Os ministros serão presidentes do STF e do TSE respectivamente durante as eleições e serão firmes contra as ameaças do presidente
A ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Rosa Weber, que será presidente da Corte em setembro, e também Alexandre de Moraes, que comandará o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) durante as eleições, “têm uma disposição em comum: atuar de forma firme contra ameaças do presidente Jair Bolsonaro ao Poder Judiciário e ao sistema eleitoral“, avalia Carolina Brígido, no UOL. De acordo com a jornalista, “a dupla deve provocar dores de cabeça em Bolsonaro no segundo semestre“.
De acordo com o texto de Brígido, “a tendência é o STF ficar menos nos holofotes e o TSE se lançar mais na frente de combate ao discurso de Bolsonaro“. Segundo a jornalista, Moraes “deve reforçar o diálogo com pessoas ligadas a Bolsonaro – como o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o procurador-geral da República, Augusto Aras“, em um plano para “tentar promover alguma paz” e, “de quebra, tentar arrebanhar apoio institucional relevante para evitar eventual tentativa de ruptura“, após a provável para LULA.
“Relator de inquéritos no STF que preocupam o Palácio do Planalto, por mirar diretamente o presidente Jair Bolsonaro” e com “carreira política vasta“, além de “boa interlocução na caserna”, o ministro “tem ainda a missão de pacificar os ânimos da Justiça Eleitoral com os militares“, diz a jornalista.
“Rosa Weber também não dá trégua a Bolsonaro“, escreve Brígido, lembrando que, na semana passada, a ministra “autorizou que a PGR (Procuradoria-Geral da República) ouça os depoimentos dos ex-presidentes da Petrobras Roberto Castello Branco e do Banco do Brasil Rubem Novaes. Eles serão questionados sobre conversa que indicaria suposta interferência de Bolsonaro na estatal“.
“O exame dos fatos noticiados na peça exordial permite concluir que a conduta eventualmente criminosa atribuída ao Chefe de Estado teria sido por ele perpetrada no atual desempenho do ofício presidencial“, despachou Rosa.
Na sequência, “Moraes abriu prazo para Bolsonaro explicar supostos discursos de ódio e incitação à violência” e o presidente respondeu com seu habitual ‘choro’ para comover seguidores, afirmando que “estava sendo atacado e que era uma “covardia” contra ele“, de acordo com transcrição da jornalista que lacra:
“A atuação da semana passada dos dois ministros mostra que não haverá trégua ao presidente no próximo semestre“.
