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Derrotado nas legislativas de Buenos Aires, Milei reconhece: “Peronismo é muito forte”

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    Javier Milei
    Javier Milei discursa na sede de seu partido La Liberdad Avanza, em Buenos Aires, após resultados parciais e a definição da derrota de sua legenda |7.9.2025| Imagem reprodução


    Triunfo peronista nas eleições legislativas bonaerenses consolida oposição em meio a desafios econômicos e escândalos nacionais



    Brasília, 08 de setembro de 2025

    Em uma eleição legislativa provincial que se transformou em um termômetro para o cenário político nacional, o Fuerza Patria obteve, neste domingo (7/set), um resultado avassalador na província de Buenos Aires, concentrando cerca de 40% do eleitorado argentino.

    Com 96,33% das mesas escrutinadas, o frente peronista alcançou 47,25% dos votos, superando amplamente a La Libertad Avanza do presidente Javier Milei, que registrou 33,72%.

    Essa diferença de mais de 13 pontos percentuais reflete uma vitória em seis das oito seções eleitorais, incluindo as mais populosas do conurbano, e representa um golpe significativo para o governo central.

    O governador Axel Kicillof, líder do Fuerza Patria, descreveu o dia como “histórico” e uma “vitória aplastante”, destacando a unidade do peronismo apesar de diferenças internas.

    Ele agradeceu explicitamente à ex-presidenta Cristina Kirchner, condenada injustamente em sua visão, e a Sergio Massa, enfatizando que o resultado fortalece a governabilidade provincial para os próximos dois anos.

    Kicillof também projetou ambições futuras, afirmando que “há outro caminho e hoje começamos a percorrê-lo”, em referência clara às perspectivas para 2027.

    Do lado oficialista, Milei admitiu a derrota em discurso no búnker da La Libertad Avanza em La Plata, acompanhado por sua irmã Karina Milei e o consultor Santiago Caputo.

    O presidente reconheceu um “revés eleitoral” e prometeu uma “profunda autocrítica”, mas ratificou o rumo de sua gestão, criticando o peronismo como um “aparelho muito forte”.

    A ausência de uma estratégia eficaz para reverter a imagem desgastada, agravada por escândalos como os áudios de coimas na Agência Nacional de Discapacidad (ANDIS) [que atua focando em assessoramento jurídico e na promoção de políticas para pessoas com deficiência], envolvendo Karina Milei, contribuiu para o resultado negativo.

    A entidade equivale, no Brasil, à Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNDPD), vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).

    Cristina Kirchner, sob prisão domiciliar, celebrou o triunfo de forma pública e simbólica. Ela apareceu no balcão de sua residência em San José 1111, em Recoleta, onde militantes peronistas se reuniram para festejar.

    Em um áudio enviado aos apoiadores, a ex-vice-presidenta alertou: “Deve entender que tem que governar para os que o votaram e para os que não o votaram também. Espero sinceramente que este pronunciamiento popular lhe permita compreender que não se pode exercer a primeira magistratura na forma em que o faz”.

    Seu filho, o deputado Máximo Kirchner, reforçou a mensagem em redes sociais, ironizando os cânticos antiperonistas de Milei durante a campanha.

    Essa eleição marca a oitava derrota consecutiva do governo em pleitos provinciais ao longo de 2025, evidenciando um enfraquecimento progressivo.

    Observa-se que, apesar da polarização, a participação chegou a 63,15% do eleitorado, superior às expectativas, o que beneficiou o peronismo em seus redutos tradicionais.

    Analistas apontam que o impacto do veto presidencial à lei de Emergência em Discapacidade e a inflação persistente, aliada a protestos sociais, aceleraram a queda na aprovação de Milei, que agora enfrenta questionamentos sobre a viabilidade de seu modelo econômico.

    A lei de Emergência em Discapacidade na Argentina foi aprovada pelo Senado em agosto de 2025, mas enfrenta a possibilidade de veto presidencial, e a sua vigência está definida até dezembro de 2026. O objetivo da lei é fortalecer o financiamento e garantir a continuidade das prestações e a qualidade de vida das pessoas com deficiência, assegurando o cumprimento da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que tem estatuto constitucional na Argentina desde 2014. 

    No Senado provincial, o Fuerza Patria conquista maioria própria com 24 bancas, enquanto na Câmara de Diputados mantém a primeira minoria com 39 membros, ampliando sua influência legislativa a partir de 10 de dezembro.

    A vitória também impulsiona a renovação de 1.097 concejales (conselheiros municipais ou vereadores) e 401 conselheiros escolares em municípios chave, consolidando o controle peronista local.

    Para o governo nacional, o revés em Buenos Aires – o distrito mais decisivo do país – sinaliza desafios para as eleições de outubro, onde a La Libertad Avanza precisará replanejar sua estratégia.

    Empresários e economistas, como os consultados pelo JP Morgan, alertam para possíveis turbulências no câmbio e nas reservas, caso o desgaste se aprofunde, embora minimizem o impacto imediato por se tratar de uma eleição provincial.



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    1 comentário em “Derrotado nas legislativas de Buenos Aires, Milei reconhece: “Peronismo é muito forte””

    1. Vania Barbosa Vieira

      Um dia a casa cai. O povo abre os olhos, acorda e deseja mudança. Nesse dia a tirania estremece.😁😁😁

    Os comentários estão fechados.

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