Mídias foram alarmistas sobre patógeno que causa coma e falecimento em até 48 horas, com letalidade entre 40% e 75%, sem vacina ou terapia específica, apesar de listado como prioritário por OMS – ENTENDA
Brasília (DF) · 31 de janeiro de 2026
As autoridades de saúde internacionais mantêm vigilância intensificada após a confirmação de casos do vírus Nipah em Bengala Ocidental, na Índia, uma área populosa adjacente à megacidade de Calcutá.
Detectado em profissionais de saúde, o incidente reacende discussões sobre riscos zoonóticos em um planeta ainda sensibilizado pela Covid-19.
Contudo, avaliações iniciais apontam para contenção bem-sucedida, com mínimo potencial de expansão para uma emergência transnacional.
O vírus Nipah, um henipavírus pertencente à família Paramyxoviridae, propaga-se primordialmente via morcegos frugívoros – reservatórios naturais abundantes em regiões tropicais – ou por intermédio de suínos contaminados, com transmissões humano-humano infrequentes.
Seus sinais iniciais englobam febre elevada, cefaleia, mialgias, vômitos e irritação faríngea, progredindo possivelmente para encefalite grave, coma e falecimento em até 48 horas. A letalidade oscila entre 40% e 75%, sem vacina ou terapia específica, posicionando-o na relação de patógenos prioritários da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Relatos atualizados indicam que o surto atual iniciou-se no final de dezembro de 2025, quando dois enfermeiros – um homem e uma mulher, ambos de 25 anos – do hospital particular Narayana Multispecialty Hospital, em Barasat, aproximadamente 24 quilômetros ao norte de Calcutá, manifestaram sintomas graves.
“Ambos trabalhavam no hospital particular e desenvolveram febre alta e problemas respiratórios entre a véspera de Ano Novo e 2 de janeiro”, reportou no dia 21 de janeiro o jornal The Telegraph, citando Narayan Swaroop Nigam, secretário principal do departamento de saúde e bem-estar familiar de Bengala Ocidental.
Uma das enfermeiras permanece em condição crítica, supostamente infectada ao atender um paciente com complicações respiratórias que veio a óbito antes de exames confirmatórios.
Relatos iniciais de fontes alarmistas sugeriram cinco infecções, incluindo um médico e outros profissionais. No entanto, confirmações oficiais da OMS e do governo indiano, coo as divulgadas no The Indian Express na quarta-feira (28/jan), limitam o total a dois casos positivos laboratoriais, com 196 contatos monitorados e todos negativos. A notícia replicada Associated Press.
Nações vizinhas, como Tailândia e Malásia, reforçaram inspeções aeroportuárias com termômetros infravermelhos, rememorando medidas da era pandêmica.
Nesta sexta-feira (30/jan), a OMS categorizou o risco global como baixo, enfatizando a ausência de difusão internacional e a delimitação histórica do vírus ao Sudeste Asiático.
No Brasil, o Ministério da Saúde divulgou, também nesta sexta-feira (30/jan), uma nota técnica, sublinhando que o Nipah não constitui ameaça imediata.
O monitoramento ocorre em coordenação com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Evandro Chagas, alinhado à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
Especialistas como Rajeev Jayadevan, ex-presidente da Associação Médica Indiana, reiteram que infecções humanas são raras, comumente associadas ao consumo de alimentos contaminados por morcegos.
“O risco pode ser reduzido evitando contato com porcos e morcegos, e não bebendo seiva de tâmara crua”, advertiu ele em entrevista à Veja Saúde.
Historicamente, o Nipah surgiu em 1999 na Malásia e Singapura, acometendo criadores de suínos, e provocou surtos recorrentes na Índia e Bangladesh. Desde 2018, Kerala registrou incidentes severos, com 17 mortes em um episódio isolado.
Até dezembro de 2025, acumulam-se cerca de 750 casos globais com 415 óbitos, conforme a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI).
A inquietude com zoonoses amplifica-se por intervenções humanas em ecossistemas selvagens, mas progressos em vacinas para animais e humanos, priorizados pela OMS, inspiram otimismo.

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