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    Quase 50 mil desaparecidos na Venezuela: resgate desesperado nos escombros ainda pode salvar vidas

    — calculando —
    Destruição em La Guaira após terremoto na Venezuela

    📷 Imagem aérea mostra topo de prédio destruído em La Guaira – cidade venezuelana capital do estado de Vargas e do município de Vargas, a 26 km de Caracas – capital do país / @ldamonte/Instagram

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | La Guaira (VE)
    28 de junho de 2026

    O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, informou em balanço oficial que o número de mortos na Venezuela chegou a 1.430, com mais de 3.238 feridos e 3.142 famílias em abrigos.

    Dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 sacudiram o norte do país vizinho na quarta-feira (24/jun), com epicentro próximo a San Felipe e Yumare, no estado de Yaracuy.

    O segundo tremor ocorreu apenas 39 segundos após o primeiro, gerando destruição generalizada em La Guaira, Caracas, Carabobo, Miranda e regiões vizinhas.

    “Diariamente é avaliado de maneira técnica…”, declarou Jorge Rodríguez ao El Universal, destacando a distribuição de mais de 220 mil refeições quentes e 7.200 toneladas de alimentos.

    Presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez / El Universal

    A ONU, por meio do secretário-geral adjunto de Assuntos Humanitários Tom Fletcher, alertou que mais de 50 mil pessoas permanecem desaparecidas. Plataformas cidadãs como Desaparecidos Terremoto Venezuela registram atualmente 49.932 desaparecidos, após depuração de duplicatas.

    “Se trata de uma operação de resgate extremamente complexa. Há mais de 50 mil pessoas desaparecidas”, afirmou Tom Fletcher à AFP.

    O evento principal foi um terremoto de magnitude 7,5, informou o sistema oficial de alerta de tsunamis dos EUA | EFE

    Equipes de resgate, incluindo voluntários e apoio internacional, trabalham sem parar nos escombros de La Guaira, onde muitos edifícios desabaram.

    A presidenta encarregada Delcy Rodríguez decretou estado de emergência nacional logo após o evento.

    O El Universal acompanhou de perto a evolução dos números e a chegada de suprimentos aos centros de acopio em Caracas. O El Nacional destacou o papel das plataformas cidadãs no registro dos desaparecidos, num contexto de desafios na comunicação oficial.

    As buscas continuam contra o relógio, com após-choques ainda registrados.

    A prioridade permanece localizar sobreviventes antes que o tempo reduza as chances de resgate.

    © PMA/Gustavo Vera Equipes de emergência procuram sobreviventes em um prédio que desabou.

    O sistema de saúde em Caracas está completamente colapsado e sobrecarregado devido ao fluxo massivo de feridos, enquanto uma operação de resgate internacional sem precedentes corre contra o tempo.

    Uma mulher observa um prédio danificado por um terremoto em La Guaira, Venezuela, em 27 de junho de 2026. /VCG

    O cruzamento de dados oficiais e agências humanitárias detalha o cenário crítico em ambas as frentes:

    Situação dos Hospitais em Caracas

    Rede de Emergência:
    O Ministério da Saúde ativou uma rede unificada de 8 hospitais públicos e pelo menos 10 clínicas privadas na Grande Caracas para centralizar a triagem e cirurgias.

    Falta de Insumos:
    Entidades como o Médicos Sem Fronteiras (MSF) distribuíram kits de trauma urgentes, mas há escassez crítica de medicamentos básicos, anestésicos, gazes e materiais cirúrgicos.

    Estruturas Comprometidas:
    O Hospital Infantil Dr. J.M. de los Ríos (principal pediatria do país) sofreu danos estruturais e opera apenas parcialmente, forçando a transferência de crianças críticas. Nos demais hospitais, como o Pérez Carreño e o José María Vargas, os atendimentos improvisados migraram para corredores e pátios.

    Crise Pré-existente:
    Médicos locais relembram que os hospitais já enfrentavam uma severa emergência humanitária antes do desastre, agravando as consequências do sismo.

    Andamento das Equipes Internacionais de Resgate

    Mobilização Global:
    Sob a coordenação do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), já são 44 equipes internacionais de Busca e Resgate Urbano (USAR) atuando no terreno. Isso soma mais de 2.200 especialistas e 140 cães farejadores de 27 países.

    Quem está ajudando:
    Países como Brasil, Colômbia, México, Estados Unidos, El Salvador, Espanha, Itália, França e Suíça enviaram militares e bombeiros. O governo dos EUA inclusive relaxou sanções econômicas e enviou dois navios militares com suporte aéreo.

    Obstáculos Logísticos:
    Como o Aeroporto Internacional de Caracas está fechado para voos comerciais, aeronaves de ajuda estão pousando estritamente em bases militares.

    A Corrida Contra o Relógio:
    Os socorristas superaram a janela crítica de 72 horas, mas continuam cavando. O maior desafio em Caracas e La Guaira são os desabamentos em “panqueca” (lajes sobrepostas), exigindo guindastes e maquinário pesado que ainda faltam em muitas comunidades.

