Venezuela resiste, instala Conselho de Defesa da Nação e exige devolução de Maduro: “Único presidente”
Delcy Rodríguez acusa EUA de “agressão militar” e sequestro de Nicolás Maduro em discurso na tarde deste sábado (3/dez); vice-presidente anuncia decreto de comoção externa e promove resistência unida de civis e militares – LEIA ÍNTEGRA
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Delcy Rodríguez – Vice-Presidente da Venezuela
Caracas, Venezuela · 03 de janeiro de 2026
Em um pronunciamento divulgado oficialmente, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, realizou graves acusações contra o governo dos Estados Unidos durante a instalação do Conselho de Defesa da Nação.
Rodríguez afirmou que, nas primeiras horas deste sábado (3/jan), “o governo dos Estados Unidos lançou uma agressão militar sem precedentes contra a República Bolivariana da Venezuela“, resultando na captura do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.
A declaração, transmitida por canais oficiais, descreve o evento como um momento crítico. “Já vínhamos advertindo que estava em curso uma agressão sob falsas desculpas… o objetivo era a mudança de regime na Venezuela para permitir a captura de nossos recursos energéticos, minerais e naturais”, declarou Rodríguez, reunida com altas autoridades do Estado.
Estavam presentes o presidente do Poder Legislativo, Dr. Jorge Rodríguez; a presidenta do Poder Judiciário, Dra. Carilia Beatriz; o Procurador-Geral, Tarek William Saab; além do Ministro da Defesa e o Chanceler, entre outros.
A vice-presidente exigiu a “imediata libertação” de Maduro, a quem se refere como o “único presidente da Venezuela”, e anunciou a ativação de um plano de resistência.
“Aqui está o alto comando militar e do Estado… Mas também nas ruas há um povo ativado”, disse, citando um suposto chamado prévio do presidente. Ela afirmou que as Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) está “implantada em todo o território nacional” para resguardar a soberania.
Rodríguez buscou enquadrar o fato no direito internacional, afirmando que a ação viola “flagrantemente os artigos 1 e 2 da Carta das Nações Unidas”, e fez um apelo à união nacional.
“Chamamos o povo venezuelano a manter a calma para enfrentarmos juntos, em perfeita união nacional entre civis, militares e policiais, a defesa da nossa amada Venezuela”, disse.
Um dos pontos centrais do anúncio foi a revelação de que um “decreto já assinado pelo presidente Maduro” está sendo entregue à presidenta do Tribunal Supremo de Justiça para validar um estado de “comoção externa”.
“Este Conselho aguarda que a Sala Constitucional valide, nas próximas horas, o decreto… para que seja executado imediatamente”, afirmou, sinalizando medidas excepcionais de defesa.
A fala também teve um forte tom geopolítico e histórico. Rodríguez citou apoio de governos da China, Rússia, outros países da América Latina, do Caribe, da África e da Ásia, e evocou a luta pela independência.
“Como disse nosso pai libertador na Carta da Jamaica: ‘o véu se rasgou, já vimos a luz e pretendem nos devolver às trevas’. As correntes foram rompidas e jamais voltaremos a ser escravos”, declarou, referindo-se a Simón Bolívar (1783-1830) – militar e líder político venezuelano, primeiro a apoiar a descolonização.
Ela encerrou com um alerta à região: “chamamos os demais povos a se manterem unidos, pois o que fizeram hoje com a Venezuela podem fazer com qualquer outro país”.
A mensagem final foi de resistência: “o povo venezuelano, com sua paciência estratégica, saberá encontrar o caminho para a defesa da pátria”.
Leia íntegra do discurso de Delcy Rodríguez (toque na imagem)
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Como o povo da Venezuela e a comunidade internacional bem sabem, nas horas da madrugada do dia de hoje, exatamente às 1:58 da manhã, o governo dos Estados Unidos lançou uma agressão militar sem precedentes contra a República Bolivariana da Venezuela, o que constitui uma mancha terrível no desenvolvimento das relações bilaterais.
Nessa operação militar, foram capturados o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama, primeira combatente, Cilia Flores.
Já vínhamos advertindo que estava em curso uma agressão sob falsas desculpas, sob falsos pretextos, e que as máscaras haviam caído; o objetivo era a mudança de regime na Venezuela para permitir a captura de nossos recursos energéticos, minerais e naturais.
O mundo e a comunidade internacional devem saber que é assim.
