
O senador Jaques Wagner (PT-BA) e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) se abraçam com os rostos colados após a sessão que derrubou a indicação do Presidente Lula de Jorge Messias ao STF
Brasília (DF) 06 de maio de 2026
A maior derrota do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Legislativo completa uma semana, e os bastidores do Senado Federal continuam fervendo.
O líder do governo na Casa, senador Jaques Wagner (PT-BA), quebrou o silêncio nesta quarta-feira (6/mai) para entregar detalhes explosivos sobre a articulação que derrubou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Em entrevista ao ao Bahia Notícias, Wagner afirmou categoricamente que a rejeição de Messias por 42 votos a 34, na quarta-feira (29/abr), não foi fruto do acaso, mas de uma orquestração silenciosa.
“Infelizmente muita gente sorrateiramente trabalhou por debaixo do pano, a gente não se deu conta, não percebeu”, declarou o petista, usando o termo em itálico para definir a estratégia que chamou de “mesquinha”.
Na visão de Wagner, a sabatina, que deveria avaliar apenas o “notório saber jurídico” e a “reputação ilibada” do indicado, foi transformada em um “julgamento do presidente da República”.
A disputa velada por Pacheco e o estremecimento com Alcolumbre
O imbróglio começou meses antes. Quando Barroso se aposentou em outubro de 2025, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pressionou para que Lula escolhesse o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga.
Ao optar por Jorge Messias, Lula gerou um mal-estar que custou caro nos bastidores.
Wagner revelou que essa disputa pessoal levou à articulação que resultou na derrota.
“Infelizmente as pessoas não estavam a fim de saber se ele estava preparado ou não, estavam a fim de dar uma cacetada no presidente. Havia uma torcida por Rodrigo Pacheco”, desabafou o líder, confirmando que setores do Senado usaram o processo para sabotar o Palácio do Planalto.
A relação do governo com o comando da Casa Alta chegou ao ponto de ruptura. O próprio Jaques Wagner admitiu que sua relação com Davi Alcolumbre “ficou muito estremecida” porque o presidente do Senado acreditava que Wagner deveria “arrancar” a mudança de nome de Lula. “Repito: não mando na cabeça do presidente”, afirmou.
O peso do voto secreto e a ‘traição’ de aliados
Um dos pontos mais críticos levantados por Wagner foi a dificuldade de controle devido ao voto secreto. Líder experiente, ele admitiu que o governo foi surpreendido.
“Eu sempre digo que voto secreto é um voto complicado para ter a conta. Eu nunca tinha feito nenhuma conta menor do que 41-42 votos… e na minha opinião as pessoas fizeram uma triste tarde”.
O senador confirmou que houve “traições” de aliados que prometeram voto favorável e, no sigilo da urna, votaram contra o governo.
A derrota, a primeira rejeição a um indicado ao STF em 132 anos – desde o governo Floriano Peixoto deixou marcas profundas. ula demonstrou decepção pessoal, citando digitais do ministro Alexandre de Moraes e de Rodrigo Pacheco na operação que chamou de “vingança”, segundo o SBT News.
O episódio expõe uma fragilidade estrutural na relação entre os Poderes. Ao transformar a avaliação técnica de um jurista em um campo de batalha político-eleitoral (com olho nas eleições de outubro e na sucessão de Minas Gerais), o Senado não apenas feriu a democracia e a prerrogativa constitucional do presidente, mas também criou um precedente perigoso de paralisia.
Com a sabatina rejeitada, o Planalto agora busca um novo nome. Mas aliados de Alcolumbre já avisaram: o único nome que agradaria e faria o processo andar rapidamente seria o do próprio Rodrigo Pacheco – algo que o governo resiste em aceitar.
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