    Imagens mostram um panorama curto de trecho em La Guaira

    Crédito: @ldamonte/Instagram


    Especialistas explicam a causa

    Segundo especialistas, os dois fortes terremotos ocorreram com um intervalo de um minuto entre si, tendo sido causados ​​por movimentos ao longo de dois sistemas de falhas interligados na fronteira entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul.

    O IKCEST – portal global de serviços de conhecimento em engenharia e tecnologia aplicada, gerido pela Academia Chinesa de Engenharia sob a chancela da UNESCO, endossou neste domingo (28/jun) um artigo do site chinês CGTN, cuja matéria também é da mesma data.

    Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), um terremoto de magnitude 7,1 atingiu as proximidades de Montalbán, na Venezuela, em 24 de junho, seguido, menos de um minuto depois, por um tremor de magnitude 7,5. A magnitude do primeiro terremoto foi posteriormente revisada para 7,2.

    Qu Guosheng, ex-engenheiro-chefe do Centro de Busca e Resgate de Emergência de Terremotos da China, disse à Agência de Notícias da China que o primeiro terremoto, de magnitude 7,2, ocorreu ao longo da Falha da Cordilheira Central, uma falha transcorrente na extremidade leste da Cordilheira dos Andes.

    Esta imagem destaca os limites geológicos da Placa Sul-Americana, uma das principais placas tectônicas da Terra. A linha amarela contínua demarca o seu contorno completo, mostrando que ela centraliza e abrange todo o continente da América do Sul e uma vasta porção do fundo do Oceano Atlântico Sul. Em suas fronteiras, a placa faz um limite convergente a oeste com a Placa de Nazca, localizada no Oceano Pacífico, gerando intensa atividade sísmica e a formação da Cordilheira dos Andes. A leste, o limite é divergente com a Placa Africana, situado na Dorsal Mesoatlântica, onde as duas se afastam continuamente. As linhas amarelas tracejadas indicam as divisões das demais placas vizinhas que cercam a região. Na parte norte e central, encontram-se a Placa das Caraíbas (ou do Caribe), a Placa Norte-Americana e a pequena Placa de Cocos, situada a oeste da América Central. Na borda lateral esquerda do mapa, visualiza-se a Placa do Pacífico, enquanto o extremo sul é delimitado pela pequena Placa de Scotia, logo abaixo da Terra do Fogo, e pela gigantesca Placa Antártica na base inferior / ARTE URBS MAGNA


    A ruptura propagou-se para nordeste e, posteriormente, desencadeou movimento ao longo do sistema de falhas Boconó-San Sebastián-El Pilar, uma zona de falhas transcorrentes com orientação leste-oeste, resultando no segundo terremoto.

    Sergio Barrientos, diretor do Centro Sismológico Nacional da Universidade do Chile, afirmou que Caracas e as áreas circundantes sofreram vários terremotos de grande magnitude ao longo da história, porque a região fica na fronteira entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul.

    Barrientos observou que grandes terremotos atingiram Caracas em 1812, 1900 e 1967.

    O movimento relativo da Placa Caribenha em relação à Placa Sul-Americana, que se desloca cerca de dois centímetros por ano, acumula gradualmente tensão na crosta terrestre.

    Quando a tensão acumulada excede a resistência das rochas, a crosta se rompe ao longo do limite da placa, desencadeando terremotos. Ele afirmou que os dois terremotos recentes foram causados ​​pelo mesmo processo tectônico.

    Barrientos acrescentou que ambos os terremotos foram superficiais e ocorreram ao longo de falhas quase verticais, permitindo que o movimento entre as placas tectônicas liberasse uma quantidade substancial de energia, contribuindo para um número significativo de vítimas e danos materiais.

    Os dois terremotos, ambos com magnitude superior a 7, suscitaram preocupações sobre se a Terra está entrando em um período de maior atividade sísmica.

    No entanto, Barrientos afirmou que as estatísticas globais sugerem que terremotos dessa magnitude estão dentro da faixa normal de atividade tectônica.

    Em média, ocorre um terremoto de magnitude 8 ou superior por ano em todo o mundo, afirmou ele. Estatisticamente, cada terremoto de magnitude 8 é acompanhado por cerca de 10 terremotos de magnitude 7, 100 terremotos de magnitude 6 e 1.000 terremotos de magnitude 5 no mesmo período.

    Barrientos disse que terremotos da magnitude registrada na Venezuela são um fenômeno geológico normal, particularmente dentro do Anel de Fogo do Pacífico, uma região sismicamente ativa, e em outras regiões tectonicamente ativas.

    FAQ Rápido

    Quantas pessoas morreram nos terremotos na Venezuela?
    O balanço oficial mais recente, apresentado por Jorge Rodríguez, registra 1.430 mortes.

    Quantos desaparecidos há após o terremoto na Venezuela?
    A ONU estima mais de 50 mil pessoas com paradeiro desconhecido. Plataformas cidadãs apontam 49.932 desaparecidos.

    Qual foi a magnitude dos terremotos?
    Dois tremores consecutivos: 7,2 seguido de 7,5, ocorridos na quarta-feira (24/jun) com epicentro em Yaracuy.



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