Convocamos este Conselho de Defesa da Nação com a participação dos poderes públicos do Estado venezuelano: acompanham-nos o presidente do Poder Legislativo, Dr. Jorge Rodríguez; a presidenta do Poder Judiciário, Dra. Carilia Beatriz; o presidente do Poder Moral e Procurador-Geral, Tarek William Saab; além do Ministro da Defesa, o chefe do SEO, o vice-presidente de Segurança Cidadã, o Conselho de Vice-presidentes, o Chanceler e convidados especiais.
Exigimos a imediata libertação do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores; ele é o único presidente da Venezuela.
Aqui está o alto comando militar e do Estado, com todos os fatores políticos conjugados.
Mas também nas ruas há um povo ativado em atenção a um chamado já feito pelo presidente.
Ele advertiu que, se algo lhe ocorresse, o povo deveria ir às ruas; os militares e a Força Armada Nacional Bolivariana estão ativados e implantados em todo o território nacional para resguardar nossa independência, soberania e integridade territorial, que foi selvagemente atacada hoje.
Governos da China, Rússia, América Latina, Caribe, África e Ásia manifestaram apoio, impactados por este ataque de natureza sionista.
É realmente vergonhoso.
Como disse nosso pai libertador na Carta da Jamaica: ‘o véu se rasgou, já vimos a luz e pretendem nos devolver às trevas’.
As correntes foram rompidas e jamais voltaremos a ser escravos ou colônia de nenhum império.
Há apenas dois dias, o presidente Maduro ratificava publicamente sua disposição ao diálogo, e a resposta foi esta agressão que viola flagrantemente os artigos 1 e 2 da Carta das Nações Unidas.
O presidente estendeu sua mão ao povo dos Estados Unidos, ratificando canais diplomáticos e institucionais de um verdadeiro Estado que busca o bem-estar dos povos e a cooperação respeitosa.
Chamamos o povo venezuelano a manter a calma para enfrentarmos juntos, em perfeita união nacional entre civis, militares e policiais, a defesa da nossa amada Venezuela herdada de Bolívar, Miranda e nossos mártires.
Somos um povo que não se rende e que jamais será colônia novamente.
O que se faz contra a Venezuela é uma barbárie: cercá-la e bloqueá-la configura crimes de lesa-humanidade.
Já demonstramos nossa capacidade de batalha produtiva em 2025 para garantir alimentos e medicamentos; estamos chamando para a defesa da vida.
Os extremistas que promoveram esta agressão armada pagarão perante a história e a justiça.
O povo está indignado pelo sequestro ilegal e ilegítimo do presidente e da primeira-dama.
O decreto já assinado pelo presidente Maduro está sendo entregue à presidenta do Tribunal Supremo de Justiça para o devido respaldo constitucional na Sala Constitucional.
Agiremos dentro da Constituição, como aprendemos com o comandante Chávez.
Estamos prontos para defender a Venezuela e nossos recursos naturais.
O povo tem consciência do que significam seus hidrocarbonetos e recursos energéticos.
Este Conselho aguarda que a Sala Constitucional valide, nas próximas horas, o decreto de comoção externa assinado pelo presidente Maduro para que seja executado imediatamente.
Repito: estamos dispostos a relações de respeito dentro da legalidade internacional, e é o único que aceitaremos após este atentado militar contra nossa nação.
O povo venezuelano encontrará o caminho em paz; a razão histórica e moral nos assiste para mantermos a firmeza em defesa do futuro e da felicidade social.
Cavalgamos com o Libertador para libertar a ‘Pátria Grande’ e chamamos os demais povos a se manterem unidos, pois o que fizeram hoje com a Venezuela podem fazer com qualquer outro país.
Esse uso brutal da força para torcer a vontade dos povos pode ser aplicado a qualquer um, mas o povo venezuelano, com sua paciência estratégica, saberá encontrar o caminho para a defesa da pátria.
Muito obrigada a todos os venezuelanos e venezuelanas.
Foto: Delcy Rodríguez e Nicolás Maduro durante evento do Conselho Nacional de Economia Produtiva / Imagem reprodução / Instagram.
Mais cedo, Delcy Rodrígues divulgou nota do governo Venezuelano sobre o caso.
O texto, carregado de retórica nacionalista, afirma que a incursão estrangeira constitui uma “violação flagrante da Carta das Nações Unidas” e coloca em risco a estabilidade de toda a região da América Latina e do Caribe.
De acordo com a administração de Nicolás Maduro, o objetivo central da ofensiva seria o controle das reservas naturais do país, especificamente para “apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais”.
Resposta Militar e Mobilização Popular
Diante do cenário de conflito, o presidente Nicolás Maduro formalizou medidas de exceção. O comunicado informa que foi assinado um decreto declarando “estado de Conmoção Exterior em todo o território nacional”.
