OMS considera alarmante a situação do país, que até quinta tinha 1.066 casos de varíola dos macados – doença classificada como emergência pública de preocupação global
O Brasil registrou na sexta-feira (29/7), em Uberlândia (Minas Gerais), a primeira morte por varíola de macacos, cujo vírus causador da doença é conhecido como monkeypox. Foi a primeira de que se teve notícia fora da África, onde este ano a doença é endêmica. Naquele continente, ocorreram cinco mortes, desde janeiro.
Segundo o Ministério da Saúde do governo Bolsonaro, o país já tinha até quinta (28/7) 1.066 casos confirmados da doença. Em 9 de julho, eram 218 casos.
Na sexta (29/7), a Espanha anunciou sua primeira morte associada à doença no país – que seria também a primeira noticiada no continente europeu. Nenhum dos óbitos – do Brasil e da Espanha – haviam sido incluídos no painel da OMS sobre a varíola dos macacos até a tarde da mesma data.
A doença foi classificada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como emergência pública de preocupação global. A entidade também já declarou que considera a situação do Brasil para a doença como alarmante.
O aumento de casos confirmados e suspeitos de varíola dos macacos no Brasil começa a sobrecarregar laboratórios referenciados para o diagnóstico da doença, conforme mostrou matéria na Folha de S. Paulo. Para evitar um descontrole sobre a disseminação do vírus, eles pedem para que o Ministério da Saúde credencie mais locais para a testagem.
Especialistas alertam que a baixa capacidade de testagem prejudica a identificação dos casos e, consequentemente, o controle da disseminação do vírus.
Monkeypox
Pouco se sabe sobre a origem desse vírus, assim como o seu reservatório na natureza ainda é desconhecido. O primeiro registro do monkeypox é de 1958, em macacos, em um laboratório dinamarquês.
Trata-se de uma doença zoonótica – infecciosa e capaz de ser transmitida de animais para humanos, mas há muitos casos de transmissão entre seres humanos que não tiveram contato com animais contaminados nem que estiveram em regiões endêmicas na África. Até então, os casos de varíola símia notificados no mundo costumavam estar relacionados ao contato com animais infectados em áreas endêmicas.
Uma publicação no Correio24horas mostra que a varíola humana, mais conhecida até então, foi erradicada em todo o mundo em 1980, e desde 1977, não há ocorrências de casos naturais, enquanto a monkeypox ainda é endêmica em alguns países da África. A letalidade da varíola humana chegava a ficar até 30 e 40% dos infectados, enquanto a varíola dos macacos tem sintomas mais leves.
As lesões cutâneas são alguns dos sintomas mais conhecidos, mas não são os únicos. Há, ainda, febre, dor de cabeça, dor muscular, gânglios inchados, calafrios e sensação de exaustão.
Em geral, a pessoa se cura sozinha, depois de um período de duas a quatro semanas. É preciso esperar que toda a crosta das lesões desapareça, porque ela ainda tem o vírus. Somente após isso a pessoa pode sair do isolamento. Já existem antivirais licenciados para a monkeypox em casos graves nos Estados Unidos e na Europa.
Há dois subtipos do vírus da varíola símia. O primeiro é o que circula na África Central e tem letalidade de até 10%. Já o outro é o que circula no Oeste africano, com letalidade em torno de 1%, de acordo com a documentação das ocorrências naquela região. Todos os casos identificados até agora neste surto são do segundo subtipo, menos letal.
No relatório mais recente da OMS, divulgado no último dia 25, a entidade listou mais de 16 mil casos contabilizados no mundo, desde janeiro de 2022, e cinco mortes – todas no continente africano. Na última sexta-feira, com a confirmação do Brasil, o número de mortes no mundo em 2022 chegou a seis.
