Presidente do país acusou potências ocidentais de usarem prêmios para interferir em soberanias
Caracas, 14 de outubro 2025
O governo de Nicolás Maduro anunciou o fechamento da Embaixada da Venezuela em Oslo, logo após a premiação de Maria Corina Machado com o Prêmio Nobel da Paz de 2025.
A decisão surge em um contexto de escalada de atritos entre Caracas e Estocolmo, com o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela citando uma “reorganização interna” como justificativa oficial – uma fórmula diplomática que analistas veem como eufemismo para boicote político.
A notícia explodiu nas redes e portais venezuelanos, onde fontes locais destacam o timing suspeito: o Nobel, concedido na semana passada pela Academia Nobel em reconhecimento à luta de Machado pela democracia e direitos humanos no país sul-americano, já havia irritado o chavismo.
“Esta reorganização permite otimizar recursos em um momento de desafios globais”, declarou um comunicado oficial do ministério, sem menção direta ao prêmio ou à opositora.
No entanto, o fechamento impacta diretamente as relações bilaterais, afetando vistos, comércio e canais de diálogo humanitário com a Noruega, nação escandinava conhecida por sua mediação em crises latino-americanas.
A medida não é isolada. Maduro, em discurso recente, acusou potências ocidentais de usarem prêmios como o Nobel para interferir em soberanias.
O Ministério das Relações Exteriores enfatiza que a embaixada será temporariamente suspensa, com serviços consulares redirecionados para outras capitais europeias.
Mas, nos bastidores, diplomatas consultados por fontes venezuelanas sussurram sobre uma resposta mais ampla: sanções retaliatórias contra embaixadas norueguesas na região poderiam estar em gestação.
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Maria Corina Machado, líder da oposição e figura central na coalizão anti-Maduro, reagiu via redes sociais, chamando a ação de “isolamento autoimposto” que só reforça o clamor internacional por mudança na Venezuela.
Seu Nobel, o primeiro para uma venezuelana em categoria de paz, premiou não só sua resiliência – após anos de proibições políticas e exílio forçado –, mas também o movimento popular que desafia o regime há mais de uma década.
A premiação, anunciada em 10 de outubro, incluiu uma menção especial à crise humanitária no país, com milhões de refugiados e violações de direitos documentadas pela ONU.
Portais venezuelanos como Últimas Noticias e El Nacional publicaram análises exclusivas, destacando como o fechamento pode agravar a escassez de divisas e o isolamento econômico.
Já o Correo del Orinoco, voz oficial do governo, enquadrou a notícia como estratégia pragmática, ignorando o Nobel.
Esses relatos pintam um quadro de polarização: enquanto apoiadores de Maduro veem defesa de soberania, críticos apontam para um erro estratégico que afasta aliados potenciais em negociações de dívida.
Especialistas em relações internacionais preveem ramificações.
A Noruega, que já congelou ativos venezuelanos em 2019 como parte de sanções lideradas pela UE, pode responder com medidas recíprocas, complicando o acesso de venezuelanos na Europa a auxílios.