Mais do que uma medida administrativa, o governo convocou a população e as forças de segurança para “passar imediatamente à luta armada” em defesa da soberania nacional.
O documento também resgata figuras históricas para inflamar o sentimento patriótico, citando frases de Cipriano Castro e do falecido presidente Hugo Chávez Frías.
O governo enfatizou que a resposta dos cidadãos deve ser de “unidade, luta, batalha e vitória”, reforçando a estratégia de “perfeita fusão popular-militar-policial”.
Diplomacia e Resistência
No campo internacional, a Venezuela anunciou que a sua Diplomacia Bolivariana de Paz acionará instâncias multilaterais, como o Conselho de Segurança da ONU, a CELAC e o MNOAL (Movimento dos Não Alinhados), exigindo a “rendição de contas do Governo estadunidense”.
O comunicado conclui reafirmando o direito à “legítima defesa” previsto no direito internacional e apela à solidariedade de governos aliados contra o que classifica como uma “guerra colonial”.
LEIA A ÍNTEGRA (Toque na imagem)
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A República Bolivariana da Venezuela rejeita, repudia e denuncia perante a comunidade internacional a gravíssima agressão militar perpetrada pelo atual Governo dos Estados Unidos da América contra o território e a população venezuelanos nas localidades civis e militares da cidade de Caracas, capital da República, e nos estados Miranda, Aragua e La Guaira.
Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente de seus artigos 1 e 2, que consagram o respeito à soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força.
Tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacional, concretamente da América Latina e do Caribe, e coloca em grave risco a vida de milhões de pessoas.
O objetivo deste ataque não é outro senão apoderar-se dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da Nação.
Não o conseguirão.
Após mais de duzentos anos de independência, o povo e o seu Governo legítimo mantêm-se firmes em defesa da soberania e do direito inalienável de decidir o seu destino.
A tentativa de impor uma guerra colonial para destruir a forma republicana de governo e forçar uma “mudança de regime”, em aliança com a oligarquia fascista, fracassará como todas as tentativas anteriores.
Desde 1811, a Venezuela enfrentou e venceu impérios.
Quando, em 1902, potências estrangeiras bombardearam nossas costas, o Presidente Cipriano Castro proclamou: “A planta insolente do estrangeiro profanou o solo sagrado da Pátria”.
Hoje, com a moral de Bolívar, Miranda e nossos libertadores, o povo venezuelano se levanta novamente para defender sua independência diante da agressão imperial.
Povo à rua.
O Governo Bolivariano convoca todas as forças sociais e políticas do país a ativar os planos de mobilização e repudiar este ataque imperialista.
O povo da Venezuela e sua Força Armada Nacional Bolivariana, em perfeita fusão popular-militar-policial, encontram-se mobilizados para garantir a soberania e a paz.
Simultaneamente, a Diplomacia Bolivariana de Paz elevará as correspondentes denúncias perante o Conselho de Segurança da ONU, o Secretário-Geral de dita organização, a CELAC e o MNOAL, exigindo a condenação e a prestação de contas do Governo estadunidense.
O Presidente Nicolás Maduro dispôs todos os planos de defesa nacional para serem implementados no momento e circunstâncias adequadas, em estrito apego ao previsto na Constituição da República Bolivariana da Venezuela, na Lei Orgânica sobre Estados de Exceção e na Lei Orgânica de Segurança da Nação.
Neste sentido, o Presidente Nicolás Maduro assinou e ordenou a implementação do Decreto que declara o estado de Conmoção Exterior em todo o território nacional, para proteger os direitos da população, o funcionamento pleno das instituições republicanas e passar imediatamente à luta armada.
Todo o país deve ativar-se para derrotar esta agressão imperialista.
Do mesmo modo, ordenou o imediato deslocamento do Comando para a Defesa Integral da Nação e dos Órgãos de Direção para a Defesa Integral em todos os estados e municípios do país.
Em estrito apego ao artigo 51 da Carta das Nações Unidas, a Venezuela reserva-se o direito de exercer a legítima defesa para proteger o seu povo, o seu território e a sua independência.
Convocamos os povos e governos da América Latina, do Caribe e do mundo a mobilizarem-se em solidariedade ativa frente a esta agressão imperial.
Como assinalou o Comandante Supremo Hugo Chávez Frías: “ante qualquer circunstância de novas dificuldades, do tamanho que forem, a resposta de todos e de todas as patriotas… é unidade, luta, batalha e vitória”.