ARRASTE 0%
Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
```html ```
Avançar para o conteúdo

Venezuelanos estão respondendo a cinco perguntas em referendo sobre disputa territorial com a Guiana

    Receba notícias do Canal Urbs Magna no WhatsApp

    Essequibo ocupa 75% dos 215 mil quilômetros quadrados do território guianês – área é reivindicada pela Venezuela desde meados do século 19

    Os venezuelanos estão sendo consultados, neste domingo (3/12), sobre a disputa territorial de seu país com a vizinha Guiana.

    A população está opinando em um referendo popular que contém cinco perguntas envolvendo a questão sobre a região de Essequibo, que ocupa 75% dos 215 mil quilômetros quadrados do território guianês.

    Essa a área é reivindicada pela Venezuela desde meados do século 19.

    O governo da Venezuela investiu na campanha estimulando os eleitores a votar e a responder “sim” para todas as perguntas.

    Uma das questões é sobre se a Venezuela deve rechaçar a atual fronteira entre os dois países, já que o governo defende que o novo limite seja o rio Essequibo, contrariando uma lei.

    A Guiana tem o controle efetivo dos 160 mil quadrados  de território a oeste do rio Essequibo, desde a demarcação da fronteira em 1905 – quando ainda era colônia britânica -, entre Venezuela e Reino Unido, conforme diz a matéria no site ‘Agência Brasil‘.

    Mas a Venezuela não reconhece a atual fronteira porque, segundo a posição oficial do governo do país, foi definida de forma fraudulenta pelo Laudo Arbitral de Paris, em 1899, apesar de os venezuelanos terem aceitado a mediação do tribunal arbitral e o resultado do laudo por várias décadas. 

    O eleitor venezuelano também está sendo questionado sobre se apoia que Essequibo se torne efetivamente um estado da Venezuela.

    Hoje, a área, também conhecida como Guiana Essequiba, aparece como “Zona en Reclamación”, ou seja, um território reivindicado nos mapas oficiais do país.

    Se disser “sim”, o eleitor também concordará em conceder cidadania venezuelana a todos que vivem atualmente em Essequibo.

    O referendo também questiona o eleitor sobre se está de acordo a se “opor, por todos os meios, de acordo com a lei, à pretensão da Guiana de dispor unilateralmente de um mar pendente de delimitação”.

    A costa da Guiana em questão inclui parte do campo de Stabroek, com reservas estimadas em cerca de 11 bilhões de barris de petróleo, região que atualmente é explorada em parceria com companhias como a norte-americana ExxonMobil e a chinesa CNOOC.

    A questão fronteiriça está sendo analisada, desde 2018, pela Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia, por orientação do secretariado-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), mas a Venezuela não aceita a jurisdição do tribunal sobre o tema. 

    Para os venezuelanos, o único instrumento válido sobre a questão da fronteira é o Acordo de Genebra, de 1966, assinado meses antes da independência da Guiana, entre Venezuela e o antigo poder colonial. 

    O texto prevê que os dois países busquem as alternativas pacíficas previstas pela Carta das Nações Unidas para resolver a controvérsia. 

    E as outras duas perguntas são justamente sobre esses assuntos, ao questionar se os venezuelanos aceitam o Acordo de Genebra de 1966 como único instrumento capaz de resolver a controvérsia e se eles concordam com “a posição histórica da Venezuela de não reconhecer a jurisdição da Corte Internacional de Justiça” sobre a questão fronteiriça. 

    A Guiana diz não ter dúvidas sobre a validade do Laudo Arbitral e da fronteira terrestre, que, segundo nota divulgada pelo governo guianês, “a Venezuela aceitou e reconheceu como sua fronteira internacional por mais de 60 anos“.

    O Brasil, que faz fronteira com o território contestado, deseja que os dois países encontrem uma solução diplomática e pacífica para a controvérsia, mas vê com preocupação a tensão entre a Venezuela e a Guiana.

    O Ministério da Defesa informou que reforçou as fronteiras com ambos [países], ampliando o número de militares na região.

    文