A Presidente Nacional do PT disse, sobre a seção da revista “Páginas Amarelas da vergonha”, que a entrevista com o ex-juiz que agiu com “suspeição e parcialidade” deu “todo o espaço para ele voltar a atacar Lula, com as acusações falsas, anuladas pelo STF, e passar pano para o inelegível indiciado pelo roubo de joias
“A Veja fez 13 perguntas a Sergio Moro; nenhuma delas sobre sua suspeição e parcialidade para condenar Lula sem provas e fora da lei. Nada sobre os crimes da Lava Jato que estão em pauta no CNJ e no CNMP“, afirmou a deputada federal pelo Paraná e Presidenta Nacional do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, em suas redes sociais, neste sábado (13/7).
“Nada sobre a liberação de posse e porte de armas quando ele foi ministro da Justiça de Bolsonaro, armas que foram parar nas mãos do crime organizado. Aliás, nada sobre atuação de Moro nas eleições de 2018 e na campanha do inelegível em 2022″, prosseguiu a parlamentar, em sua argumentação sobre a entrevista da mídia que mais publicou notícias contra a legenda fundada pelo estadista.
Segundo Gleisi, a revista volta a dar “todo o espaço para ele [Sergio Moro] voltar a atacar Lula, com as acusações falsas, anuladas pelo STF [Supremo Tribunal Federal], e passar pano para o [declarado] inelegível [pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral)] e indiciado [pela Polícia Federal] pelo roubo de joias”.
“Realmente, páginas amarelas… de vergonha“, conclui a deputada.
Veja abaixo e saiba depois o que Moro disse:
A @VEJA fez 13 perguntas a Sergio Moro; nenhuma delas sobre sua suspeição e parcialidade para condenar Lula sem provas e fora da lei. Nada sobre os crimes da Lava Jato que estão em pauta no CNJ e no CNMP. Nada sobre a liberação de posse e porte de armas quando ele foi ministro da…
— Gleisi Hoffmann (@gleisi) July 13, 2024
Sobre o indiciamento de Jair Bolsonaro (PL) pela Polícia Federal no caso dos presentes sauditas, Sergio Moro (União Brasil-PR) não perdeu a oportunidade de atacar o estadista que hoje é pela terceira vez Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O chefe do Executivo o lançou ao estrelato político, transformando-o em um herói nacional que mais tarde acabou desmoralizado quando a Justiça o rotulou como parcial e suspeito para julgar o mandatário do Brasil.
O senador também atacou a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) ao afirmar que tanto a hoje presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento do BRISCS quanto Lula também tiveram problemas como Bolsonaro e jamais foram acusados de peculato. Segundo Moro, é preciso “tomar cuidado com essas investigações para evitar o acirramento da polarização” que ele mesmo criou ao acusar sem provas o então investigado que acabou sendo enviado para a prisão por 580 dias, dando origem ao bolsonarismo.
Moro diz também que “o indiciamento feito pela PF foi prematuro e seria mais apropriado tratar a questão como uma infração administrativa“. Inacreditavelmente, o senador afirmou depois que o 8 de Janeiro não traz “elementos” para “a conclusão de que aquilo foi um plano organizado” e que o “apenamento” dos manifestantes bolsonaristas golpistas terroristas foi “extremamente rigoroso” por parte do STF (Supremo Tribunal Federal).
Sobre ter se livrado da cassação de seu mandato, Moro afirmou que “queriam se aproveitar do clima político de revanchismo para tentar fazer prevalecer teses absurdas“. Na sequência, o senador fala em “pacificação“, achando que está isento de culpa do surgimento da antipolítica nacional: “… seria importante que todos os atores, Legislativo, Judiciário, Executivo, pusessem a bola no chão“, afirmou, mas continuando a ser incapaz de soltar um elogio aos avanços na Economia e sobre o fim dos retrocessos conseguidos pela nova gestão Lula.
O parlamentar diz que o Presidente do Brasil “segue com a velha teoria da conspiração, de que foi tudo armação” e acrescenta que “isso é grave“, como se grave não fosse um juiz condenar um investigado sem prova alguma na sentença.
Tão grave foi, que em , após uma entrevista com Lula, o jornalista Reinaldo Azevedo lançou um “desafio a Moro, ao TRF-4 e à 5ª Turma do STJ: enviem-me em quais páginas aparecem as provas“.
o desafio a Moro, ao TRF-4 e à 5ª Turma do STJ: enviem-me em quais páginas aparecem as provas. Vale tbem p/ jornalista lavajateiro e p/ escória a soldo do governismo q se disfarça de imprensa. Mas ninguém se atreve. Tenho a sentença aqui. Terei enorme prazer intelectual em exibir
— Reinaldo Azevedo (@reinaldoazevedo) April 3, 2021
O entrevistador da Veja questionou Moro sobre críticas de Lula ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, comparando sua atuação ao do ex-juiz da Lava Jato, que trabalhou para “prejudicar o país”. O senador respondeu que o estadista buscava “transferir a responsabilidade ao juiz, ao promotor, à Polícia Federal, criando aquela teoria da conspiração de que tudo era um plano dos Estados Unidos“.
Moro ignora completamente que, até para analistas internacionais, a operação por ele comandada se vendia como a maior anticorrupção do mundo, mas se transformou no maior escândalo judicial da história brasileira, conforme disse o diretor-executivo do Observatório Político da América Latina e do Caribe (Opalc), Gaspard Estrada, da universidade Sciences Po de Paris, em artigo que foi publicado no jornal norte-americano The New York Times.
Moro chega a dizer que “a economia vai mal“, iludindo o leitor, quando na verdade o Brasil escala gradativamente o ranking internacional do PIB. “Ele levanta uma cortina de fumaça e busca transferir a responsabilidade ao Campos Neto“, diz o senador, mas o presidente do BC trava os juros a 10,5% e impede que o Brasil cresça mais.
O senador jamais citaria que o governo Bolsonaro, por exemplo, deixou R$ 255,2 bilhões em despesas contratadas e não pagas para 2023, tecnicamente chamadas de restos a pagar (RAPs). Ou que o governo Lula já pagou todas as dívidas com organismos internacionais e pôs o Brasil em uma posição de honra da Organização das Nações Unidas.
O parlamentar prefere posicionar a alça de mira em Lula quando afirma que “o crescimento do déficit público impacta a produtividade do Brasil e vai comprometer nosso futuro“. Moro diz também que pode se lançar como candidato ao governo do Paraná, em 2026, e afirma que é “um adversário” temido pelo Partido dos Trabalhadores, “por razões históricas”.
No final, após argumentar sobre o tema da Segurança Pública, Moro diz que quer “apoiar um nome para derrotar o PT e Lula“, pois “o país não aguentaria um novo ciclo de irresponsabilidade fiscal e administrativa“, novamente ignorando todos os feitos históricos do maior presidente que o Brasil já teve, conforme mostrou uma pesquisa Datafolha, na véspera da posse do estadista.
