continuarmos ajudando".

    Essa guinada de Trump, de aliado incondicional a fiador eleitoral, reflete uma estratégia republicana mais ampla: priorizar governos alinhados à agenda anti-socialista, como reportado pelo Página/12.

    Para a Argentina, o impacto foi imediato – e devastador. Mercados interpretaram o episódio como sinal de instabilidade, com o superávit comercial bilateral de US$ 228 milhões em 2024 agora sob risco.

    Raízes Históricas:
    De Encontros Anteriores a Tensões Recorrentes

    Para compreender a profundidade dessa crise, é essencial revisitar encontros prévios entre Milei e Trump, que pavimentaram – e agora minam – a aliança bilateral.

    Em julho de 2024, durante a Cúpula do Mercosul em Buenos Aires, os líderes já sinalizavam proximidade, com Trump facilitando negociações iniciais para um acordo comercial inédito, anunciado em outubro de 2025 pelo ministro da Desregulação argentina, Federico Sturzenegger.

    Esse pacto, focado em exportações argentinas como combustíveis (35% do total para os EUA) e minerais, prometia uma "avalancha de dólares", mas foi eclipsado pelo ultimato eleitoral.

    Mais cedo, em fevereiro de 2025, na CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora), Milei e Trump se reuniram para discutir "reformas econômicas inovadoras", com o americano convidando o argentino à Casa Branca – um gesto que se concretizou agora, mas com resultados ambíguos.

    Em setembro último, na Assembleia Geral da ONU em Nova York, os presidentes fecharam detalhes do swap, com Trump designando Bessent como interlocutor chave.

    Esses episódios, cobertos pelo Infobae, ilustram uma trajetória de otimismo inicial, contrastando com a atual desconfiança: o que era um "respaldo total" virou um cheque condicionado, expondo vulnerabilidades na gestão de Werthein.

    Implicações para as Eleições e o Futuro do Governo Milei

    A renúncia de Werthein não é mero acidente diplomático; é sintoma de um governo à beira do colapso político.

    Com as legislativas a seis dias, La Libertad Avanza enfrenta pesquisas desfavoráveis, agravadas pela derrota em Buenos Aires e denúncias de corrupção no entorno presidencial.

    O chanceler, cuja nomeação em 2024 foi vista como ponte para o establishment, agora é scapegoat: usuários das redes sociais o acusam de "falhar na tradução" das intenções de Trump, forçando Milei a uma defesa pública, com afirmações como: "a situação é claríssima: se o país voltar ao populismo, os EUA nos abandonarão".

    Analistas do Financial Times, citados pelo La Nación, preveem que uma derrota no Congresso enfraquecerá ainda mais o ajuste fiscal de Milei, com o FMI – irônico aliado relutante – como única saída viável.

    Bullrich, candidata ao Senado por La Libertad Avanza, minimiza: "O apoio de Trump é aos princípios, não a uma data".

    Mas o eco das ruas, amplificado nas redes sociais, sugere o contrário: deserções como a de Werthein sinalizam rachaduras irreparáveis.

    Enquanto Washington observa, a Argentina navega em águas turbulentas.

    O fim de semana eleitoral definirá se o "leão" de Milei ruge ou se encolhe – e se o sonho de uma aliança transatlântica resiste ao teste da realidade.



    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

    🗣️💬

    Discover more from Urbs Magna

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading