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A solidão de Maduro sob a mira de Trump e o ‘silêncio estratégico’ de Lula para evitar a guerra

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    Nicolás Maduro
    Nicolás Maduro em uma manifestação recente em Caracas protesta contra ameaças dos EUA / Foto: Gaby Oraa/Reuters


    Rússia, China e Irã se afastaram da Venezuela no auge do impasse; apesar de dura retórica antiamericana, países decidiram não intervir no conflito; Brasil acha invasão improvável e vê tática do Pentágono



    Brasília, 02 de dezembro 2025

    A estratégia de defesa da Venezuela, que buscou construir uma rede de parcerias com potências globais historicamente desalinhadas com Washington, é submetida ao seu teste mais severo.

    Uma publicação recente do Wall Street Journal sugere que a aliança forjada ao longo de duas décadas com Rússia, China, Cuba e Irã não teria se configurado como uma dissuasão militar eficaz.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.

    O contexto dessa pressão envolve o aumento da presença naval dos Estados Unidos (EUA) e a retórica agressiva do presidente Donald Trump, que visa forçar uma transição política em Caracas.

    De acordo com a análise, os aliados do bloco oferecem, neste cenário, pouco mais que suporte protocolar.

    Enquanto uma flotilha americana cerca a região, a publicação destaca que a resposta dos parceiros limitou-se a felicitações pelo aniversário de Nicolás Maduro, ocorrido em 23 de novembro.

    O Custo Humano e as Alegações de Legalidade

    A situação no terreno é de elevada tensão. Trump mantém a ambiguidade sobre uma invasão total, mas uma campanha de três meses de bombardeios contra embarcações no Caribe e no Pacífico já resultou em mais de 80 mortes.

    Oficialmente, os EUA alegam combater o narcotráfico ligado a organizações terroristas. No entanto, o relato admite que críticos denunciam as ações como “execuções extrajudiciais”, o que tem gerado cautela até mesmo em aliados tradicionais de inteligência dos americanos.

    A inércia das superpotências aliadas expõe o limite prático desse eixo de cooperação. Ryan C. Berg, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais em Washington, é citado: “O chamado eixo do autoritarismo parece muito mais forte em tempos de paz. Ele se mostrou um tanto frágil em momentos de necessidade”.

    • Prioridades de Mercado: Tanto Rússia quanto China priorizam, neste momento, negociações comerciais e diplomáticas com a Casa Branca. A Rússia, envolvida no conflito na Ucrânia, e a China, lidando com fragilidade econômica interna, demonstram ter pouco incentivo para um engajamento mais profundo na defesa da Venezuela.
    • Comércio e Dívida: O apoio logístico resume-se à manutenção de sistemas de mísseis e envio pontual de nafta e óleo leve por petroleiros russos. A relação econômica com a China, que já enviou mais de US$ 30 bilhões em armas desde os anos 2000, estaria atualmente focada na cobrança de dívidas. O ex-vice-ministro de Energia venezuelano, Evanán Romero, sugere que “O petróleo não iria para a China se os EUA se abrissem”.

    O Espaço para Mediação e o “Silêncio Estratégico” do Brasil

    Em meio à escalada, o Brasil adota uma postura de extrema cautela diplomática. Segundo apuração da CNN Brasil, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva optou pelo “silêncio diplomático” em relação às ameaças de fechamento do espaço aéreo feitas por Trump.

    O Itamaraty decidiu que só elevará o tom caso ocorra um ataque efetivo ao território venezuelano, distinguindo invasão de incidentes em águas internacionais. Essa postura visa, antes de tudo, preservar a capacidade de interlocução do Brasil na crise.

    Durante uma reunião na Malásia em outubro, Lula entregou a Trump uma proposta por escrito para atuar como mediador.

    Fontes do Palácio do Planalto avaliam que uma invasão terrestre americana é improvável e veem a escalada atual como uma tática de pressão para fraturar o apoio das Forças Armadas a Maduro.

    Soberania e a Abertura Humanitária

    No front interno, Maduro reagiu com retórica inflamada, afirmando que não aceitará “nem a paz dos escravos nem a paz das colônias”, rejeitando interferências externas sob a bandeira da soberania nacional.

    A vitória de Trump e o não reconhecimento dos resultados eleitorais venezuelanos de 2024 agravaram o cenário.

    Em um movimento que pode ser interpretado como pragmatismo, a cooperação migratória avançou de maneira surpreendente. O governo venezuelano aprovou, nesta terça-feira (02/dez), a retomada de voos de repatriação vindos dos EUA.

    A Autoridade Aeronáutica da Venezuela autorizou o pouso de um voo da Eastern Airlines, partindo de Phoenix para Maiquetia, atendendo a um pedido de Washington.

    Este avanço ocorre dias após Caracas ter considerado o programa suspenso devido à declaração de Trump de que o espaço aéreo venezuelano deveria ser considerado “fechado em sua totalidade”. Entre fevereiro e novembro, cerca de 14 mil venezuelanos já retornaram ao país através deste mecanismo, em meio à dura política imigratória republicana.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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    3 comentários em “A solidão de Maduro sob a mira de Trump e o ‘silêncio estratégico’ de Lula para evitar a guerra”

    1. REINALDO GONCALVES DA CRUZ

      Essa agressão americana não é contra a Venezuela, a América do Sul está sendo ameaçada, não temos bombas atômicas, não temos Orgivas nucleares, precisamos de proteções, China e Rússia são os únicos que podem livrar-mos, desse DEMÔNIO americano.
      SOS AMÉRICA DO SUL

    2. O autor do texto do Wall Street Journal dá por conhecida “a fragilidade interna da economia chinesa. Este jornalista do WSJ deve ser um baita analista com fontes que ninguém mais tem.
      O compasso de espera dos chineses, também está numa posição estratégica, ou alguém acha que o pentágono não está de olho nesse suposto silêncio chinês?

    3. ELIZIO CARLOS COTRIM

      A ONU seria o órgão a se recorrer, mas como a organização se encontr mais destruída do que nunca pelas mãos dos yankees, e também dos europeus, então Maduro está enfrentando um certo isolamento. Brasil, Rússia, China e Irã somente irão se manifestar após uma efetiva agressão. Manifestar antes seria estrategicamente improdutivo!

      Vamos aguardar!!!

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