Venezuelanos têm energia elétrica mais barata do Cone Sul. Uruguaios, a mais cara

16/01/2021 0 Por Adriana Farias

Relatório da CEPAL (Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe) destaca desigualdade do preço da eletricidade no continente. Famílias do país com taxa mais cara pagam dez vezes mais que nos países com taxas mais baratas. O estudo também alerta para os efeitos dessa desigualdade em tempos de pandemia

SPUTNIK: A desigualdade que normalmente se atribui à América Latina pode ser encontrada nos mais diversos setores. Uma delas é a tarifa de energia elétrica, campo em que, por exemplo, o país com a tarifa mais cara da região tem preços dez vezes maiores que o país com as tarifas mais baratas.

O relatório da Cepal emitido em dezembro de 2020 avaliou alguns parâmetros como diferenças de consumo nas residências, como por exemplo, consumo médio mensal de 30 kW/h, 125 kW/h e 300 kW/h. O país com tarifas mais caras é o Uruguai e com as tarifas mais baratas é a Venezuela.

O Brasil, apesar de responder por diversas fontes de energia elétrica, se situa no meio termo da lista dos países da AL, ocupando a 10ª posição.

Há algumas discrepâncias. Por exemplo: uma família do Uruguai, cuja média de consumo é de 30 kW/h por mês, costuma pagar 47,5 centavos de dólar por 1 kW/h enquanto que o mesmo consumo de uma família da Venezuela é de 0,8 centavos de dólar por 1 kW/h. Nesse contexto, o Uruguai paga 10 vezes mais caro que sua vizinha Argentina, cuja tarifação é cerca de 4,8 centavos de dólar por kW/h.

A diferença dos preços entre os países estão relacionados com a fonte energética. Nos países com custos mais baratos, a geração de energia é proveniente do gás natural, que costuma ser mais barato que fontes de combustíveis líquidos.

Apesar da geração de energia do Uruguai ter maior participação de fontes renováveis (cerca de 40%), esse custo “mais barato” não foi adaptado ao bolso do consumidor.

Também foi ponderado a aplicação de subsídios na intenção de amenizar o preço da tarifa da energia elétrica na renda familiar. O relatório aponta que Argentina, México e Equador são os que contribuem mais nesse sentido.

No que se refere à pandemia, o relatório da CEPAL dedicou um capítulo convidando para uma reflexão: a crise econômica gerada pela pandemia irá impactar nas famílias mais pobres. E recomenda que haja uma conscientização dos governantes acerca de políticas públicas que visam aumentar os subsídios às família carentes já que, segundo estimativas, a América Latina ganhou 45 milhões de novos pobres e 28 milhões de pessoas que se encontram em extrema pobreza e considera que “é de se esperar que o serviço de eletricidade ganhe maior participação nos gastos das famílias e isso agravará o problema de tarifação do serviço de eletricidade”.

As famílias pobres do Uruguai pagarão três vezes mais caro que as famílias pobres da Argentina, Equador e Venezuela enquanto que as famílias pobres do Chile pagarão duas vezes mais que nos três países usados como parâmetro, caso nenhuma medida seja tomada pelos chefes de Estado.

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