
MAURO VIEIRA deixa o púlpito para o PRESIDENTE LULA após apresentar um resumo da visita da comitiva brasileira à Rússia, durante entrevista coletiva a jornalistas brasileiros que viajaram para realizar a cobertura |10.5.2025| imagem reprodução
Lula reforça laços de paz, comércio e ciência – Brasil e Rússia aproximam-se de 200 anos de relações com parcerias estratégicas – SAIBA MAIS
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Moscou, 10 de maio de 2025
Em um momento de intensificação das relações bilaterais, o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concluiu, neste sábado (10/mai), uma visita oficial de dois dias a Moscou, onde participou das celebrações dos 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial e se reuniu com o presidente russo, Vladimir Putin.
Durante sua tradicional entrevista coletiva ao término de visitas oficiais a outros países, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, fez uma introdução, destacando a relevância da parceria entre Brasil e Rússia, que se aproxima de completar dois séculos em 2028.
A visita reforçou compromissos em comércio, ciência, tecnologia e multilateralismo, além de posicionar o Brasil como mediador no conflito da Ucrânia.
Uma Parceria Estratégica de Longa Data
Segundo Vieira, “Brasil e a Rússia, dentro de três anos, completam 200 anos de relações bilaterais. É uma relação importante, tradicional e ancorada na busca de benefícios mútuos e imposições comuns no plano multilateral. Nós temos uma parceria estratégica desde 2002”.
A parceria, formalizada em 2002, ganhou impulso com a criação da Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação (CAN) em 1997, copresidida pelos vice-presidentes dos dois países.
O mecanismo visa coordenar iniciativas em áreas como política, economia e tecnologia, mas não se reúne desde 2015, o que torna o anúncio de uma nova reunião ainda em 2025 um marco significativo.
Comércio Bilateral em Ascensão
O comércio entre Brasil e Rússia atingiu US$ 12,4 bilhões de janeiro a março de 2025, com o Brasil exportando soja, carne bovina e café, enquanto importa fertilizantes e óleos combustíveis russos, cruciais para o agronegócio.
Vieira enfatizou que “o comércio bilateral é muito importante, […] há um intercâmbio muito robusto e importante, nas commodities com fertilizantes e também energia, importante para a área agrícola”.
Lula discutiu com Putin formas de diversificar esse intercâmbio, aproveitando a reorganização global dos fluxos comerciais.
A Rússia é o quinto maior fornecedor de importações do Brasil, e o governo busca equilibrar a balança comercial, que atualmente favorece Moscou.
Cooperação em Ciência e Tecnologia
A visita também marcou avanços em ciência e tecnologia, com a assinatura de dois memorandos de entendimento pela ministra Luciana Santos.
Vieira destacou que “o Brasil e a Rússia mantêm uma importante cooperação em matéria de ciência e tecnologia, […] com oportunidade de cooperação nas áreas de energia nuclear, exploração do espaço e educação”.
Os acordos abrangem pesquisa em clima, biodiversidade, biotecnologia e tecnologias quânticas, reforçando parcerias entre a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e a Rosatom, além da Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Roscosmos.
Essa cooperação é vista como estratégica para o desenvolvimento industrial brasileiro.
Multilateralismo e o Papel do Brics
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No âmbito multilateral, Brasil e Rússia reforçaram sua defesa de uma ordem global mais equitativa.
Vieira afirmou que “Brasil e Rússia são parceiros em defesa do multilateralismo”, destacando as prioridades da presidência brasileira do Brics em 2025: saúde global, comércio, mudanças climáticas, governança da inteligência artificial, reforma da arquitetura multilateral e paz.
A recente expansão do Brics, que agora conta com 11 membros permanentes e sete parceiros de diálogo, foi elogiada, com a Rússia sendo reconhecida por sua presidência bem-sucedida em 2024.
A primeira reunião de chanceleres do Brics ampliado, realizada no Brasil, marcou o fortalecimento do bloco como alternativa ao G7.
Mediação pela Paz na Ucrânia
Um dos pontos mais sensíveis da visita foi a discussão sobre o conflito na Ucrânia.
Vieira reiterou que “o Brasil colocou-se à disposição para auxiliar no que for de interesse de ambas as partes para contribuir com a construção da paz, inclusive por meio do grupo de amigos da paz, conduzido e criado pelo Brasil e a China”.
Esse grupo, formado no âmbito da ONU, reúne países do Sul Global e busca facilitar negociações.
Lula condenou a invasão russa, mas tem evitado sanções contra Moscou, posicionando o Brasil como neutro e defensor de uma solução diplomática.
Essa postura, no entanto, gerou críticas de opositores, que veem risco de alinhamento com a Rússia.
Repercussão e Próximos Passos
A visita de Lula a Moscou, que incluiu a presença na parada militar do Dia da Vitória, foi interpretada como um sinal de fortalecimento da política externa independente do Brasil.
O compromisso com a paz e a ampliação de parcerias foram reconhecidos por usuários das redes sociais, mas também houve críticas de setores que temem impactos nas relações com os EUA e a UE.
A planejada reunião da Comissão de Alto Nível Bilateral, com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin, reforça a intenção de aprofundar os laços bilaterais em um momento de tensões globais.












